Política

Quem é o candidato, Daniel ou Maguito?

Redação DM

Publicado em 27 de fevereiro de 2018 às 01:48 | Atualizado há 8 anos

O ex-senador Maguito Vilela resolveu tomar a frente da cam­panha de Daniel Vilela para go­vernador. Pelo menos, dentro do MDB. O ex-prefeito de Aparecida vem aparecendo em inúmeros eventos políticos para dar o seu recado a Caiado e ao MDB caia­dista. Entre um discurso e outro, ele articula freneticamente com todo mundo que tenha algum interesse em isolar o caiadismo.

O argumento de Maguito é que o MDB, tendo candidato próprio, não deve renunciar à primasia de liderar a chapa. Não tem sentido, diz Maguito, o par­tido maior curvar-se ante o me­nor. Ele continua pregando a “união das oposições”, mas já admite tacitamente que vai dei­xar o DEM de mão. Ele ainda fala em união com o DEM ape­nas para não acirrar o conflito, já evidente, entre as alas magui­tistas e caiadistas do MDB.

E continua cortejando Iris Re­zende Machado, em que reco­nhece a maior figura do emede­bismo goiano. Maguito tem dito que Iris falou que vai apoiar can­didatura própria do MDB, indu­zindo o seu ouvinte a concluir que este candidato é Daniel.

Ocorre que Iris, até agora, e a despeito de toda lisonja recebi­da do maguitismo, ainda não se pronunciou taxativamente em fa­vor de Daniel. Iris, sempre enig­mático, como de hábito, afirma que apoiará o candidato do MDB. Mas quem garante que este can­didato será mesmo Daniel?

Já não é segredo para nin­guém que o caiadismo tentará capturar a legenda emedebista. E também não é segredo para nin­guém que Iris prefere Caiado a Daniel. Apenas não assume isso publicamente. E o fato de até ago­ra não ter dito que seu candidato será Daniel apenas reforça a sus­peita de que o prefeito de Goiâ­nia já está fechado com Caiado.

Quanto a considerar o PMDB o maior partido, há nisto uma in­genuidade política gigantesca. Ou uma indisfarçável má-fé ar­gumentativa. O MDB há muito tempo deixou de ser um gran­de partido. Vem tendo sua vota­ção reduzida a cada eleição. Mas ainda controla postos estratégi­cos certos. Mas, em uma elei­ção majoritária, o que importa é ter mais votos que o adversá­rio. Que estrutura partidária ti­nha Marconi em 1998, quando derrotou Iris? O candidato eme­debista tinha o controle da má­quina administrativa. Seu par­tido governava a maioria dos municípios goianos. Tinha as maiores bancadas parlamenta­res. Tudo isso virou poeira em face da avalanche marconista.

FAVORITISMO

Caiado, hoje, é maior do que o MDB. Ele tem o favoritismo nas pesquisaseo apoiodas chamadas “classes produtoras rurais”. Daniel não tem nada disso. Talvez não te­nha sequer o controle da sigla que preside. O favoritismo de Caiado atrai, com a força irresistível de um ímã, os setores fisiológicos do MDB, que constituem a maioria.

O que Maguito, porém, não percebe é que na medida em que tenta empurrar Daniel para frente, mais o força para baixo. Mais reforça a ideia de que Da­niel não tem, ainda, luz própria, não tem estofo para encabeçar a chapa. Quem quiser acertar alguma coisa com Daniel terá que procurar Maguito. Ele, o pai, vai se destacando como prínci­pe regente, governando a can­didatura enquanto o herdeiro não adquire maioridade para su­bir ao trono. É uma situação até constrangedora para os dois. A verdade, porém, é que se Ma­guito sair de cena, Daniel pode­rá naufragar. Mais do que nun­ca ele depende da força e do prestígio do pai para ser acei­to por todos dentro do MDB.


Maguito reforça a ideia de que Daniel não tem, ainda, luz própria.

Também não é segredo para ninguém que Iris prefere Caiado a Daniel. Apenas não assume isso publicamente

 

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