Política

“É impossível uma aliança com o PSDB em Goiás”

Redação DM

Publicado em 9 de maio de 2018 às 03:32 | Atualizado há 8 anos

O deputado federal Daniel Vilela descartou a hipótese de uma aliança entre o seu partido, o MDB, e o PSDB do gover­nador José Eliton e do ex-governa­dor Marconi Perillo nestas eleições em Goiás. Ele ressalta que o MDB está há 20 anos na oposição e tem um projeto que é completamente antagônico aquilo que é feito atual­mente pela aliança governista. “Está na hora da política ser renovada em Goiás. Nós não estaremos juntos em hipótese alguma. Se amanhã vir uma decisão da grande maioria do MDB de se aliar ao PSDB, eu deixo até a política, eu nem me candidato, porque não vou ser incoerente com aquilo que venho pregando há mui­to tempo”, garante. Daniel foi sabati­nado pelos jornalistas Vassil Olivei­ra, Cileide Alves e Rubens Salomão na manhã de ontem na Rádio Sa­gres AM. Afiado, Daniel Vilela não poupou nem seu principal adver­sário, o senador Ronaldo Caiado (DEM). O emedebista diz que Caia­do participou nos últimos 30 anos das benesses do poder no Estado e não trouxe nada novo para os goia­nos. Afirma ainda que assim como o governador José Eliton, Caiado faz leilão de cargos antes das eleições para garantir apoio de partidos na­nicos à sua candidatura. “. Eu não vou partir para este balcão de ne­gócios que os outros dois pré-can­didatos partiram, e querem apenas ter números de partidos que não têm relevância, que não têm tem­po de televisão ou chapas de pes­soas qualificadas para representar os goianos. Este não é o meu ob­jetivo e nem o meu interesse. Sou muito claro com as alianças que es­tou buscando, sou muito claro em relação a isto. Os grandes partidos que têm relevância não se defini­ram, vão decidir isto ás vésperas das convenções”. atira. Daniel alega que mantém esperanças de uma alian­ça do MDB com o PP, o PSD e até com o PDT. Afirma que tem con­versado bastante com o ministro Alexandre Baldy e os deputados do PP, e também com o ex-deputado Vilmar Rocha e a deputada Flávia Morais na construção de uma cha­pa que garanta a eleição do maior número de deputados federais e estaduais. Confira abaixo os prin­cipais pontos da entrevista:

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

 

Em que estágio está a conversação entre o MDB e o PP? Havia a idéia de que Vanderlan fosse ao encontro, ele não foi, mas indica que a conversa na prefeitura teria este enfoque político. Qual é a sua expectativa com o PP?

Daniel Vilela– Eutenhoconversa­do quase diariamente com o minis­troAlexandre Baldy, tenhoconversa­do constantemente com o ex-prefeito Vanderlan Cardoso, com os deputa­dos federais Heuler, Balestra,Sandes no sentido de buscar uma aliança partidária nestas eleições. Isto não escondo de ninguém. É de conheci­mento público. É uma aliança legí­tima, republicada com o objetivo de apresentar para Goiás um projeto novo a partir do ano que vem. O mi­nistro Baldy tem algumas deman­das da prefeitura de Goiânia que ele tem sido muito solícito, a principal delas, foi resolvida que é a retoma­da da obra do BRT, fruto do empe­nho do ministro. E estivemos ontem para buscar uma alternativa para conclusão da Avenida Leste-Oeste. O ex-prefeito Vanderlan se filiou ao PP e está participando ativamente das conversas eleitorais de seu par­tido. Ontem, tanto eu, quanto o mi­nistroBaldyoconvidamosparapar­ticipar (da reunião com o prefeito Iris), ele foi candidato a prefeito de Goiânia e ele entendeu que era im­portante a presença dele ao lado do ministro, mas infelizmente, por um choque de agendas, acabou se atra­sando e não pode participar. Mas afirmou para mim,e o próprio pre­feito que muito em breve tem inte­resse de ir lá, fazer uma visita, apa­rar as arestas políticas e se somar no sentido de colaborar com a admi­nistração de Goiânia e com o pre­feito Iris Rezende. Conjuntamente, temos discutido a possibilidade des­ta aliança, o Vanderlan é um gran­de quadro, é uma figura que já dis­putou duas eleições de governador, e de alguma forma foi bem sucedi­do, com votações expressivas, dis­putou o segundo turno da eleição para prefeito de Goiânia, e nós te­mos interesse nesta aliança.

Nos últimos dias houveram questionamentos sobre a sua candidatura, a partir das declarações do seu pai, o ex-prefeito Maguito Vilela, sobre uma possível sinalização a uma aliança com o PSDB. Este assunto rendeu bastante, e o que isto tem de realidade? Foi uma declaração mal interpretada de Maguito?

Daniel Vilela– Minha opinião é de que foi mal interpretada inten­cionalmente, por alguns que têm interesse em fomentar este tipo de discussão, entre os quais, obviamen­te, o grupo ligado ao pré-candidato Ronaldo Caiado e o governo gos­ta, de alguma forma, de promo­ver a cisão dos partidos e entre os líderes da oposição no Estado. Na minha opinião o ex-governador Maguito foi muito claro, ao dizer que todos os políticos e todos par­tidos devem dialogar, deixando de lado questões pessoais e partidá­rias, pensando no Estado. Eu não vi nenhuma declaração enfática de que gostaria, buscaria ou esta­ria construindo uma aliança com o PSDB. Eu já fui muito claro em todas as oportunidades dizendo que é impossível esta aliança. O nosso projeto é antagônico a este governo que aí está, um governo atrasado, distante da população, que está há 20 anos aí, e ontem o atual governador fez um balan­ço de trinta dias e comemorou que depois de quatro anos conseguiu uma cirurgia de hérnia abdominal para uma senhora. Quem era go­vernador nestes quatro anos? Era o padrinho político dele, o gover­nador Marconi. Ou ele também já está criticando o ex-governador Marconi o padrinho político dele? Ou ele não vai assumir como vi­ce-governador, como alguem que estava à frente de missões impor­tantes no governo, não fazia parte destes quatro anos? Então chega a ser ridículo, o sujeito comemo­rar, depois de quatro anos con­seguir liberar uma cirurgia para uma pessoa. Então é um gover­no totalmente arcaico, que se per­deu, que estabeleceu um governo de feudos, que confundem o Esta­do com uma propriedade parti­cular. O governo que no primeiro ato, o governador que toma pos­se faz um discurso de que é a mu­dança, primeiramente reconhe­cendo a necessidade de mudança. ER o segundo ato dele é nomear o cunhado do ex-governador para um cargo vitalício no tribunal de contas. Está na hora da política ser renovada em Goiás. Nós não estaremos juntos em hipótese al­guma. Se amanhã vir uma decisão da grande maioria do MDB de se aliar ao PSDB, eu deixo até a polí­tica, eu nem me candidato, porque não vou ser incoerente com aqui­lo que venho pregando há muito tempo. É lógico que , neste momen­to pré-eleitoral, pré-convencional, falta um pouco de assunto. Estas articulações que estão ocorrendo acontecem de forma silenciosa…

É que fica tudo aberto e todo mundo conversando com todo mundo e dá para imaginar…

DanielVilela– Mas aqui não tem conversa. Não há conversa entre MDB e PSDB.

Há uma expectativa em relação à chapa de deputados federais do MDB. Alguns partidos aguardam para ver quais os candidatos estão com você, quais nomes o MDB tem:

Daniel Vilela– Nós temos uma chapa que é muito melhor do que aqueles que saíram e criticam a chapa do MDB. Nós temos dona Iris como candidata à deputada federal, temos o ex-prefeito de Ja­taí Humberto Machado temos o Xequim, um ex-excutivo da Per­digão, ex-secretário de Agricul­tura que se filiou ao MDB e é um quadro extremamente qualifica­do, que hoje é secretário executivo da Adial. Temos três bons candida­tos a deputado federal no Entorno de Brasília, como o Dr. Lucas, que é médico em Águas Lindas, o Ber­nardo Sayão Neto, que até pouco tempo era superintendente do Mi­nistério da Agricultura na região do Entorno, um outro médico, Dr. Vilmar Júnior, que é mais ligado a região de Padre Bernardo. Nós te­mos a candidatura que estamos construindo na cidade de Itum­biara, que será uma candidatu­ra relevante, e outras que estamos construíndo aí, como a candida­tura da deptuada Vanuza Vala­dares na região de Porangatu. Os partidos que a gente tem conversa­do também com o PP e o PSD, que tem candidatos a deputado fede­ral, e precisam de uma chapa que lhes garanta a eleição, pois é ruim o sujeito tem voto e não tem o coe­ficiente para se eleger. Então temos construído isto e temos sido bem su­cedidos. Todos os partidos têm tido dificuldades, porque é um núme­ro muito pequeno de pessoas que querem se candidatar a deputado federal, a grande maioria quer se candidatar a deputado estadual.

Na esteira dos debates desta semana, chamou a atenção a necessidade de discussão dos planos de governo. O que existe de construção de plano de governo pelo MDB?

Daniel Vilela– Já temos grupos trabalhando.

O sr. disse que abandonaria a política se houver uma aliança entre PSDB e MDB,mas o sr. viu nesta semana os maiores líderes do partido, como o seu pai, e o prefeito Iris, dando sinais de que isto ocorroria. Estas declarações não estão esvaziando a sua candidatura? Eles não tiram espaço, uma vez que são as maiores lideranças, não é qualquer pessoa que está dizendo.

Daniel Vilela–Como já disse em relaçaõ ao ex-governador Maguito, eu acho que ele foi muito claro no sentido de dialogar. Eu sou a favor de dialogar, isto é natural, a civili­dade e a boa educação nos impõe isto. É preciso reconhecer a necessi­dade de mudança em Goiás, de re­novação de um grupo que está há 20 anos prometendo muito e entre­gando pouco. Este é o pensamen­to nosso em relação a esta questão política. O prefeito Iris deu uma declaração que da mesma forma foi um pouco distorcida, ele disse que se houver uma comoção por uma aliança, eu não sou empeci­lho. Agora, a comoção é o inverso, é para tirar este grupo daí, então não há possibilidade de aliança, e não há comoção social (no sen­tido da aliança), como disse o pre­feito Iris. Eu não vejo nada con­flitante nestas declarações. Pelo contrário converso diariamente com o prefeito Iris e ele reconhece a necessidade de mudar este gru­po político, de renovar, colocar no­vas ideias e dar oportunidade a tantos talentos entre os servidores que estão aí, mas que são chefia­dos por políticos ou pessoas que não tem a expertise e nem o kno­w-how. É um governo onde a com­petência e o mérito não têm valor, o que tem valor é aliança politica, é se o partido vai ser aliado na épo­ca da política. O governador José Eliton anuncia em cima de palan­que de partido a nomeação de se­cretário de Estado, daquele parti­do que acaba de anunciar apoio a ele. Olha a confusão entre o pú­blico e o privado pelo atual gover­nador. Eu vejo com muita clareza esta necessidade. Acho que odiá­logo, a boa educação, a convi­vência–até porque nos encon­tramos constantemente em eventos, é indispensával –, agora aliança política é impossível. EoMDB não aceita isto. A grande maioria do partido não aceita em hipó­tese alguma alian­ça com o PSDB.

Por que?

Daniel Vilela– Porque nós so­mos oposição. Porque nós estamos há 20 anos na oposição, Nós nun­ca estivemos de lá. Nunca compac­tuamos do lado de lá.

A sensação que a gente têm que está cobrindo os fatos politicos é que a sua candidatura deu uma murchada neste momento de definição de aliados, de novos filiados e de agregar partidos. Neste momento você não sente que a sua candidatura está mais esvaziada em relação às candidaturas de José Eliton e de Ronaldo Caiado, que têm muito mais apoiadores, mais partidos?

Daniel Vilela– Eu não me preo­cupo com isto. O meu projeto não é um projeto de buscar aliados a qualquer custo e a qualquer pre­ço. Eu não vou fazer o que alguns já estão fazendod, que é lotear o go­verno a qualquer preço, com pes­soas que não tem a mínima con­dição nem moral, nem técnica de ocupar cargos no nosso Estado. Eu não vou partir para este balcão de negocios que os outros dois pré-can­didatos partiram, e querem apenas ter números de partidos que não têm relevância, que não têm tem­po de televisão ou chapas de pes­soas qualificadas para representar os goianos. Este não é o meu objeti­vo e nem o meu interesse. Sou mui­to claro com as alianças que estou buscando, sou muito claro em re­lação a isto. Os grandes partidos que têm relevância não se defini­ram, vão decidir isto ás vésperas das convenções. Este é um momento de muita fofoca política, em que se cria muita discussão que não tem relevância do ponto de vista elei­toral, pois 90% da população está lutando para sobreviver, para pa­gar as suas contas, não está esco­lhendo, não sabe ainda quem são os candidatos, inclusive o índice de conhecimento nosso é um dos menores entre os três candidatos. Não tenho nenhuma dificul­dade nisto, sei que já tenho alguma experiência polí­tica para reconhecer isto, e o momento decisivo é o das convenções, ai sim você acaba indo para as eleições com uma con­dição maior de com­petitividade ou não.

 



 

O nosso projeto é antagônico a este governo que aí está, um governo atrasado, distante da população, que está há 20 anos aí, e ontem o atual governador fez um balanço de trinta dias e comemorou que depois de quatro anos conseguiu uma cirurgia de hérnia abdominal para uma senhora”

 

O meu projeto não é um projeto de buscar aliados a qualquer custo e a qualquer preço. Eu não vou fazer o que alguns já estão fazendo, que é lotear o governo a qualquer preço, com pessoas que não têm a mínima condição nem moral, nem técnica de ocupar cargos no nosso Estado”

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