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Ziggy Stardusty retorna ao espaço?

Redação DM

Publicado em 12 de janeiro de 2016 às 23:55 | Atualizado há 10 anos

Na última segunda-feira, o mundo do rock recebeu uma notícia dramática. David Bowie morreu aos 69 anos, após lutar 18 meses contra um câncer. Autor de clássicos como “Space Oddity”, “Ziggy Stardusty” e “Heroes”, Bowie mudou o rumo da arte na segunda metade do século XX. Lendárias foram as suas aparições cinematográficas. E os álbuns que criou ao longo das décadas. Bowie, certamente, deixou sua marca na cultura popular. Incontáveis foram os artistas que se espalharam e que irão se espelhar nele.

Nascido na região de Brixton, no sul de Londres, Bowie desde a infância se mostrou talentoso para a música. Começou a estudar saxofone aos 13 anos. Durante a década de 1960, formou algumas bandas, mas não teve reconhecimento. Em 1969, no entanto, foi alçado à fama no Reino Unido, com Space Oddity. Contudo, seu alter-ego, Ziggy Stardusty, projetou-lhe ao sucesso internacional, em 1972, com o álbum The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. O disco foi o ápice da fase glam do artista, cujo protagonista da obra é um alienígena, astro do rock e bissexual que se mata em Rock n roll suicide – última faixa da obra.

No disco seguinte, Alladin Sane, Bowie buscou novos rumos. Mudou a sonoridade e criou um novo personagem. Em 1975, ele se distanciou do rock, com Young American. O disco possuía influências de soul. Mas foi em 1977 que compôs Low – o primeiro disco da trilha de Berlim. O trabalho traz um som gélido, inspirado no rock eletrônico dos grupos alemães Neu! e Krafwerk. Nos anos 80, Bowie flertou com a disc music. E agarrou a new wave. Em 1983, “Let´s Dance” se tornou um grande sucesso radiofônico. Bowie fora alçado astro das massas, com o hit “Modern Love”.

Ele se apresentou no Brasil, em 1997, na Pedreira Paulo Leminiski, em Curitiba. Naquele ano, Bowie lançava “Earthling”, que mesclava música eletrônica. Era o auge da cultura have na Europa, e Bowie fez um trabalho cheio de batidas drum´n bass. Segundo o jornalista Sandro Moser, que assistiu ao espetáculo, “a primeira canção foi ‘Jean Genie’”, do “Ziggy Stardust”, e do setlist lembro mais ou menos. Mas posso afirmar que ele tocou “Fashion”, “Supermen”, “All The Young Dudes”, e no bis “The Man Who Sold the World”. E terminou com o cover do Velvet Underground “White Light/ White Heat”, descreve.

No início dos anos 2000, o mundo passou a se perguntar se David Bowie havia morrido. O artista sumiu dos holofotes, apresentando-se, pela última vez, em 2004. Ele abandonou as turnês naquele ano, após sofrer fortes dores no peito. Após procurar um médico, ficou sabendo que quase teve um ataque fulminante. Era a hora de parar. Seu corpo pedia descanso. Mas Bowie seguiu fazendo aquilo que mais sabia: compor. E seu retorno se deu em 2013, com o surpreendente The next day.

Em seu último clipe, “Lazarus”, percebe-se que Bowie dava uma espécie de adeus aos fãs. O vídeo, que foi lançado na última quinta-feira, 7, traz várias referências à morte do cantor. No clipe, ele agoniza num hospital. E depois, refugia-se num armário semelhante a um caixão. “Sua morte não foi diferente da sua vida: uma obra de arte. Ele fez ‘Blackstar’ para nós, foi um regalo de despedida. Eu sabia, há um ano, que seria assim. No entanto, não estava preparado”, afirmou Tony Visconti Visconti, produtor, em um comunicado.

Na cena de abertura do clipe, Bowie aparece vendado, com aparência frágil, em uma cama de hospital. Suas primeiras palavras são: Look up here, I’m in heaven/I’ve got scars that can’t be seen” (“Olhe aqui para cima, estou no Céu/ Tenho cicatrizes invisíveis”). Então, ele passa a flutuar sobre o lugar. Outro Bowie surge em cena, vestido de preto. Enquanto ele escreve em um caderno, observa-se uma caveira em uma escrivaninha. Era como se a morte lhe acompanhasse em sua derradeira obra.

 

Homenagens

O líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, postou uma mensagem nas redes sociais. Ele lembrou o que viveu com o cantor, e disse que Bowie não tinha vergonha de seu trabalho. “David sempre foi uma inspiração para mim. Ele era maravilhosamente sem vergonha em seu trabalho. Nós nos divertíamos tanto juntos. Ele era meu amigo, e eu nunca vou esquecê-lo”, escreveu.

Paul McCartney também lamentou a morte de Bowie. “Um notícia muito triste para se acordar nesta manhã chuvosa”, afirmou. “Bowie era uma estrela e brilhará no céu para sempre.” O ex-beatle recordou da amizade deles e da importância do artista. “Sua música teve um papel muito forte na história da música britânica e tenho orgulho de pensar sobre a enorme influência que ele teve sobre as pessoas ao redor do mundo.”

O vocalista do Nenhum de Nós, Thedy Corrêa, está devastado com a morte do ídolo. Segundo ele, “O astronauta de mármore” foi uma homenagem a Bowie. “Uma grande merda”, disse o vocalista, após saber da morte do cantor. “Eu não esperava que sentiria o que estou sentindo hoje”, acrescentou o músico gaúcho à Rolling Stone Brasil, por telefone. É muito estranho não conhecer pessoalmente uma pessoa e ela ser tão importante.”

 

(Marcus Vinícius Beck, estudante de Jornalismo, corintiano e escritor)

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