Política

Após tensão entre facções, Adib volta a defender novo presídio em Catalão

Redação Online

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 20:15 | Atualizado há 1 hora

A transferência preventiva de presos após ameaça de motim envolvendo integrantes de facções criminosas rivais na Unidade de Polícia Penal de Catalão reacendeu a discussão sobre a construção de um novo presídio no município.

Ex-prefeito da cidade, Adib Elias (MDB) voltou a defender a transferência para uma área fora do perímetro urbano e afirmou que o episódio é um alerta sobre os riscos de manter a estrutura em uma região cercada por bairros residenciais, como Jardim Primavera, Evelina e Cruzeiro I e II.

“Quando defendo um novo presídio para Catalão, não estou defendendo preso. Estou defendendo as famílias, os policiais penais e o povo de Catalão. É isso que algumas pessoas nunca quiseram entender. Catalão já tem um presídio. O que defendemos é retirar uma estrutura inadequada da área urbana e construir uma unidade moderna, segura e preparada para a realidade que enfrentamos hoje”, afirma Adib Elias.

A retirada do presídio do local é defendida há anos por Adib. Ele começou a tratar do assunto ainda quando comandava a Prefeitura de Catalão, entre 2017 e 2024, e conseguiu, em agosto de 2023, a doação de um terreno de 30 mil metros quadrados que pertencia ao Governo de Goiás.

O ex-prefeito também levou o projeto para a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), pasta onde foi secretário até se desincompatibilizar, em abril deste ano, para disputar as eleições de 4 de outubro. Ele concorre a uma das 41 vagas de deputado estadual.

Para substituir a estrutura atual, o Governo de Goiás pretende investir R$ 57,2 milhões na implantação de um presídio próximo à BR-050, sentido Catalão-Uberlândia, distante da região residencial. O novo complexo atenderia também os municípios de Davinópolis, Ouvidor, Três Ranchos, Goiandira, Nova Aurora, Cumari e Anhanguera.

De acordo com informações da Seinfra, a proposta é que a nova Unidade Prisional Regional de Catalão tenha 536 vagas e área edificada de 9,2 mil metros quadrados. Construído há mais de duas décadas, o presídio atualmente tem capacidade instalada de 179 vagas carcerárias, com ocupação média de 290 detentos. Com a nova estrutura, a capacidade praticamente triplicaria, com acréscimo de 357 vagas.

Faccionados

A tensão entre faccionados em Catalão ocorreu na noite de sexta-feira (21). Segundo a Polícia Penal de Goiás, integrantes de organizações criminosas rivais ameaçaram a ordem da unidade e, por isso, uma operação foi realizada no sábado (22). Os presos foram removidos preventivamente para estabelecimentos integrantes da 4ª Coordenação Regional de Polícia Penal.

“Graças à competência da Polícia Penal, a operação terminou sem intercorrências. Os profissionais agiram, controlaram a situação e impediram que ela avançasse. Mas eu quero perguntar, principalmente àqueles que transformaram o novo presídio em palanque político, e se tivesse dado errado, quem assumiria a responsabilidade? Quem iria até a casa das famílias que moram naquela região explicar que o risco era conhecido, mas ninguém fez nada? É muito fácil ser contra, difícil é assumir a responsabilidade pelas consequências”, critica.

Adib, inclusive, colocou a implantação do novo presídio entre os compromissos que pretende defender na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), caso seja eleito. A proposta é acompanhar a execução do empreendimento junto ao Governo de Goiás e atuar politicamente para que a nova unidade seja efetivamente construída, permitindo a desativação da atual estrutura prisional na área urbana.Para ele, o episódio envolvendo as facções reforça a urgência da medida.

“Catalão não pode esperar uma tragédia para tomar a decisão certa. Ainda dá tempo de fazer aquilo que precisa ser feito. Eu vou continuar defendendo o novo presídio e, se Deus e o povo de Goiás me derem a oportunidade de voltar à Assembleia, esse será um dos compromissos do meu mandato. Eu não quero estar certo depois de uma tragédia. Quero estar certo a tempo de evitá-la”, conclui.

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