“Daniel acabou com o MDB no interior de Goiás”
Redação DM
Publicado em 4 de maio de 2018 às 02:30 | Atualizado há 8 anos
O deputado estadual José Nelto, que recentemente trocou o MDB–partido que estava há 35 anos–pelo Podemos, destaca que o atual presidente estadual do MDB em Goiás, o pré-candidato ao governo de Goiás Daniel Vilela, acabou com o partido no interior. José Neto também critica o pai de Daniel, o ex-governador Maguito Vilela (MDB) e afirma que o mesmo prestou um desserviço à pré-candidatura de Daniel Vilela ao declarar possível aliança entre o partido e o PSDB.
Em visita à redação do Diário da Manhã, o deputado esclareceu os motivos que o levaram a deixar o MDB além das conjunturas para às eleições de outubro, tanto para o governo do Estado quanto para Câmara Federal, já que é pré-candidato a deputado federal pelo Podemos. “O Brasil precisa de um grupo político não de direita ou esquerda, mas temos que unir ideias”, acredita. O deputado ainda ressalta o apoio à pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM) para o governo estadual.
A respeito dos 20 anos de gestão do atual governo do PSDB, José Nelto é enfático em suas declarações e destaca que Goiás tem sérios problemas financeiros. “O Estado de Goiás está, literalmente, falido. Quando o MDB deixou o governo para Marconi Perillo, a dívida de Goiás era R$ 5.345 bilhões, hoje, a dívida é de R$ 22 bilhões. O Estado de Goiás está em uma situação que o próximo governador não terá dinheiro para pagar os servidores públicos”, alarmou.
CONFIRA ABAIXO OS PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:
- História no MDB
É com muita tristeza, sofri muito, meu coração ficou estraçalhado pela decisão política que tive de tomar. Fui um dos fundadores do MDB, eu tinha 15 anos de idade, com 16 anos estava filiado ao MDB Jovem de Goiânia. Fui o 13º filiado do PMDB da Capital, em 1979, tive minha filiação abonada pelo ex-vereador e ex-prefeito de Goiânia Daniel Antônio. Estava no momento de oposição naquela época contra o regime militar para eleições diretas, pela democratização do Brasil e como estudante combatia o governo de Ary Valadão no Estado de Goiás, como estudante do Colégio Lyceu de Goiânia, era líder do movimento estudantil e minha história foi toda construída na oposição, na luta. Não sou político filho de coronel político, não sou político do qual meu pai foi governador, minha carreira veio do povo, da vontade popular, das ruas e desejo do povo.
- Apoio a Caiado
Vi o pai dele [Daniel Vilela], o ex-governador Maguito Vilela, dizendo pela imprensa que ele estaria trabalhando e tinha que conversar a união entre o PSDB e o MDB. Foi justamente por isso que abandonamos a pré-candidatura de Daniel Vilela. Fui obrigado, depois de 35 anos, deixar o MDB para combater esta união, a imprensa toda divulgou a fala do pai. Isso nos deixou muito tristes, porque no fundo, a gente sabia que Maguito estava trabalhando para ter a unidade MDB e PSDB e com isso ele prestou um desserviço à candidatura de Daniel Vilela, no meu ponto de vista. O pai concede entrevista dizendo que tem que ter unidade e o filho dá outra entrevista dizendo que não tem que ter unidade, então a população e o eleitor do MDB em quem vai acreditar, no pai ou no filho? Isso foi muito ruim para o Daniel. Agora, a pré-candidatura de Ronaldo Caiado toda a população de Goiás sabe que é de oposição.
Tínhamosumcompromissoacertado com Maguito Vilela e Iris Rezende de ter um candidato único da oposição, jamais dividir a oposição. Fizemos diversas reuniões com líderes do MDB–Adib Elias, José Nelto, Maguito Vilela, Iris Rezende–e o nosso compromisso era que aquela coalizão de 2014, da qual Iris Rezende Machado perdeu o governo, mas o senador Ronaldo Caiado ganhou para o Senado da República. O compromisso foi feito e quem estivesse melhor nas pesquisas e aglutinasse mais seria o candidato da oposição, se nenhum aglutinasse, se afastaria o nome de Daniel Vilela e de Ronaldo Caiado e Maguito Vilela seria o candidato. Se não fosse o nome de Maguito seria do prefeito Adib Elias, do deputado José Nelto ou outro nome, o importante para nós era ter uma candidatura da oposição que representasse o povo goiano contra as altas taxas de impostos no Estado de Goiás, que tem o verdadeiro terrorismo fiscal. Portanto, resolvemos–esse grupo político -, tentamos o acordo e hora nenhuma Daniel Vilela quis reunir com a oposição. Diante desse fato tivemos que tomar uma posição política e tomamos essa posição, apoiando a pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado.
Nosso compromisso é de que Ronaldo Caiado eleito governo do Estado de Goiás, por uma coalizão, governar para os pobres, para o social. O social que defendemos, primeiro, é a vida, que é a saúde, cuidar do povo. Ele é um médico, tem as mãos limpas, queremos em Goiás uma Revolução Francesa, de mudar esse Estado que vive hoje de compadres, ricos e poderosos. Dentro de seis meses temos de cortar todos os privilégios do Legislativo, dos tribunais, Executivo e esse dinheiro ser usado para a saúde pública.
- Expulsão dos prefeitos
Isso é conversa para boi dormir, não tem nenhuma legitimidade. Qualquer filiado de qualquer partido político, até a convenção partidária, pode discordar da candidatura, pode lançar outro nome. Não há nenhuma infidelidade, o que há é um desespero total, porque são nomes fortíssimos dentro do PMDB, respeitados e referências em suas administrações, hoje, em Goiás: Adib Elias, Ernesto Roller, Renato de Castro, Paulo do Vale e Fausto Mariano.
- Aliança MDB e DEM
Pela minha experiência política, aliança com o DEM dificilmente irá acontecer, até porque Maguito Vilela tem, hoje, uma queda muito grande para ficar ao lado de Marconi Perillo e vai para o Palácio [das Esmeraldas] articular e, inclusive, chegou a ligar para um ex-deputado amigo meu, José Essado–que deixou o MDB recentemente–e disse que se Daniel fosse para o segundo turno, ele teria o apoio de Marconi Perillo. Me pergunto, como pode a base do MDB, 20 anos na oposição, sendo massacrada por Marconi Perillo–porque quem o Marconi não compra, ele massacra usando o dinheiro público -, como poderemos estar juntos no interior? A divisão é total no interior, ou se é governo ou oposição. Portanto, hoje, se Zé Eliton for para os segundo turno–se tiver segundo turno -, Daniel Vilela e Maguito estarão no palanque de José Eliton. Quanto a Iris Rezende Machado e Dona Iris, posso afirmar, eles estarão com o senador Ronaldo Caiado, até pela posição política.
- Divisão interna MDB
Os grandes partidos estão desmanchando e o MDB não é diferente. Renan Calheiros brigando com a quadrilha do Temer, aqui em Goiás também o partido está dividido. Acredito que haverá uma nova, a partir das eleições, teremos que ter uma nova reforma política no Brasil. Primeiro, ninguém convive em uma democracia com 40 partidos, cada partido quer um pedaço do Estado, um pedaço do município. É preciso termos partidos orgânicos e que possam defender a sociedade. Hoje, temos partidos para fazer negócios. Hoje, são pequenos partidos e grandes negócios, o cidadão usa o partido para negociata.
- Liderança Daniel Vilela
Ojovemdeputadofederalagecom ideias arcaicas, retrógradas. Qualquer político para ser chefe de uma nação tem que ser estadista, agora ele acha que o partido é dele. Passou a agir dentro do partido como um ditador. Há um ano ele não fazia reunião com o partido, todas as decisões de mudar comissão provisória ou discutir com o partido no interior, ele avocou para ele. Daniel acabou com o MDB no interior de Goiás, o partido estava em 246 municípios, hoje, se tem aproximadamente 40 diretórios. Ele reduziu o partido para ter o comando e ainda diz para um deputado que irá comandar o MDB com mãos de ferro. Que adianta ser presidente de um partido, sendo um general sem soldados? Hoje, o MDB é como se fosse o exército de Brancaleone, não tem essa força que tinha, por equívocos–não sei se deixou o poder subir a cabeça–ou se realmente esse é o pensamento dele. A campanha dele, lamentavelmente, passou a ser apenas do MDB e não conseguiu aliados. Daniel não tem nem chapa para deputado federal, o MDB– pela primeira vez na história e para minha tristeza–não vai eleger nenhum deputado federal e a bancada que elegeu seis deputados–uma aliança com o DEM -, podemos ficar com três deputados estaduais, pelo que estou vendo e sentido no interior do Estado e na Capital.
Depois de 35 anos no MDB, trabalhei muito para que o partido tivesse uma candidatura sólida no Estado de Goiás. Apoiamos, inicialmente, o nome de Daniel Vilela, e apostávamos na sua juventude. Mas ele acabou errando politicamente. Primeiro, no Congresso Nacional quando votou contra as 10 medidas da Lava Jato de combate à corrupção. Hoje, o maior vírus que tem no Brasil é a corrupção. Segundo, quando Daniel apresentou um projeto dando R$ 200 milhões de isenção para Oi, que é uma empresa de telefonia que cobra as tarifas mais caras de telefonia do Brasil e se isentar, isso me deixou revoltado e toda a população brasileira. Como pode um parlamentar apresentar um projeto danda isenção a uma empresa R$ 200 milhões? Em terceiro, quando Daniel Vilela tomou a posição de ficar ao lado do presidente Temer, que sabemos que hoje ele é um presidente que acabou com a CLT no Brasil e impôs um sacrifício muito grande à classe trabalhadora e está envolvido em corrupção. Então, eu não apoio nenhum candidato que toma a decisão de ficar ao lado de governos corruptos e impopulares. O Temer, por duas vezes, foi protegido pelo Congresso Nacional, causando um prejuízo enorme à democracia e à classe política. Por isso a minha insatisfação e minha luta.
- Articulação Maguito
Pelo que vi na imprensa–não sou eu que estou falando e nem quero comentar–foi um desastre quando Maguito admitiu aliança com o PSDB. O cidadão que é do MDB do interior, que é de oposição, vi uma revolta geral, recebi várias ligações por causa daquela fala dele. Ele prestou um desserviço, se Maguito queria ajudar o filho dele para o governo acabou prejudicando, porque virou fofoca no Estado inteiro. O MDB vai unir com PSDB, o partido tem candidato? É o que está na cabeça do povo e isso desgasta qualquer candidatura. E se não houver uma aliança, tanto política quanto com a sociedade, porque se tem que ter uma aliança com a sociedade civil organizada. O candidato para ser um chefe de Estado tem que conversar com a sociedade civil organizada e todo programa de governo não pode ser a vontade do governador, tem que reunir com o povo e tem que ser respeitado.
- Críticas a Marconi
É inadmissível, depois de 20 anos de governo Marconi Perillo, o legado que ele deixou soldado da polícia militar ganhando R$ 1,5 mil, deveríamos ter nas forças de segurança pública 20 mil policiais e, hoje, temos 9 mil policiais trabalhando. 140 cidades em Goiás que não tem delegado de polícia, 139 ou 136 cidades que não tem polícia militar, só aos finais de semana. Esse é o pior legado que deixou Marconi Perillo e Zé Eliton, o Eltim, a dupla que quebrou Goiás. Hoje, só perdemos em termos de rombo fiscal para Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. O Estado de Goiás está, literalmente, falido. Quando o PMDB deixou o governo para Marconi Perillo, a dívida de Goiás era R$ 5.345 bilhões, hoje a dívida é de R$ 22 bilhões. O Estado de Goiás está em uma situação que o próximo governador não terá dinheiro para pagar os servidores públicos. Realmente, estamos preocupados com a crise que vem pela frente quando esse governo de 20 anos deixar o poder e a oposição verdadeira comandada por Ronaldo Caiado, Adib Elias, Renato de Castro, Paulo do Vale, Fausto Mariano, José Nelto e Lívio Luciano, nós devolveremos o Estado de Goiás para o povo goiano. Em Goiás,
Pela minha experiência política, aliança com o DEM dificilmente irá acontecer, até porque Maguito Vilela tem, hoje, uma queda muito grande para ficar ao lado de Marconi Perillo”
Depois de 35 anos no MDB, trabalhei muito para que o partido tivesse uma candidatura sólida no Estado de Goiás”