Política

“Somos éticos e coerentes, não fazemos oposição de ocasião”

Redação DM

Publicado em 3 de maio de 2018 às 03:35 | Atualizado há 8 anos

Pré-candidato ao governo de Goiás, o deputado federal Daniel Vilela refuta qualquer diálogo político com o governo do Estado e afirma: “Ao longo dos anoso MDB foi assediado diversas vezes pelo governo, mas nunca demos ouvidos a eles. Nosso projeto é antagônico a este governo de práticas atrasadas”.Em entrevista exclusiva ao DM, Daniel diz que conseguiu superar as limitações inerentes ao cargo no Legislativo com muito trabalho e cita realizações concretas para o Estado e municípios,como a conquista de duas novas universidades federais, recursos para inovação e diversas obras nos municípios.

 

ÍNTEGRA DA ENTREV ISTA

O ex-prefeito Maguito Vilela falou que existe possibilidade de diálogo entre MDB e PSDB em Goiás. O senhor confirma isso?Não existe e nem vai existir diálogo entre MDB e PSDB em Goiás. Só conversaremos comeles após as eleições, para fazer a transição e dar tchau a essa gestão atrasada. Aliança eleitoral é algo impossível de acontecer.O que o ex-prefeito Maguito quis dizer, e depois reiterou em nota, é que os partidos, todos,devem dialogar entre si quando se trata de temas de interesses da população, sem espaço para ódio ou projetos de vingança pessoal.Mas ele não falou nada de aliança eleitoral. Todos sabem que nós somos oposição política ao PSDB há 20 anos e o projeto que estamos construindo é antagônico ao que o PSDB representa hoje à frente do governo de Goiás, seja com o governador anterior ou com o governador atual, cujo primeiro ato como como chefe do Executivo foi nomear o cunhado de seu antecessor para um cargo vitalício às custas do cidadão goiano. Defendemos o oposto dessas práticas atrasadas e vamos combater isso na eleição.

Essa conversa não aconteceria nem se o governador procurasse o MDB?Não há espaço e nem interesse algum da nossa parte para este tipo de conversa acontecer.Ao longo dos anos o MDB foi assediado diversas vezes por este governo, que sabe que se conseguisse cooptar o partido acabaria com o principal pilar da oposição em Goiás e poderia perpetuar seus desmandos com mais facilidade.Mas nunca demos nem ouvidos a eles,pois estaríamos traindo nossos princípios e nossa história.Se após20 anos na oposição continuamos fortes, é porque não fazemos oposição de ocasião para atingir objetivos pessoais, como temos visto por aí, mas sim uma oposição coerente para ajudar nosso Estado, fiscalizando e cobrando este governo. Entendemos que 20 anos é muito tempo para o mesmo grupo administrar o Estado. Nossa intenção é apresentar um projeto que seja a certeza de um avanço político para Goiás, que seja moderno e enfrente com eficiência os problemas vividos hoje pelos goianos.

Como está a construção desse projeto de oposição?Já estamos com grupos técnicos formados para elaborar as propostas, que serão apresentadas no período eleitoral. Temos discutido esse plano com especialistas e lideranças de diversos segmentos e regiões do Estado.Todas visitas que fazemos aos municípios temos focado mais em ouvir o que as pessoas querem para Goiás nos próximos quatro anos. Os goianos de uma forma geral percebem que nosso Estado está perdendo grandes oportunidades de avançar e voltar a gerar oportunidades para as pessoas. Estamos ficando para trás de outros estados em diversos indicadores socioeconômico se precisamos de uma guinada para recuperar o caminho do desenvolvimento. 

Se não há conversa com o PSDB, há diálogo com o DEM?Só temos mantido diálogo com quem pretende colaborar defato com esse projeto de renovação política e vários partidos têm sinalizado neste sentido, enquanto outros apresentam propósitos diferentes dos nossos. Não queremos uma discussão baseada somente na obtenção do poder.O senador Caiado, por exemplo,quando nos procurou, só falou em aliança para tentar vencer.Não tratou de ideias e projeto se nosso diálogo, portanto, nãofoi adiante. Estamos buscando uma proposta de mudança para Goiás, baseada em uma nova prática política e na modernização administrativa do Estado.Caberá ao eleitor escolher quem tem os melhores projetos. 

O que pensa sobre a prisão após condenação em segunda instância, um dos temas mais polêmicos deste ano?- Sou um defensor e inclusive coloquei para tramitar na Comissão de Constituição e Justiça(CCJ) a PEC que trata do assunto.O que nós vemos é que criminosos com poder financeiro têm condição de contratar bons advogados e postergar a prisão por anos, usando todo tipo de recurso. Isto gera uma certa forma de impunidade. A prisão em segunda instância garante mais igualdade dos cidadãos perante a Justiça. Vai ajudar a tirar das ruas os corruptos e também traficantes,estupradores, homicidas e bandidos de todo tipo que tenham recursos para se manter fora da prisão usando as brechas da lei.Na política é comum dizer que o mandato parlamentar dá pouca margem para o agente público apresentar realizações concretas para o Estado e municípios.

Como avalia até agora sua passagem pela Câmara?Acredito que consegui comprovar que com trabalho dá para superar essas limitações inerentes ao Legislativo. Conseguimos ser produtivos para o País e especialmente para Goiás, com resultados concretos. Um exemplo é a retomada das obras do BRTde Goiânia, fruto de um esforço em conjunto com a Prefeitura de Goiânia e o ministro Alexandre Baldy (Cidades).Lideramos em Brasília o esforço para que Goiás ganhasse mais duas universidades federais,sonho antigo que foi concretizado este ano. Foram centenas de milhões de reais em emendas e em recursos ministeriais destinados aos municípios goianos em todas as regiões do Estado,possibilitando obras que vão de praças a unidades de saúde, passando por grandes empreendimentos como o aeroporto regional de Jataí, o Pátio Sudoeste da Ferrovia Norte-Sul,entre Santa Helena e Rio Verde,um novo porto em Aruanã, a urbanização de um córrego na região central de Catalão e uma parceria com a UFG para estimular projetos de inovação, para citar só alguns exemplos. Destaco também o fato de ocuparmos a presidência da Comissão de Constituição e Justiça–o segundo goiano a chegar até aqui–e poder contribuir promovendo debates importantes para o país como um todo, como é o caso da prisão em segunda instância. 

Por que a CCJ é considerada a comissão mais importante da Câmara?Porque todos os projetos que tramitam pela Câmara passam por lá, sem exceção. Cabe a ela verificar a redação e a constitucionalidade dos textos, e acaba também sendo um momento importante de discussão do conteúdo de cada proposta.

 

Como avalia o momento pelo qual o País passa?-Vivemos anos de uma dura recessão, fruto da má condução da economia. No final de 2017 já sentimos uma melhora, que vem seguindo em 2018. Temos uma projeção de crescimento de 3% do PIB neste ano, algo que não acontece desde 2013. Com achegada de Henrique Meirelles ao Ministério da Fazenda,em 2016, o ajuste econômico começou a ser feito e agora estamos colhendo os primeiros frutos. Acho que a situação vai melhorar gradativamente. Masa inda precisamos avançar muito para oferecer as condições de vida adequadas à nossa população.

 

Só teremos diálogo com o governo após as eleições, para fazer a transição e dar tchau aessa gestãoatrasada”

 

Só temos mantido diálogo com quem pretende colaborarde fato comesse projetode renovaçãopolítica e váriospartidos têmsinalizadoneste sentido,enquanto outrosapresentampropósitosdiferentesdos nossos”

 

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