Lula eleva tom contra Tarcísio e impulsiona Haddad ao governo paulista
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 19 de março de 2026 às 16:45 | Atualizado há 4 meses
Presidente participa de agendas em São Paulo e sinaliza candidatura de Haddad ao governo estadual | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou críticas de prefeitos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta quinta-feira (19), mesmo dia em que deve anunciar oficialmente a escolha de Fernando Haddad como pré-candidato ao Governo de São Paulo.
Lula e Haddad participam, nesta quinta (19), de uma série de agendas em São Paulo que marcam a despedida do ministro da Fazenda e o início da campanha contra Tarcísio. O presidente também apresentou Dario Durigan como substituto de Haddad no governo federal.
“Pelo que estou sabendo, os prefeitos de São Paulo são pouco e mal recebidos pelo governo do estado”, disse Lula ao cutucar Tarcísio, na abertura da Caravana Federativa, evento do governo federal realizado no Expo Center Norte, na zona norte da capital paulista.
Caravana
Organizadas pela SRI (Secretaria de Relações Institucionais), atualmente chefiada pela ministra Gleisi Hoffmann (PT), as caravanas são eventos itinerantes realizados desde 2023 com o objetivo de levar aos estados e municípios representantes de órgãos federais, facilitando o diálogo com gestores públicos.

Segundo o governo, as caravanas já aconteceram na Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Amapá, Piauí e Pará. A iniciativa faz parte do Portal Federativo, que busca aprimorar as relações entre a União e os demais entes da federação.
Mesmo sem citar nominalmente Tarcísio, o presidente fez referência a uma das queixas mais comuns de prefeitos paulistas: a falta de recursos para investimentos. Durante o evento, no qual esteve acompanhado de 15 ministros, Lula declarou que os prefeitos “não devem ter medo de cobrar” do presidente e dos governadores.
O petista cumprimentou os “pretendentes a algum cargo nas eleições aqui presentes”. Antes da fala de Lula, Haddad confirmou que está deixando o ministério.
O presidente afirmou que o momento econômico do país “poderia ser melhor, se a gente não fosse pego de surpresa por uma guerra”.
“Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa respeitar a autodeterminação dos povos e a integridade territorial dos países. A gente não pode ter alguém levantando de manhã e falando: ‘eu vou tomar a Groenlândia, eu vou tomar o Canal do Panamá, eu vou tomar Cuba, eu vou tomar a Venezuela'”, disse.
Lula também lembrou da participação do Brasil na tentativa de assinatura de um acordo com o Irã sobre armas nucleares, em 2010, ao lado da Turquia. O presidente fez críticas à atuação dos EUA e de países europeus à época.
“Quando eu pensei que Brasil e Turquia, que fizeram o acordo com o Irã, iam ganhar o Prêmio Nobel da Paz, o que aconteceu? Os Estados Unidos e a União Europeia aumentaram o bloqueio. Eu entendi que isso aconteceu porque o Brasil não faz parte da elite de países do Conselho de Segurança da ONU.”
Em seguida, Lula citou um artigo do jornalista Clóvis Rossi, publicado na Folha de S.Paulo em 2013, que mostra a “diferença entre o acordo do Brasil e o bloqueio americano”, segundo o presidente.
Candidatura
Haddad deve anunciar sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo, ao lado de Lula, em entrevista marcada para as 19h no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, berço político do presidente.
“É um dia muito especial, porque estou deixando o Ministério da Fazenda”, declarou Haddad na abertura da Caravana Federativa.
O titular da Fazenda resistiu, durante meses, a ser o candidato do PT em São Paulo, alegando preferir coordenar a campanha de reeleição de Lula. No entanto, aceitou se lançar novamente ao governo estadual após insistência do presidente.
“Política às vezes parece uma guerra, mas eu quero dar aqui o testemunho de que o presidente mandou que nós olhássemos para o que interessa à população”, disse Haddad.
No evento, o ministro foi elogiado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Você tem uma das raras virtudes da vida pública: a coragem da moderação”, afirmou.

“Haddad passará para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso da história deste país por ter aprovado uma reforma tributária que estava parada havia 40 anos”, declarou Lula.
O presidente pediu que Dario Durigan se levantasse e o confirmou como novo ministro da pasta. “Olhem bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, disse.
Antes do anúncio formal da pré-candidatura, Haddad ainda participará de uma agenda com Lula na Universidade Federal do ABC, em homenagem ao ex-presidente uruguaio José Mujica (1935-2025).
Alianças
Também é esperado que Lula e Haddad sinalizem a pré-candidatura da ministra Simone Tebet ao Senado por São Paulo. Tebet, atualmente filiada ao MDB pelo Mato Grosso do Sul, deve mudar o domicílio eleitoral e pode trocar de partido, o PSB é apontado como destino provável.

José Adinan Ortolan, presidente da AMPPESP, fez um aceno à pré-candidatura de Tebet. “Nossa nova conterrânea, Simone Tebet. Seja bem-vinda”, disse.
Também estiveram presentes os ministros Guilherme Boulos, Marina Silva, Gleisi Hoffmann, Paulo Teixeira, Silvio Costa Filho, Margareth Menezes, Luiz Marinho, Wellington Dias, Márcio França, Luciana Santos, Gustavo Feliciano e Sônia Guajajara.
A presença massiva de ministros foi articulada pelo Palácio do Planalto para demonstrar unidade em torno de Haddad.
Segundo o último Datafolha, Tarcísio de Freitas tem 44% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 31% em simulação de primeiro turno.
Haddad enfrentou Tarcísio em 2022 e, apesar da derrota no segundo turno, obteve desempenho relevante ao reduzir a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro no estado e contribuir para a vitória nacional do petista.
A estratégia do PT é manter ou reduzir ainda mais essa diferença em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. (Juliana Arreguy e João Pedro Abdo/Folhapress)