Centrão identifica rejeição de Lula como motor da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 14:24 | Atualizado há 3 meses
Bloco político cobra postura conciliadora de Flávio em possível disputa contra Lula | Foto: Reprodução
Lideranças do Centrão avaliam que o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários eleitorais está diretamente ligado ao aumento da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A leitura ganhou força após levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado nesta quarta-feira (25), indicar empate técnico entre os dois em uma eventual disputa de segundo turno. O resultado animou partidos do bloco, que concentram influência significativa no Congresso Nacional.
Nos bastidores, dirigentes de legendas de centro e centro-direita interpretam o cenário como um indicativo de que parte do eleitorado estaria migrando mais por insatisfação com o atual governo do que por adesão consolidada ao projeto do senador. Integrantes do grupo apontam que episódios recentes de desgaste enfrentados pelo Palácio do Planalto, inclusive durante o período do Carnaval, contribuíram para ampliar a vulnerabilidade política de Lula.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro tem buscado ajustar o discurso. Segundo aliados, o parlamentar passou a adotar uma postura considerada mais moderada, com sinais direcionados a eleitores de centro e a segmentos sociais que tradicionalmente não compõem a base bolsonarista. Essa estratégia, defendida por lideranças do campo conservador mais pragmático, é vista como condição essencial para viabilizar uma candidatura competitiva fora do núcleo ideológico mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A expectativa dentro do Centrão é que o senador avance nessa linha e apresente um discurso voltado à pacificação institucional. A avaliação é de que, para ampliar alianças, será necessário enfatizar compromisso com governabilidade ampla e diálogo com diferentes setores da sociedade. Em entrevista ao SBT News, o presidente nacional do Partido Progressistas, Ciro Nogueira, afirmou que o cenário atual reflete uma eleição marcada pela rejeição. Segundo ele, parte do eleitorado que antes votou em Lula para impedir a reeleição de Bolsonaro agora poderia optar por Flávio como forma de barrar o atual presidente.
Apesar do entusiasmo de aliados, o apoio formal ainda não está consolidado. A federação formada por União Brasil e PP mantém a decisão em aberto e deve avaliar o ambiente político e as condições de viabilidade eleitoral antes de anunciar posição definitiva em uma eventual disputa entre Lula e o filho do ex-presidente.