Política

Daniel dificulta planos de Caiado

Redação DM

Publicado em 30 de janeiro de 2018 às 01:20 | Atualizado há 1 ano

A ala podre do PMDB quer chegar ao poder de qualquer jei­to. Não importa como, nem com quem, nem para quê? Derrotar Zé Eliton – eis o seu programa. Trair o PMDB, repudiar seu can­didato, colocar-se às ordens do, até dias atrás, arqui-inimigo Ro­naldo Caiado – eis a estratégia.

A propósito: o PMDB alterou sua razão social. Agora atende pela antigo nome, com a sigla MDB. Termos de nos acostu­mar a isso. Alguns, em tempos idos, chamavam o partido zom­beteiramente de “Modebra”.

Depois de deixar o leito de enfermo, Ronaldo Caiado pas­sou a uma agressiva política de unificação das “oposições” em torno de seu nome. O argumen­to é um só: como ele lidera pes­quisas de intenção de voto, teria adquirido o direito sagrado de ser o cabeça de chapa. Os prefei­tos modebras, esses quinta-co­luna do caiadismo, não apenas apoiam esta arrogante preten­são como a exigem aos berros.

Mesmo tendo cedido a dona Iris os colégios eleitorais de Apa­recida de Goiânia e Jataí, tradicio­nais redutos maguitistas, Daniel Viela não saciou a sede de san­gue das feras modebras. Eles que­rem mais. Eles querem simples­mente que Daniel desista de sua postulação e se jogue aos pés do dominador, ou seja, de Ronaldo Caiado. Atuando como tropa de ocupação do caiadismo em ter­ritório emedebista, os prefeitos modebras – salvo exceções pou­cas – ameaçam ir à convenção disputar contra a ala maguitista.

Não tendo uma proposta para a elaboração de um programa de união, para a formação de con­senso em torno de algumas me­didas de governo, a exigência de união com Caiado baseia-se ape­nas na presunção do senador de­mista de que será eleito. Assim, Daniel terá que ser trazido pelo beiço, como se diz no Nordeste.

É paradoxal. Querendo unir “as oposições”, Caiado as divi­de ainda mais. Por que ao exigir a rendição do grupo maguitista, o senador demista apenas apro­funda a rachadura que separa as duas correntes do MDB. A radi­calização e o açodamento com que vem conduzindo o proces­so fere os brios do maguitismo.

Antes de Caiado ter sofrido aquele acidente – em que ficou evidenciado ser ele mau cavalei­ro–, havia uma certa cordialidade nas tratativas em busca da unida­de. A ideia era cada partido opo­sicionista disputar com candida­tura própria e, lá frente, havendo segundo turno, todos se unirem em torno do que foi classificado.

Isso não serve a Caiado. Ele quer união já. E tem bons moti­vos eleitorais para isso. Um de­les é o espaço de TV. O tempo do MDB é considerável. Nesses tempos em que campanhas elei­torais são dirigidas por publicitá­rios, que exigem a maior quan­tidade de tempo possível para ser preenchido com seus truque vulgares de marketing, o espa­ço televisivo é de fundamental importância na estratégia dos candidatos. Sem o MDB, Caia­do não teria mais que dois minu­tos. Tempo suficiente para fazer uma boa campanha com con­teúdo político e ideológico con­sistente. Para campanha baseada em marquetagem, é quase nada.

Mas tem ainda uma outra e importante questão. Caiado pre­cisa de uma coligação partidária forte para eleger sua bancada, a bancada do DEM. Desde que as­sumiu a liderança do DEM em Goiás, Caiado desenvolve uma política deliberada de fortalecer cada vez mais o seu nome e de re­duzir seu partido a uma sigla elei­toralmente insignificante. O com­balido e desidratado DEM, em vias de extinção, corre sério risco de não fazer quociente eleitoral.

Para o MDB, a aliança com Caiado não chega a ser uma ne­cessidade estratégica. Só o fisio­logismo explícito dos prefeitos modebro-caiadistas a exigem. O MDB sobreviverá sem Caia­do. Mas o DEM de Caiado pode não sobrevier sem o MDB. Daí Caiado exigir o engate imediato.

Para o maguitismo, esta alian­ça com Caiado é constrangedo­ra. Em nível municipal, maguji­tistas e petistas sempre andaram juntos. Maguito Vilela sempre alimentou a esperança de fazer uma aliança em Goiás em torno de Daniel. Até porque, desenga­tando o maguitismo do trem de Michel Temer – apesar das man­cadas de Daniel no plano fede­ral -, eles poderiam tirar provei­to da opinião pró-Lula.

O caiadismo está engatado a Bolsonaro. De um modo ou de outro, quem vota em Caia­do vota em Bolsonaro. Contudo, segundo pesquisas, Lula, que nunca venceu em Goiás, está muito à frente de Bolsonaro. Em termos estratégicos, uma alian­ça com o PT cairia bem ao MDB goiano, mesmo porque o MDB não terá candidato oficial à pre­sidência da República.

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