Em telefonema, Lula e Trump discutem sobre tarifas e combate ao crime organizado
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 15:47 | Atualizado há 8 meses
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Malásia. | Foto: Ricardo Stuckert / PR/26/10/2025.
Nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve uma conversa por telefone com Donald Trump. Conforme informou o Planalto, o diálogo durou cerca de 40 minutos e teve como foco temas comerciais e de segurança. Lula pediu a retirada de tarifas que ainda incidem sobre produtos brasileiros e reconheceu como positiva a recente suspensão do adicional de 40% aplicado a itens como carne, café e frutas. O presidente reforçou o interesse brasileiro em ampliar acordos econômicos com os Estados Unidos.
Segundo o governo, Lula destacou que, apesar do avanço obtido com a redução de parte das taxações, ainda existem barreiras comerciais que precisam ser reavaliadas. Ele teria defendido que as negociações ocorram com rapidez, enquanto o presidente dos EUA, de acordo com o Planalto, mostrou disposição para continuar as tratativas.
A pauta de segurança pública também entrou na discussão. Lula mencionou operações federais que buscam desarticular financeiramente facções criminosas e alertou sobre grupos que atuam fora do país. Trump, por sua vez, teria oferecido cooperação dos EUA em ações conjuntas. Os dois líderes indicaram que pretendem manter novos contatos.
O tema ganha relevância em um momento em que os Estados Unidos intensificam ações militares no Caribe, oficialmente voltadas ao combate ao tráfico internacional. Os movimentos são vistos pela Venezuela como pressão sobre o governo de Nicolás Maduro. A imprensa internacional, como o New York Times, aponta que navios e aeronaves norte-americanas circulam por áreas pouco associadas às principais rotas de drogas.
No Brasil, o debate sobre segurança ganhou novo peso após a operação no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes e ampliou tensões entre o governador Cláudio Castro (PL) e o governo federal. Em resposta, o Planalto acelerou projetos no Congresso, como a PEC da Segurança Pública, que estabelece diretrizes nacionais para os estados, e o chamado PL Antifacção, ainda alvo de embates entre aliados do governo e a oposição.
A movimentação política ocorre em meio a alertas recentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em relatório divulgado nesta semana, o orgão apontou que a influência de organizações criminosas e possíveis interferências externas representam riscos ao processo eleitoral de 2026, elevando a preocupação institucional sobre o cenário de segurança nacional.