Política

Quem ganha esse jogo?

Redação DM

Publicado em 25 de abril de 2018 às 02:40 | Atualizado há 1 ano

A pré-campanha eleitoral en­trou em sua segunda e deci­siva fase: a da consolidação de candidaturas. É a partir de agora que os pré-candidatos reafirmam seus nomes e garantem uma rede de apoios para a disputa que ocorre em outubro. As últimas reformas eleito­rais reduziram espaço da campanha e aumentaram o tempo de pré-cam­panha. Logo, o desafio nestes meses é maior: manter nomes em evidên­cia, despertar atenção dos eleitores e consolidar projetos.

Em Goiás, quatro pré-candida­tos se tornam cada vez mais proe­minentes: Ronaldo Caiado (DEM), Daniel Vilela (MDB), José Eliton (PSDB) e professor Weslei Garcia (Psol). A Rede anuncia o interesse em também participar da disputa, mas ainda não confirmou seu nome.

Nesta fase cada candidatura é bombardeada internamente e ex­ternamente: mantendo-se firme, a pré-candidatura segue. Se fraque­jar, ela dissolve e abre espaço para mudanças no cenário. Na impren­sa ocorre a grande luta de sustenta­ção. A guerra é simbólica e por vezes fatal para as candidaturas.

No desenrolar da pré-campanha, a candidatura de Ronaldo Caiado tornou-se visivelmente a de maior musculatura: acumulou resultados expressivos nas pesquisas, evitou en­trar em desgastes com adversários, consolidou o nome e atraiu uma rede de apoio considerável – o se­nador Wilder Morais (com emendas e recursos distribuídos no valor de R$ 4 bilhões) e um grupo expressi­vo de deputados estaduais. Não bas­tasse, conquistou robusto apoio de estratégicos prefeitos emedebistas.

Daniel Vilela, por sua vez, con­seguiu capilarizar sua campanha e conquistou a adesão do prefeito Iris Rezende – considerado o maior cabo eleitoral da disputa. Iris reite­rou sua disposição em participar do projeto de Daniel em detrimento da postulação de Caiado.

A legenda, todavia, entrou em uma fase perigosa: o processo de expulsão dos prefeitos dissidentes que apoiam a candidatura de Caia­do. Das duas, uma: ou a depuração impede a ruptura ou a acelera – e a legenda perderia importante fatia de apoiadores, que, inclusive, em cenários não esperados poderiam ajudar Daniel Vilela.

Por seu turno, o candidato go­vernista, José Eliton, assumiu o lu­gar de Marconi Perillo com ações de impacto midiático na saúde e segurança pública. Os primeiros anúncios não podem ainda ser mensurados, mas o lema do novo governador é tentar ser a “mudan­ça”. Naturalmente ocorreu um afas­tamento estratégico do governador Marconi Perillo, tendo em vista o fortalecimento de Zé Eliton.

O desafio de Eliton é mostrar per­sonalidade. Político que costuma se dedicar de corpo e alma nas campa­nhas, ele tem pela frente a estratégia de costurar alianças com prefeitos. O jogo para o governo é simples: re­passar recursos para os gestores mu­nicipais e esperar que os prefeitos “compartilhem” estes valores com moradores das cidades. Daí cresce­ria seu volume de votos. A primei­ra articulação de Eliton é entregar obras. Sem elas, o governista vê re­duzidas as chances de sair da bri­ga que hoje mais o consome: a luta com Daniel Vilela pelo segundo lu­gar nas pesquisas.

ESQUERDA

A esquerda terá novamente a candidatura de Weslei Garcia (Psol), que foi escolhido antecipadamente no último domingo pelo Diretório Estadual. No pleito anterior foram memoráveis os questionamentos dele contra Marconi Perillo. Weslei volta com força total para mais uma vez tratar de temas como educação, saúde e segurança pública. Professor da rede estadual, ele é o único mate­maticamente com chances reais de crescimento, já que por tradição é grande o volume de votos para can­didatos de esquerda.

Com a apatia do PT no estado, o Psol passa a ser a alternativa real de escape para discutir a pauta neoli­beral imposta pelo governo, caso da venda da Celg, da tentativa de impor OS’s no serviço público, o aumento assombroso das taxas de violência protagonizadas por Goiás a partir de início da década de 2000 e o au­mento da dívida pública do Estado – bandeiras a serem combatidas pelo socialista daqui para frente.

MESES LONGOS

Os próximos dois meses serão os mais longos da pré-campanha. Ne­nhuma data definitiva e significati­va está prevista no calendário eleito­ral. No começo de julho, 5, começa efetivamente a fase de campanha interna e a legenda poderá realizar eventos em que os pré-candidatos pedem votos entre quatro paredes.

Até lá são imprevisíveis os pró­ximos capítulos. A primeira hipó­tese é de que ocorra combustão ainda maior dentro da base gover­nista em busca da segunda vaga ao Senado Federal – restam três no­mes na disputa, Lúcia Vânia (PSB), Vilmar Rocha (PSD) e Demóstenes Torres (PTB).

Nos bastidores, a senadora Lú­cia Vânia demonstra profunda irri­tação com o silêncio dos principais nomes do PSDB em relação ao seu interesse. Ela enfrenta o mesmo si­lêncio imposto a Wilder, que decidiu sair do governo sem olhar para trás, já que tinha pouquíssimos cargos e jamais postulou secretarias. Para ela é diferente: está amarrada em gran­de quantidade de cargos. Ao se afas­tar colocaria um enorme grupo de apoiadores desempregados.

Demóstenes segue em busca de espaço enquanto Vilmar age por meio de ações pontuais, como a crítica de que a base poderá tro­car a candidatura de José Eliton em julho, caso ele não apresente condições de vitória.

Do lado de Daniel, é grande o an­seio para que seu nome cresça nas pesquisas a partir da sedimentação do tradicional voto emedebista. Es­trategicamente ele tem apoio do pai, Maguito Vilela, que tem defendido seu legado e o direito do MDB ter candidatura própria. Caiado, por sua vez, espera novas adesões. O políti­co vive ótima fase, em que uma mul­tidão de pessoas o acompanha por onde quer que esteja. É a única can­didatura que transbordou esponta­neamente para as ruas e redes so­ciais – o que dá ao candidato grande visibilidade para os adesistas.

UMA SUCESSÃO DE AÇÕES

 

Para pré-candidaturas se sustentarem é preciso grande jogo de cintura dos interessados. Cada um desenvolve sua narrativa e cumpre missões

Ronaldo Caiado (DEM)

  • Após afastar-se do grupo político liderado pelo ex-governador Marconi Perillo em 2014, quando foi preterido na disputa por vaga ao Senado, Ronaldo Caiado se firmou na oposição. Venceu Vilmar Rocha na corrida ao Senado, com o apoio do PMDB de Iris Rezende, e, de imediato, lançou-se como candidato ao governo de Goiás e tornou-se forte liderança de oposição ao PSDB e aliados.
  • Caiado exerceu cinco mandatos de deputado federal e emergiu na política brasileira ao liderar, em 1987/88, a União Democrática Ruralista (UDR), movimento dos agropecuaristas que fazia contraponto às propostas da esquerda durante a Assembleia Nacional Constituinte.
  • Ronaldo Caiado vem, nesta pré-campanha, portando-se como o contraponto ao chamado Tempo Novo e, em razão disso, lidera, com folga, as pesquisas de intenção de votos ao governo do Estado. Segundo o Instituto Serpes, tinha 44% de aprovação em dezembro e em abril está com 39%.
  • Caiado adota forte discurso de questionamentos e críticas ao modelo de gestão adotado por Marconi Perillo e José Eliton, principalmente em relação às políticas públicas nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Acusa o sucateamento da máquina do estado e coloca em dúvida a qualidade dos serviços prestados pelo estado à população.
  • Caiado tenta, a qualquer custo, obter o apoio do MDB, mas, até agora, sofre a resistência de Daniel Vilela, também pré-candidato ao governo do Estado. Tem a simpatia de Iris Rezende, mas não obteve o apoio do prefeito de Goiânia, que declara voto a favor de Daniel Vilela.
  • Caiado espera, até 5 de agosto – último dia para a realização de convenções partidárias – obter o apoio do MDB de Iris e dos Vilela. Para isso, reserva a segunda vaga de senador – tanto para Daniel quanto para Maguito Vilela, ex-governador, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pai do pré-candidato emedebista.
  • zzCaiado comemora o apoio de cinco prefeitos do MDB: Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa), Paulo do Vale (Rio Verde), Renato de Castro (Goianésia) e Fausto Mariano (Turvânia), além do deputado estadual José Nelto, que trocou o MDB pelo Podemos, e do ex-presidente do partido em Anápolis, Eli Rosa.
  • Caiado contabiliza, além do DEM, apoio de pequenas legendas: PRTB, PSDC, PMN, Podemos, PPL, PHS, PMB, PTC, PSC, entre outros.

 

 

José Eliton (PSDB)

  • Intensifica ações administrativas na tentativa de se tornar conhecido do eleitorado para crescer nas pesquisas eleitorais.
  • Eliton acredita que, agora como governador do Estado, terá a visibilidade necessária para conquistar votos do eleitorado. A cada semana, José Eliton pretende apresentar um fato administrativo com repercussão política.
  • O marketing eleitoral orientou José Eliton a sair às ruas, fazer corpo-a-corpo, conversar com as pessoas, apresentar seus projetos e ideias e defender o legado do Tempo Novo.
  • Meta de José Eliton é reunir 18 partidos, mais do que a campanha do PSDB conseguiu em 2014, 14 legendas. Além do PSDB, ele espera contar com o PSD, PP, PTB, PR, PPS, PSB, PRB, PROS, PDT, PV, SD, dentre outros.
  • O PTB de Jovair Arantes foi o primeiro partido a anunciar apoio à pré-candidatura de José Eliton, em encontro regional realizado em Itumbiara, no último fim de semana.
  • Os 20 anos sucessivos de governos do PSDB tem um viés negativo para José Eliton: fadiga de material, ou seja, o cansaço e o desgaste acumulados ao longo do tempo.
  • José Eliton nunca disputou mandato eletivo: foi duas vezes, em 2010 e 2014, candidato a vice-governador na chapa de Marconi Perillo (PSDB).
  • A formação da chapa majoritária tem provocado dor de cabeça em José Eliton: a disputa para a segunda vaga ao Senado acirra os ânimos na base aliada. Vilmar Rocha (PSD), Demóstenes Torres (PTB) e Lúcia Vânia (PSB) travam árdua batalha interna.
  • Durante a janela partidária, José Eliton sofreu baixas em seu projeto de disputar a sucessão estadual: senador Wilder Morais e os deputados estaduais Iso Moreira, Álvaro Guimarães e Dr. Antônio Moraes migraram para a campanha de Ronaldo Caiado (DEM).

 

Daniel Vilela (MDB)

  • Daniel Vilela comanda o diretório estadual do MDB, maior partido de oposição no Estado. Ele foi eleito em 2015 enfrentando o grupo de Iris Rezende, que lançara como candidato a presidente Nailton Oliveira, ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás. Começou a carreira política como vereador em Goiânia, elegeu-se também deputado estadual e federal.
  • Tem como principal incentivador de sua pré-campanha ao Palácio das Esmeraldas, o pai, Maguito Vilela, ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia.
  • Jovem, tem apenas 35 anos, Daniel se coloca na pré-campanha com a alternativa do eleitorado para quem aposta na renovação política.
  • Daniel sofre desgastes por apoiar o impopular governo Michel Temer.
  • Daniel perdeu apoios importantes dentro do MDB, como os prefeitos de Catalão, Formosa, Rio Verde e Goianésia, além do deputado estadual José Nelto.
  • Como principal trunfo eleitoral nesta pré-campanha, recebeu o apoio público do prefeito de Goiânia, Iris Rezende.
  • O emedebista rechaça a proposta de união das oposições, bandeira defendida por Ronaldo Caiado.
  • Daniel não recebeu, até agora, apoio de nenhuma legenda aliada, o que serve de desestímulo ao seu projeto de disputar a sucessão estadual. Conversa com dirigentes partidários, como PT, PSD, PDT, PRB e PP, mas nada avançou até agora.
  • Como estímulo à sua campanha, Daniel apresenta apoios dos prefeitos emedebistas Iris Rezende (Goiânia), Gustavo Mendanha (Aparecida de Goiânia), Gilmar Alves (Quirinópolis), Agenor Rezende (Mineiros) e Haroldo Naves (Campos Verdes e presidente da Federação Goiana de Municípios).

Weslei Garcia

  • É a única candidatura de esquerda postulada até agora. Somente no último domingo foi confirmado como pré-candidato.
  • Tem grandes chances de crescimento principalmente pela experiência das eleições em 2014. Em 2014, teve apenas 0,33, mas a esquerda colocou na disputa Antônio Gomide (10,09%) e Marta Jane (0,18). Até agora é o único nome do segmento na disputa.

 

 

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