As armas de cada um
Redação DM
Publicado em 27 de janeiro de 2018 às 00:00 | Atualizado há 1 ano
As eleições deste ano prometem ser as mais disputadas, desde de que em 1994, quatro candidatos com “bala na agulha”, disputaram aquele pleito. Na época foram candidatos o empresário Luiz Antônio de Carvalho (PT), sócio-presidente do Grupo Coplaven, que chegou a ser o maior empresa de consórcio do Brasil, o presidente da UDR (União Democrática Ruralista) Ronaldo Caiado, a deputada federal Lúcia Vânia e o vice-governador Maguito Vilela. No primeiro turno, Caiado e Lúcia se digladiavam pelo primeiro lugar, mas ao final da disputa, Maguito terminou com 42,54%, Lúcia com 25,52%, Caiado com 23,18% e Luiz Antônio com 8,75%.
Nesta corrida eleitoral, tudo indica, três candidatos devem ir até o final do pleito. Nos levantamentos feitos pelos institutos no ano passado, o senador Ronaldo Caiado (DEM) liderava com folga a corrida pré-eleitoral, seguido pelo deputado federal Daniel Vilela (MDB) e pelo vice-governador José Eliton (PSDB). Vilela lidera o maior partido de oposição do Estado, e desde que disputou a primeira eleição pelo voto direto em 1982, o PMDB/MDB nunca teve menos do que 33% dos votos no primeiro turno. Vale o mesmo para os partidos da aliança governista; Desde a vitória de Marconi Perillo (PSDB) em 1998, a coligação situacionista sempre se portou na casa dos 40%. Caiado tem a estrutura partidária mais frágil entre todos os candidatos, mas considerando a última eleição que disputou para o governo do Estado (1994) e o retrospecto da sua ascensão ao Senado (2014), é pouco provável que reduza sua votação.
Eleição, futebol e corrida de carros só se sabe o resultado quando o juiz apita o fim da partida ou quando o comissário de prova balança a bandeirada final. Se em 1994, o governador Iris Rezende garantiu a vitória do seu sucessor e, de quebra foi eleito ao senado levando na garupa Mauro Miranda, a situação em 2018 é diferente. Os 20 anos ininterruptos de mando da aliança que venceu as eleições pela primeira vez em 1998 estão sendo colocados em xeque. É natural o que os políticos chamam de desgaste da máquina. Também é fato que após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT-MG), todos os políticos e todos os partidos estão com as suas imagens abaladas. O mesmo ocorreu em 1993 após o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Nestas eleições, a liderança pessoal de cada candidato vai se sobrepor a imagem dos governos e dos arranjos políticos. É isto que explica, por exemplo, a liderança absoluta do ex-presidente Lula nas pesquisas para a presidência da República. Mesmo com o desgaste sofrido pelo seu partido, o PT, Lula é apontado majoritariamente como preferido pelos brasileiros.
Nas cinco eleições vencidas pelo “tempo novo” (aliança formada pelo PSDB, PTB, PPB e PFL/DEM) vários fatores contribuíram para vitória. Em 1998, Marconi Perillo venceu as eleições na capital, Goiânia, e garantiu uma frente ampla em Anápolis e no Entorno de Brasília. A partir de 2002, aos votos da oposição (PMDB e PT) superaram os votos da aliança governista. Marconi, no entanto, continuou abrindo vantagem inconteste, na margem de três votos por um, contra os adversários em Anápolis, Itumbiara e no Entorno.
Em 1998, quando o PMDB perdeu o poder para o PSDB, a máquina governista contava com mais de 200 prefeitos. No lançamento da campanha Marconi contavam com apoio de apenas quatorze prefeitos. Mas isto não impediu que vencesse a disputa. Desde então o Palácio das Esmeraldas foi ampliando a influência nas eleições municipais, e a aliança governista tem hoje cerca de 180 prefeitos.
GROTÕES E GRANDES CENTROS
Se a Casa Verde avançou no interior, a oposição cresceu nos grandes municípios. Goiânia e Aparecida de Goiânia, que juntas reúnem cerca de 25% do eleitorado goianos, são governadas por prefeitos emedebistas: Iris Rezende e Gustavo Mendanha, respectivamente. Outras cidades emblemáticas como Catalão. Formosa, Rio Verde, Quirinópolis, Mineiros e Padre Bernardo, também são governadas por prefeitos eleitos pelo PMDB/MDB. Este avanço sobre os grandes municípios, fez as últimas disputas serem mais apertadas. Em 2010 e 2014, a definição foi para o segundo turno, após um primeiro turno de muitas incertezas para as forças situacionistas. Mas ao final, o governo fez valer a supremacia nos pequenos municípios, e a votação diferenciada em Itumbiara e em Anápolis para derrotar os candidatos da oposição.
O pleito de outubro pode confirmar esta vantagem governista sobre os chamados “grotões” e principalmente em Itumbiara e Anápolis? Esta é uma questão que só poderá ser respondida nas urnas. Mas não custa lembrar que Ronaldo Caiado é filho de Anápolis e em 2014, quando o ex-prefeito Antônio Roberto Gomide (PT) foi candidato a governador, arrebanhou 66% dos votos dos seus munícipes. O falecido prefeito José Gomes sempre foi o principal cabo eleitoral para as campanhas governistas em Itumbiara. Sua morte deixa uma lacuna que nenhum outro líder político da região pode preencher.
Do ponto de vista do trabalho político, pode-se dizer que os três candidatos tem tradição de buscar votos no interior. Filho do ex-governador Maguito Vilela, o deputado Daniel Vilela construiu sua base politica no Sudoeste Goiano, a partir de Jataí, sua terra natal, e em Aparecida de Goiânia, onde o pai foi prefeito por dois mandatos.
José Eliton é natural de Posse, no Nordeste Goiano, onde participou das lides políticas do pai, Eltinho, que foi candidato a deputado estadual e prefeito no município. Caiado, a partir de sua militância ruralista, sempre teve trabalho mais forte no interior do que na Capital e nas regiões metropolitanas.
Historicamente os eleitores de Goiânia nunca votam em candidato apoiado pelo governo do Estado. E também é fato que o PSDB nunca foi o mais votado em Aparecida de Goiânia, nas eleições para governador. São dois tabus que podem ser quebrados em outubro deste ano.
Em 1996, o apoio do então prefeito Nion Albernaz (PSDB) à candidatura e Marconi Perillo foi um diferencial para o candidato, que venceu na capital, e através desta imagem positiva da campanha em Goiânia, abriu caminho para vencer também no interior do Estado. Daniel Vilela e Ronaldo Caiado disputam o apoio do prefeito Iris Rezende. Não há dúvidas de que a liderança do mais experiente político de Goiás será um fator positivo na campanha de qualquer um deles.
Depois de Iris, ninguém disputou e venceu tantas eleições quanto o governador Marconi Perillo, que já foi eleito para um mandato de deputado estadual, outro de deputado federal, um mandato no Senado e quatro de governador. A expertise do governador, sua capacidade de articulação política e o faro para vencer eleições são reconhecidos por aliados e adversários. Ignorar esta capacidade de atuação é brincar com fogo. Ele é o principal trunfo de José Eliton e pode ser realmente decisivo para garantir a continuidade do tempo novo.

Daniel Vilela preside o maior partido de oposição em Goiás, tendo no MDB um pivô forte como
base política. José Eliton conta com o suporte do governador Marconi Perillo: um exímio político
com intensa articulação e que poderá dar continuidade ao Tempo Novo com Zé Eliton (PSDB)
PLEBISCITÁRIAS
Em entrevista recente, o Comandante Geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas disse que as eleições deste ano devem ser plebiscitárias. Acredita que o eleitor irá avaliar os candidatos a partir da aprovação ou reprovação dos governos, seja o do presidente Michel Temer (MDB-SP), sejam os governos estaduais. Esta pode ser também uma tendência em Goiás. Mas aqui nestas plagas, a tradição política é de ciclos longos de poder. O caiadismo tomou o poder dos Bulhões em 1909 e só foi apeado em 1930 com a revolução conduzida por Getúlio Vargas e Pedro Ludovico. O ludoviquismo mandou de 1930 a deposição de Mauro Borges em 1964. A ditadura durou 21 anos, período em que os amigos do regime em Goiás se revesaram no poder até a eleição de Iris Rezende em 1982, que inauguraria o ciclo do PMDB que durou 16 anos até 1998.
Todas estas “tradições”, da politica goiana e os tabus eleitorais estarão sendo postos a prova neste pleito. Os trunfos e as fragilidades de cada candidato virão à público.