2016 é o nosso “tira-teima”!
Redação DM
Publicado em 28 de outubro de 2015 às 00:29 | Atualizado há 11 anosMais do que nunca, é momento da esquerda, digo, toda a esquerda e em seus mais de cinquenta tons rubros, ocupar, mais e cada vez mais, espaços políticos, institucionais ou não.
Neste 2016 que se avizinha é imperioso que lance candidatos às prefeituras e câmaras; deve ampliar a militância nas ruas, igrejas, escolas e universidades. É que toda essa hostilidade, sobretudo, aos quadros do PT, mas também para com lideranças do PCB, PCdoB e PSOL indica que a ofensiva progressista, social e socialista deve ser intensificada em nome da superação das seculares tragédias sociais e econômicas e que arrasam com o Brasil.
No entanto, é importante que as esquerdas se apresentem às disputas com projetos bem definidos de gestão local, bem formatados e o essencial, construídos com a participação da população, com as pessoas dos bairros e periferias, com trabalhadores e todos os interessados na construção de cidades justas, integrais e ambientalmente possíveis.
Não dá mais para não termos um amplo e viável projeto de gestão dos ativos ambientais da cidade, um muito bem articulado plano de utilização adequada do solo urbano, das águas e do ar. Para isso é preciso estabelecer políticas e metas ambientais. Um transporte público rápido, limpo e eficiente é importante instrumento nesse processo; ciclovias, da mesma forma, se apresentam como tecnologias urbanas que mitigam o drama ambiental nas horrorosas cidades brasileiras.
A agricultura urbana e agroecológica é outra boa novidade que as gestões mais avançadas e modernas estão utilizando porque além de ser parte da solução para a feitura de políticas de segurança alimentar envolve cuidado com as águas e com o ar que utilizamos.
Me recordo nesse momento do cataclismo ambiental na cidade de Itumbiara no sul goiano, cidade onde não casualmente, vivo. É que esse “super clima” respeita a uma tipicidade climática notadamente específica e advinda, primeiro, da ampla e intensa devastação do Cerrado local, marca e modelo de delimitação advinda dos latifúndios, principalmente, grileiros e que se utilizam da predação ambiental como diferencial de ocupação e marco territorial; em seguida, pelo modelo de ocupação e desenvolvimento financiado pelo Estado e que tem como base a grande empresa useira e vezeira de mão de obra farta e muito barata; pela esterilização dos movimentos sociais, sobretudo, de lutas pela terra e por um ambiente de efetiva qualidade e biodiversidade e; finalmente, pela apropriação do poder político institucional pelos capitalistas do agronegócio.
Os desafios ambientais são enormes e se reproduzem ante aos olhos passivos de uma população imersa tão somente no cumprimento de suas obrigações laborais. Nada além disso! Esse quadro dificulta, mais ainda, a feitura de um projeto popular, ambiental e democrático para a cidade.
No entanto, não é possível, não sonhar, não lutar, não ousar! E é por isso que a esquerda, sobretudo, a esquerda deve se fazer presente nesse cenário de multi-crises e reafirmar seus valores axiais de justiça, igualdade e vida plena para todos.
(Ângelo Cavalcante – economista, cientista político, doutorando (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)