Política

MDB abre as portas a políticos goianos

Redação DM

Publicado em 23 de dezembro de 2017 às 21:02 | Atualizado há 1 ano

 

A convite do presidente Mi­chel Temer (PMDB-SP), o prefeito Iris Rezende par­ticipou, na última terça-feira, em Brasília, da criação do MDB. A sigla, que originalmente teve sua criação imposta pela ditadura militar, em 1966, substituiu à época o PSD, cria­do por Getúlio Vargas e que tinha no ex-presidente Juscelino Kubistchek sua maior referência naquele perío­do. Nos 21 anos de regime militar, o MDB foi a oposição consentida.

No início, o partido evitou o confronto direto com o regime, mas a partir das eleições de 1970 e de 1974, com a eleição de depu­tados autodenominados “autênti­cos”, o MDB tomou linha de fren­te na oposição à ditadura.

Um dos fundadores do MDB, Iris tem sua história no partido marcada pela cassação de seus direitos políticos em 1969, quan­do foi pela primeira prefeito de Goiânia e se preparava para dis­putar o governo do Estado em 1970. Também está ligada à sua trajetória o comício pelas Diretas Já em Goiânia, em 1984, conside­rado uma das maiores mobiliza­ções cívicas daquele movimento.

O prefeito avalia que a recriação do MDB abre as portas do partido para novas lideranças. Iris já defen­deu, mais de uma vez, a vinda de novos quadros para o partido. Aqui, nas páginas deste DM, Iris salientou que “o PMDB está de portas abertas para receber a filiação de Ronaldo Caiado”, hoje senador da Repúbli­ca e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas pelo DEM.

Ex-secretário de Ciência e Tec­nologia no governo de Alcides Ro­drigues (2007-2010) e ex-secretá­rio de Planejamento Urbano, na segunda gestão de Iris Rezende (2009-2010), Joel Sant’Ana Braga Filho é outra liderança do DEM que pode migrar para o MDB.

Além do convite a Caiado, re­centemente o prefeito Iris Rezen­de também fez convite direto ao ministro das Cidades, Alexandre Baldy, para que assinasse a ficha de filiação na legenda. Baldy, que deixou o PTN/Podemos, e está sem partido, também recebeu convite do próprio presidente Te­mer para integrar o MDB.

No MDB Alexandre Baldy pode­ria concorrer ao Senado ou ser indi­cado a vice. Além do cacife de mi­nistro, pesa a favor de Baldy o fato de ter como principal base eleito­ral Anápolis, cidade que sempre está no centro das disputas políti­cas pelo governo de Goiás.

SENADO

O senador Wilder Morais (PP), também está nos planos dos novos “emedebistas”. O prefeito de Apare­cida de Goiânia, Gustavo Menda­nha anunciou que tem interesse em apoiar a sua candidatura à ree­leição, e indicou que o MDB pode­ria ser o seu melhor destino.

O próprio Wilder também tem sido contumazfrequentador dos ga­binetes de Iris Rezende e de Menda­nha, participando se inaugurações e solenidades destas duas prefeituras. O ex-prefeito Maguito Vilela e o de­putado federal Daniel Vilela, incen­tivam esta aproximação, através de conversar com o próprio senador.

Consciente dos desafios da base governista nas próximas eleições, o secretário de Meio Ambiente, Vil­mar Rocha (PSD), tem feito várias reflexões, através da imprensa, so­bre a necessidade de que a aliança governista seja refeita, a partir da atração de lideranças de fora do blo­co governista. Sua avaliação é de que a candidatura do vice-governador José Eliton representa o continuís­mo, no momento em que o bloco governista completa 20 anos de po­der. Vilmar advoga que a sucessão do governador Marconi Perillo deve se dar sobre uma nova aliança. Esta interpretação tem rendido desafe­tos a Vilmar Rocha.

Conforme registro feito pelo jornalista Jarbas Rodrigues na Co­luna Giro de O Popular, o secre­tário foi interpelado no elevador privativo do Palácio das Esmeral­das pelo líder do governo, o depu­tado estadual Francisco Oliveira (PSDB), que sugeriu que Vilmar deveria “ir logo para o MDB”.

Pela base governista, dificil­mente Wilder Morais e Vilmar Rocha realizam o seus sonhos de disputar a cadeira de senador. Há um congestionamento de candi­datos do lado situacionista. A ja­nela partidária aberta pelo MDB pode ser a porta de entrada para ambos na disputa de 2018.

CONVENÇÃO

A mudança do nome de PMDB para MDB pode influenciar os rumos da próxima convenção da legenda? E se estas novas li­deranças se filiarem ao partido, dentro do prazo limite para mu­dança de partidos, que se abre de 7 de março a 7 de abril de 2018? Que impacto terá, por exemplo, a virtual filiação de Caiado, Bal­dy, Wilder, Vilmar, Joel e outros?

A história recente mostra que as convenções do PMDB deixaram de ser encontros cartoriais, onde a si­tuação já foi definida previamente, para se transformarem em verda­deiras praças de guerra. Que o dia o racha do partido em 2014, na dispu­ta entre o empresário Júnior Friboi e então ex-prefeito Iris Rezende. As marcas deste confronto ainda estão vivas, e foram evidenciadas na reno­vação do diretório estadual, quan­do o deputado federal Daniel Vile­la assumiu o controle da legenda.

O encontro do PMDB, realizado na última semana em Goiânia, evi­denciou a liderança de Daniel na le­genda, mas este é o que podemos dizer, o fato do dia. Amanhã, tudo pode ser diferente. A janela das fi­liações, não abre oportunidade ape­nas para os “caiadistas do MDB”, mas também para a direção atual. O mais provável é que Caiado não troque o DEM pelo MDB, e opte por tentar uma convenção conjun­ta entre os dois partidos, ideia que não tem nenhuma simpatia de Da­niel, Maguito e aliados.

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