“Iris e Maguito têm o dever de unir a oposição”
Redação DM
Publicado em 13 de janeiro de 2018 às 00:37 | Atualizado há 8 anos
Líder do MDB na Assembleia Legislativa, o deputado estadual José Nelto visitou ontem a redação do DM. No seu estilo direto e incisivo, o deputado fez um apelo para que o prefeito Iris Rezende e o ex-prefeito Maguito Vilela trabalhem pela união da oposição. Nelto diz que MDB e DEM não podem marchar separados nas próximas eleições. Ele salienta que a aliança entre os dois partidos, que foi feita em 2014, deve se repetir em 2018.
Enfático, José Nelto diz que o MDB não pode marchar para a sexta derrota seguida para o governo e que a sociedade quer a união da oposição porque, na sua opinião, esgotou-se o ciclo de poder que iniciou-se em Goiás a partir de 1998. Polêmico, o emedebista diz que a base aliada implodiu a partir das declarações do ex-deputado federal Vilmar Rocha. Seu entendimento é de que a oposição deve aproveitar este momento de fragilização da aliança governista para vencer as eleições.
Pragmático, José Nelto observa que nem governo nem oposição têm chapas completas. “Nem o MDB nem o DEM têm nomes para vice-governador, senadores e deputados”, aponta, ressaltando que isso coloca na pauta a necessidade de marchar juntos para construir uma chapa competitiva.
CHAPA COMPLETA
José Nelto não acredita que em 2018 o MDB irá repetir a divisão ocorrida em 2010 e 2014. Ele defende que a oposição apresente a chapa completa de governador, vice e senadores no dia 31 de março. Confira abaixo a íntegra da entrevista:
A ENTREVISTA
Diário da Manhã (P) – Qual a avaliação da reunião da bancada do MDB com o senador Ronaldo Caiado (DEM)?
José Nelto – O presidente do meu partido, Daniel Vilela, marcou um jantar na casa dele com a bancada do MDB e nós comparecemos. O senador Ronaldo Caiado, depois de um acidente, onde esteve hospitalizado, marcou uma reunião com vários setores do MDB: deputados, prefeitos e lideranças e nós tivemos na casa dele um jantar de um aliado nosso. Caiado não é adversário, é aliado do MDB.
Houve uma aliança em 2014 e ela não foi desfeita. Temos que fortalecer esta aliança ainda mais, porque estamos há 20 anos fora do poder, porque sempre jogamos com a divisão e com a diminuição.
A sociedade mostrou que quer outro projeto para Goiás. A prova disto é que o próprio Vilmar Rocha implodiu a base governista quando disse que tinha que buscar um candidato fora do governo. Vilmar não acredita na candidatura de José Eliton, que pode renunciar a qualquer momento a esta candidatura, porque é o lanterna na pesquisa.
O que se diz nas ruas é que Marconi lançou o programa Goiás na frente e o José Eliton atrás. Esta é a realidade. Torraram o dinheiro da Celg e ele não cresce nas pesquisas.
P – Por que o sr. acredita que a base governista acabou?
José Nelto – Porque, como disse, Vilmar Rocha implodiu esta base do governo com aquela declaração. Vilmar está há 20 anos no governo, quando ele fez aquela declaração ele despertou a sociedade e a classe política. Não há mais confiança. Hoje quem está no governo e diz apoiar a candidatura de José Eliton só se manifesta assim por cargos e poder. Estão lá para usufruir dos cargos e do dinheiro do governo, para cuidarem de suas próprias reeleições.
P – É uma base pragmática?
José Nelto – Eu diria que a base está fisiológica. Esta base governista é a mesma que já apoiou Lula, Dilma e está apoiando Temer. É a mesma base. Ela é governo. Muda governo, ela se mantém coerente: é sempre governo.
P – Hoje nenhum partido, seja o MDB, o DEM ou os partidos do governo, tem chapa completa para as disputas do governo, Senado e deputados. Do ponto de vista da oposição, qual a chapa ideal para vencer?
José Nelto – Eu não posso falar qual é a chapa ideal. Só posso dizer que a oposição de 2014 [MDB e DEM], temos a obrigação de nos mantermos aliados. É hora de chamar todos os partidários do MDB, toda a oposição e quem quer a alternância de poder para um projeto de mudança em Goiás. A sociedade não aceita a alternância de poder com o dedo do governador Marconi Perillo. E acho que com a derrota de José Eliton, a tendência é que Marconi seja derrotado para o Senado, se não refluir e for candidato a deputado federal.
P – Em Brasilia há ainda a aliança entre MDB e PSDB apoiando o governo Temer (MDB-SP). Em Goiás esta aliança também não pode se repetir?
José Nelto – Esta é uma chapa que já nasce derrotada. Quem embarcar nesta chapa já comprou a passagem para derrota. É uma viagem de ida para o matadouro. A sociedade não admite, pois PSDB e MDB em Goiás são como água e óleo. Não há mistura. Não tem como misturar. Hoje, quem aguentou 20 anos, não quer esta aliança. As pesquisas indicam isto, pois Marconi tem 13% para o Senado. O governo está mal avaliado. A sociedade não suporta mais o que está aí nas propagandas, mas não tem segurança pública, não tem saúde, a educação caindo aos pedaços. E no momento mais crucial, nesta crise do sistema penitenciário, o governador não estava em Goiás. Isto é muito grave, no momento em que o Estado estava pegando fogo o governador não estava, como um general que abandona o campo de batalha.
P – O MDB tem uma história de disputas internas, como em 2010 com Henrique Meirelles e Iris Rezende, e em 2014 entre Júnior Friboi e Iris. Em 2018 o partido vai rachar de novo?
José Nelto – Eu acho que não. Eu quero agora, neste momento, com muito respeito, chamar à responsabilidade dois líderes do MDB: o prefeito Iris Rezende Machado e o ex-governador Maguito Vilela. Eles tem a responsabilidade de unificar o MDB e a oposição em Goiás. A sociedade não perdoa a divisão do MDB e nem duas candidaturas pela oposição. Aí é fazer o jogo do Palácio das Esmeraldas. Eu tenho hoje pesquisa interna do MDB que mostra que 99% do partido quer uma candidatura única, e nós temos hoje dois bons candidatos, o presidente do MDB, deputado Daniel Vilela e o senador Ronaldo Caiado. São dois nomes respeitados, e nós não podemos fazer o jogo que quer o Marconi Perillo que é de dividir a oposição. Isto é inaceitável, porque o governo está caindo os pedaços.
P – Esta decisão sai antes das convenções?
José Nelto – Não vamos deixar nada para as convenções. Os diretórios do MDB querem isto decido. Qual é a chapa de deputado federal que tem o MDB? Somente eu e Dona Iris. Quem é o candidato a senador do MDB. Quem é o candidato a vice-governador? E vale também para o senador Ronaldo Caiado: qual é o vice dele, qual é a chapa de deputados e de senadores dele? Nós temos tudo para fazer uma forte aliança e ganhar as eleições no primeiro turno e dar uma surra histórica no governo jamais vista em Goiás. É este o sentimento da população, que quer um governo de transparência total, com o fim da corrupção, do populismo, da ostentação. O povo quer solução. É o momento de apresentar uma proposta real, verdadeira.
P – Qual é o dia D para o MDB?
José Nelto – Março é o mês D. Até o dia 30 de março a oposição tem que estar com o candidato a governador, o vice, os candidatos ao Senado.
P – Como é que se faz este pacto, porque o MDB nunca abriu mão de candidatura própria, e o candidato do MDB é também o presidente do partido, e por isto tem ascendência sobre a base. Não é contraditório pensar num candidato fora do MDB?
José Nelto – Isto se resolve com muito diálogo, com muita responsabilidade. O que adianta ser o dono do time, da bola, das redes, ter os jogadores, mas na hora de jogar eu perco todos os jogadores e fico só com a bola? Tem jogo? Tem partida? A candidatura ao Executivo é construída, e não pode ser do dia para noite não. A candidatura da oposição está sendo construída há três anos.
P – Levando em conta o que diz, o MDB deve apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado?
José Nelto – Não estou dizendo isto hoje aqui. Quero deixar isto bem claro. Eu estou chamando a oposição à responsabilidade. Estou convidando, humildemente, Iris Rezende Machado e Maguito Vilela a pensarem nos companheiros do interior, que estão há 20 anos apanhando do Marconi, sendo pisoteados. Queremos a sexta derrota? Aí é muita prepotência, muita arrogância. É o momento de repensar. O MDB hoje só tem o osso, porque a gordura e a carne não há mais. O que está em jogo é o Estado de Goiás.
Eu diria que a base está fisiológica. Esta base governista é a mesma que já apoiou Lula, Dilma e está apoiando Temer. É a mesma base. Ela é governo”
Não podemos fazer o jogo que quer o Marconi Perillo que é o de dividir a oposição. Isto é inaceitável, porque o governo está caindo aos pedaços”
Convido, humildemente, Iris Rezende Machado e Maguito Vilela a pensarem nos companheiros do interior, que estão há 20 anos apanhando, sendo pisoteados. Queremos a sexta derrota?”
José Nelto, líder do MDB na Assembleia
É hora de chamar todos os partidários do MDB, toda a oposição e quem quer a alternância de poder para um projeto de mudança em Goiás”