Governo Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa família Bolsonaro de buscar interferência externa
Léo Carvalho
Publicado em 29 de maio de 2026 às 14:23 | Atualizado há 2 meses
Governo Lula reage à decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas | Foto: Sérgio Lima/Poder360
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou considerar “deplorável” a atuação da família Bolsonaro em articulações junto ao governo americano sobre temas ligados à segurança pública brasileira.
Segundo o comunicado, a segurança da população brasileira “é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”. O texto também faz referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente nos Estados Unidos em encontros com o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o governo federal.
A decisão americana foi anunciada na quinta-feira (28) e ocorreu após a visita do parlamentar brasileiro a integrantes do governo Trump. Em entrevista concedida na quarta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que Marco Rubio demonstrou apoio à classificação das facções brasileiras como grupos terroristas. Após o anúncio oficial, o senador comemorou a medida nas redes sociais e classificou a decisão como um “grande dia”.
Na nota divulgada pelo Planalto, o governo brasileiro argumenta que medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos podem prejudicar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”, diz outro trecho do comunicado.
O governo também reforçou o discurso de defesa da soberania nacional, afirmando que cabe exclusivamente ao Brasil definir como organizações criminosas serão classificadas e combatidas no país. “O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, destacou a nota.
Ainda segundo o Planalto, o país mantém combate permanente contra facções criminosas e milícias. “Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, informou o governo.
A manifestação oficial foi divulgada após reunião realizada no Palácio do Planalto com representantes da Casa Civil, Secretaria de Comunicação Social, Ministério da Fazenda, Advocacia-Geral da União, Ministério da Justiça e Ministério da Indústria e Comércio. O presidente Lula não participou do encontro porque cumpria agenda oficial em Sergipe.
Nos últimos meses, o governo Trump intensificou operações e revisões sobre o conceito de narcoterrorismo, principalmente na América Latina. Pelas redes sociais, Marco Rubio afirmou que PCC e CV “são as organizações criminosas mais perigosas do Brasil” e que o alcance dos grupos se estende por toda a região e também aos Estados Unidos.
“A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas”, declarou Rubio. (Mariana Brasil/Folhapress)