Política

PT prepara chapa própria em março

Redação DM

Publicado em 30 de janeiro de 2018 às 01:15 | Atualizado há 1 ano

O PT pode marchar com chapa própria em 2018. A tendência se reforça após a condenação do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional da Quarta Região em Porto Alegre (RS), o TRF- 4. A direção nacional do PT lançou a candidatura de Lula à presidên­cia e a determinação do partido é mantê-lo candidato, mesmo que a Justiça venha a decretar a sua pri­são. Esta hipótese – de prisão – pa­rece remota, uma vez que dentro do próprio Supremo Tribunal Federal muitas vozes se levantam contra a prisão em segunda instância.

Para os petistas, o imbróglio en­volvendo o seu maior líder gera a oportunidade de debater com a so­ciedade o ativismo do Judiciário que, na visão dos dirigentes, extra­polou os limites, e a sociedade se vê ameaçada de um novo tipo de AI-5 – o famigerado ato institucio­nal da ditadura que cassou o man­dato dos adversários da ditadura. “Antes os mandatos eram tomados pelos generais, agora setores parti­darizados do Judiciário querem ti­rar do eleitor o direito de escolher os seus candidatos”, crítica do de­putado estadual Luis Cesar Bueno.

Em Goiás, o PT trabalha a can­didatura de Lula com a criação de 2 mil comitês denominados “Co­mitês em Defesa da Democracia e do direito de Lula ser candidato”. A criação dos comitês corre em pa­ralelo com as articulações para o lançamento da chapa completa do partido: majoritária (governador, vice e senadores) e proporcional (deputados estaduais e federais).

Entre os cotados para a chapa majoritária, as apostas petistas es­tão nos nomes da deputada esta­dual Adriana Accorsi, ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide, na ex-deputada federal Neyde Apare­cida, advogado e ex-procurador ge­ral do Município de Goiânia, José do Carmo, presidenta da legenda, professora Kátia Maria, e no médi­co e ex-prefeito Fausto Jayme.

ADRIANA ACCORSI

Internamente, as forças que compõem o PT analisam que a candidatura de Adriana Accorsi ao governo do Estado potencializa o partido no debate sobre a seguran­ça pública – um dos maiores pro­blemas do Estado –, e faz o parti­do avançar na capital e no interior, dado o histórico pessoal de Adria­na, como delegada exitosa e seu perfil familiar, como filha do ex-pre­feito Darci Accorsi. Mais votada na capital em 2014, onde teve mais de 33 mil votos, Adriana pode ampliar ainda mais a sua relação com o elei­torado da capital, cacifando-se para a sucessão do prefeito Iris Rezende Machado (MDB) em 2020.

ANTÔNIO GOMIDE

Os cerca de 400 mil votos que obteve na campanha para o gover­no do Estado em 2014 projetam Antônio Gomide outra vez para a sucessão estadual. Somente em Anápolis o petista recebeu 110 mil votos, e por isto, além de virtual can­didato a governador, a direção na­cional do PT avalia a possibilidade de tê-lo como candidato ao Senado. Duas vagas estão em disputa para a Câmara Alta nestas eleições, e a tendência é que haja pulverização de votos entre os candidatos do go­verno (que provavelmente devem ser o governador Marconi Perillo, pelo PSDB e a senadora Lúcia Vâ­nia, pelo PSB) e da oposição (que tem entre os postulantes o vereador Jorge Kajuru, pelo PRP, o deputado federal Pedro Chaves, pelo MDB).

É neste cenário que o PT acre­dita que Gomide pode ser o dife­rencial, pois é reconhecido como um administrador de sucesso e um político moderno, que tem ca­pacidade de articulação com am­plos segmentos da sociedade. Se não compor a chapa majoritária é visto como nome para represen­tar Anápolis na Assembleia Legis­lativa. A cidade, no entanto, tem tradição de eleger senadores, que o digam Henrique Santillo, Ira­puam Costa Júnior e Onofre Qui­nan (todos pelo PMDB).

NEYDE APARECIDA

Ex-deputada federal, ex-secre­tária de Educação do Município e com forte militância no movimen­to sindical, Neyde Aparecida é um dos quadros mais experientes do PT. Uma das fundadoras do Sin­tego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás), Neyde fez parte da bancada da edu­cação que fez aprovar a Lei do Piso, que garantiu aos professores um teto mínimo de remuneração em todo o País. Com trânsito na dire­ção nacional, pode ser a escolha dos estrategistas da campanha de Lula para fazer a defesa do ex-pre­sidente nas eleições em Goiás. Ou­tra hipótese é que Neyde retome o mandato de deputada federal.

ZÉ DO CARMO

Advogado e ex-procurador-geral do município na administração do prefeito Pedro Wilson (2001-2004), José do Carmo é natural da cidade de Goiás, onde apoia a administra­ção da prefeita Selma Bastos (PT). Faz parte do grupo político liderado por Pedro Wilson, do qual também fazem parte a ex-deputada Mari­na Sant´Anna, o ex-ministro Olavo Noleto e o ex-vereador Serjão Dias. Tem militância ligada às comuni­dades de base da Igreja Católica e na defesa de trabalhadores rurais e movimentos sociais. Há, no entan­to, articulações para que dispute a cadeira de deputado federal que já foi ocupada tanto por Pedro Wil­son quanto por Marina Sant´Anna.

KÁTIA MARIA

A professora Kátia Maria foi elei­ta por unanimidade para presidir o PT em Goiás. Assim como a se­nadora Gleisi Hoffman é a primei­ra mulher a presidir nacionalmen­te o PT, Kátia é a primeira a dirigir o partido em Goiás. Nos últimos me­ses tem feito um trabalho de rees­truturação da legenda, com a re­novação de diretórios municipais, criação de comissões provisórias e dos comitês em defesa de Lula e da democracia. Participa do agru­pamento político liderado pelo de­putado federal Rubens Otoni, que é candidato à reeleição.

Ao longo de seus 37 anos em Goiás, o PT trabalhou o lançamen­to de novas lideranças. Foi assim nas décadas de 1980, 1990 e 2000 que o partido apresentou nomes que viriam a ocupar espaços na Assembleia Legislativa como o jor­nalista Antônio Carlos Moura, os professores Athos Magno, Osmar Magalhães e Darci Accorsi, Luis Ce­sar Bueno, o médico Valdi Camar­cio, o radialista Humberto Aidar, o líder sindical Mauro Rubem, a de­legada Adriana Accorsi e na Câma­ra Federal Pedro Wilson, Rubens Otoni, Neyde Aparecida e Marina Sant´Anna. Novas apostas podem ser feitas nestas eleições.

FAUSTO JAIME

Primeiro prefeito do PT, o mé­dico Fausto Jayme governou a pe­quena Cumari no começo dos anos 1980.Por defender os trabalhadores rurais e a agricultura familiar, che­gou a ser vítima de atentado. So­breviveu para completar o manda­to e seguir como um dos principais dirigentes do partido nas décadas que seguiram. Foi secretário de Ad­ministração no governo de Darci Accorsi e mantém ligação com se­tores ligados ao serviço de saúde e trabalhadores rurais. Com sóli­da formação acadêmica e intelec­tual, Fausto Jayme agrega conteú­do ideológico à sucessão estadual.

 

Petistas não descartam aliança com o MDB

Ainda está em debate no PT a possibilidade de alianças com outras legendas. À esquerda, o espaço ficou mais curto com a condenação do ex-presidente Lula, que pode jogar o PCdoB da deputada estadual Lemos e o PDT, da deputada federal Flá­via Morais, a apostarem nos seus próprios presidenciais: Manue­la D’Ávila e Ciro Gomes, respec­tivamente. Mas há ainda dentro do partido aqueles que avaliam a possibilidade de retomar as con­versas com o MDB do deputado federal Daniel Vilela. Para mui­tos petistas, a tendência é Da­niel ficar isolado no MDB, com a possibilidade cada vez maior de uma parte do partido debandar para a candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM).

A direção nacional avalia que dada a boa relação do ex-presi­dente Lula com o ex-prefeito Ma­guito Vilela, não estaria fora de órbita uma chapa com o MDB, com a indicação do vice ou de um candidato ao Senado e co­ligação na chapa proporcional para deputado federal e esta­dual. A soma dos tempos de te­levisão e rádio do PT e do MDB tornam esta chapa competitiva para a disputa majoritária, po­dendo fazer avançar o núme­ro de eleitos para ambas legen­das no Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. As car­tas estão postas na mesa.

 

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