“Governo é formado por feudos”, afirma Daniel Vilela
Redação DM
Publicado em 10 de maio de 2018 às 02:15 | Atualizado há 8 anos
O deputado federal Daniel Vilela, presidente do MDB e pré-candidato ao governo de Goiás, não poupou ontem, em entrevista à imprensa, o atual governador, José Eliton (PSDB), de duras críticas quanto à condução estratégica da gestão. Vilela classificou a gestão como “cansada e distante da população” e disse que o governo é formado por feudos. Ele destacou o que considera “equívocos graves” tomados por Eliton, que tomou posse há um mês. “O atual governador fez esta semana um balanço de 30 dias de gestão no qual comemorou ter conseguido uma cirurgia de hérnia a uma senhora que estava há quatro anos esperando. Quem era o governador nestes anos? Era o padrinho político dele. Ou agora ele não vai assumir que, como vice-governador e secretário em pastas importantes, também fazia parte da gestão?”, questionou o emedebista. “Chega a ser ridículo esse posicionamento”, concluiu.
Daniel Vilela lembrou também a contradição da fala de Eliton no discurso de posse, no qual afirmou ser a mudança política em Goiás. “O próprio José Eliton reconhece que a vontade dos goianos é por mudança. E ele se diz a mudança, mas o primeiro ato como governador foi nomear o cunhado do ex-governador Marconi para um cargo vitalício no Tribunal de Contas dos Municípios. Isto mostra que é uma política que está na hora de ser renovada”, aposta o pré-candidato.
Ainda no debate sobre a Saúde, Daniel Vilela também comentou acerca da decisão do governo de Goiás em assumir o controle da regulação das unidades de Saúde em Goiânia.“É um grande e quívoco, pois está tirando recursos de uma outra área da saúde estadual para destinar à regulação. Falam em um gasto de R$ 84 milhões que poderia ser utilizado para outros investimentos na Saúde”, opinou. Vilela afirmou não conseguir compreender qual a razão para esta decisão.
Em seguida, o deputado federal disparou contra uma das principais características do governo Marconi Perillo e, agora, de José Eliton: a destinação da gestão de diversas áreas de atendimento à população para Organizações Sociais. “A decisão (de assumir a regulação) deve ser para constituir mais uma Organização Social para atender a algum amigo, algum compadre deste governo”, sugeriu. “Este é um governo feito de feudos”, arrematou, lembrando que algumas dessas OSs foram criadas da noite para o dia e assumiram importantes hospitais do Estado sem ter a expertise necessária.
Vilela minimizou a importância de se saber de quem é a regulação na Saúde. “O que a população quer é o atendimento, ninguém quer saber de quem é a regulação. O cidadão queragendaroseuatendimentopelo celular, por exemplo, que é uma das nossas propostas: ter um banco de dados com o prontuário digital, com a possibilidade de agendar consultas e de checar quantas vagas estão disponíveis e em quais unidades. Assim parte da regulação será feita pelo próprio cidadão. Com a tecnologia, não precisa gastar R$ 84 milhões”, sugeriu.
REUNIÃO
Com grande articulação em Brasília, onde preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, Daniel Vilela também analisou o saldo da reunião ocorrida na última segunda-feira,na Prefeitura de Goiânia. Na oportunidade, Daniel Vilela foi recebido pelo prefeito Iris Rezende e, acompanhado do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, discutiram uma forma de conseguir recursos para as obras de prolongamento da Avenida Leste-Oeste.
Vilela justificou a presença do ministro das Cidades como uma alternativa para garantir investimentos que destravem a obra, que teve promessas de receber recursos estaduais que nunca chegaram. “O governador ainda não cumpriu sua promessa feita em palanque diversas vezes de assinar o contrato de convênio com a Prefeitura de Goiânia. Então, aproveitando a boa gestão e a boa vontade do ministro Alexandre Baldy no Ministério das Cidades, o prefeito Iris Rezende está buscando outra alternativa para concluir esta importante obra de mobilidade”, explicou.