Caiado manobra dentro do PMDB
Redação DM
Publicado em 25 de dezembro de 2017 às 23:41 | Atualizado há 1 ano
De uns tempos a esta parte, prefeitos peemedebistas têm comparecido aos jornais para manifestar apoio à candidatura de Ronaldo Caiado a governador do Estado em 2018. E sugerem que o PMDB deverá indicar o candidato a vice de Ronaldo. E sabe-se que esta proposta será levada à convenção eleitoral do PMDB goiano, a realizar-se lá por volta de junho.
Há quem aposte na vitória desta proposta. Os maguitistas, no entanto, alardeiam que possuem o controle da máquina partidária. Não se sabe que cartas eles têm na manga, mas parece que é puro blefe. Do fato de Daniel Vilela ser o presidente da sigla não se infere que ele pode vencer a convenção. Quem conhece bem a política goiana sabe que a razão prática rejeita esta consequência.
Quem manda no PMDB goiano ainda é Iris Rezende Machado. Se ele estiver mesmo apoiando a pretensão de Caiado, ela será vitoriosa. A obrigação moral de Íris seria apoiar o postulante peemedebista. Mas Iris não dá o menor sinal de que esteja disposto a quebrar lanças por Daniel. Certo, ele não se manifestou pró-Caiado, embora fontes idôneas informem que, na coxia, ele venha afirmando sua predileção pelo senador demista. É bem do estilo dele. Só torna pública sua posição nos segundos que precedem à queda da cortina. Como ele não proclama o nome de Daniel, fica o distinto público liberado para especular que o favorito dele é mesmo Caiado.
Os prefeitos do PMDB já estão se antecipando em favor de Caiado porque não acreditam que Daniel possa vencer a eleição. Ele está entre o líder das pesquisas de intenção de voto, Caiado, e o candidato unitário do governismo, José Eliton, que será governador daqui a uns três meses, quando então vai jogar pra valer. E a força do marconismo é um algo concreto, não um conceito metafísico sujeito a avaliações subjetivas do tipo: “o governo está desgastado depois de 20 anos de poder”. Desejos ardentes a que não se liga uma intensa ação prática não operam transformações. E ação é tudo que falta aos peemedebistas.
Os prefeitos estão se antecipando porque, crentes de que Ronaldo poderá vencer, querem estar atrelados ao carro triunfal. Querem, em, troca, tratamento vip no Palácio das Esmeraldas quando, e se, Caiado for governador. Marconi trata todos os prefeitos goianos em pé de igualdade, não faz acepção de partido. Mas os peemedebistas que ainda terão mais dois anos pela frente querem atenção especial.
Enquanto a banda podre do PMDB bajula caiado e se joga aos pés deles, Maguito Viella, pai de Daniel, vai mantendo conversações com o marconismo. Ele não esconde de ninguém estas tratativas. Maguito está mais próximo de uma aliança tática com José Eliton do que com Caiado. Mas ninguém espere disso uma chapa José Eliton-Daniel.
Pode acontecer o seguinte: Perdendo a convenção, Daniel saia candidato à reeleição, mas rachando o PMDB. Os maguitista poderão apoiar José Eliton, informalmente. Outra possibilidade, mais remota, seria Daniel sair candidato a Senador, fazendo dobradinha com Marconi. Seria algo extremante vantajoso para ele. O Eleitor de Marconi votaria, também em Daniel, e vice versa. Os dois venceriam para o Senado. Para o pai de Daniel, que é também seu mentor, esta é uma alternativa palatável em caso de derrota para os caiadistas do PMDB.
Caiado vencendo a convenção do PMDB por meio de seus agentes infiltrados naquela sigla, a polarização está posta. Será José Eliton de um lado contra Caiado de outro. É bom lembrar que há, no PMDB, muita gente que nunca se sentiu à vontade com Caiado. Antigas e atávicas rivalidades. O maguitismo unido ao marconismo será fatal para os planos de Caiado.
Pode acontecer esta aliança? Pode. É uma possibilidade. Não quer dizer que acontecerá. Mas, repito, pode acontecer. Em política, as mais absurdas suposições podem se materializar. Quem, há 20 anos atrás, em são consciência, arriscaria o palpite de que Caiado estaria unido ao PMDB, sob as bençãos de Iris e os aplausos dos prefeitos peemedebistas? Quem ousasse uma especulação desse tipo seria chamado de louco e levado ao hospício em camisa de força. Aliás, em duas camisas de força. Por garantia.
