Supremo garante candidatura de Demóstenes
Redação DM
Publicado em 18 de abril de 2018 às 02:45 | Atualizado há 1 ano
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal garantiu, de forma definitiva, na noite de ontem a possibilidade do procurador de Justiça Demóstenes Torres disputar as eleições deste ano. Os ministros analisaram um recurso apresentado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra a decisão liminar do ministro Dias Toffoli concedida em Março em favor de Demóstenes, após o goiano ser inocentado em diversas instâncias da Justiça, incluindo no próprio STF por mais outras quatro vezes. Nas últimas semanas, Demóstenes vem ganhando cada vez mais força para disputar uma cadeira ao Senado pela base aliada, ao lado do pré-candidato tucano ao Senado, o ex-governador Marconi Perillo, e do governador José Eliton.
Um dos responsáveis pela defesa de Demóstenes, o advogado Pedro Paulo de Medeiros, disse ao DM que agora não existem mais obstáculos para a candidatura de Demóstenes nestas eleições. “Foi uma vitória da Justiça e da democracia. Demóstenes percorreu o caminho contrário, pois não bastou a acusação não provar, ele teve também que provar sua inocência nos tribunais. Nada mais justo do que garantir a Demóstenes o direito de reescrever sua história também nas urnas, mostrando para a sociedade que todo esse processo é fruto de uma perseguição política”, analisou.
O advogado Leandro Silva, que também atua na defesa do Procurador, destacou que a decisão soma a várias outras que provaram a inocência de Demóstenes e restabeleceram seus direitos. “O tempo jogou luz e os fatos ficaram claros. Na verdade, todos os pontos foram esclarecidos pelo então senador Demóstenes em 2012, mas a comoção política que tomou o caso fez com que somente agora, depois de anos de análise pela Justiça, acontecesse essa correção”, disse.
Perseguição política motivou cassação
Demóstenes é considerado a primeira vítima das chamadas “fakes news (notícias falsas, em tradução livre)” no Brasil. Em 2012, uma série de vazamentos criminosos de áudios gravados ilegalmente e com edições colocaram o então senador em destaque na imprensa por conta das operações Vegas e Monte Carlo. Na época, Demóstenes despontava como candidato à presidente da República, aparecendo em pesquisas com cerca de 12% das intenções de voto.
A cassação aconteceu em velocidade recorde. Cerca de três meses depois, Demóstenes perdia o mandato e a oposição um dos seus maiores líderes. Os motivos para o atentado político eram muitos. Demóstenes teve participação crucial na queda de vários ministros dos governos Lula e Dilma Rousseff. O goiano também cultivara desafetos dentro do próprio Senado por não compactuar com o comportamento dos colegas. É icônica as imagens de Demóstenes com o dedo em riste dizendo ao ex-senador José Sarney que ele estava podre.
BASTIDORES
Nos bastidores, é conhecida a atuação decisiva de Lula e Dilma para a cassação de Demóstenes. Mesmo embora aplaudido em seu primeiro discurso sobre o caso até mesmo por senadores governistas, as ligações dos ex-presidentes à véspera da votação foi decisiva para a perca do mandato. Demóstenes foi traído até mesmo por aliados, que achavam que o então senador era uma estrela que ofuscava o brilho de colegas em busca de holofotes.
O ataque também é considerado uma consequência da negativa de Demóstenes de aderir ao governo, quando diversas lideranças do Democratas saíram da oposição para fechar fileiras com a base. Naquele período, chegou a ser oferecido para Demóstenes um cargo ministerial, que o goiano também recusou para manter a coerência de sua atuação política. O novo não do representante de Goiás teria sido decisivo para que ele se tornasse um alvo do Palácio do Planalto.
Também era conhecida a desavença do ex-presidente Lula, hoje preso em Curitiba, com o então governador Marconi Perillo, desde o período em que o tucano alertou o petista da existência do Mensalão, primeiro grande escândalo da era lulista. O rancor de Lula contra Marconi e Demóstenes chegou a figurar nas páginas da imprensa, tanto o ex-presidente não se preocupava em escondê-lo.
Lideranças da base defendem atuação de Demóstenes

O encontro regional do PTB em Itumbiara no último dia 14 foi marcado pela manifestação de diversas lideranças importantes da base aliada em apoio ao procurador de Justiça Demóstenes Torres . No evento, a atuação parlamentar do então senador foi exaltada, destacando o combate à corrupção e os benefícios que foram trazidos para a população de Goiás.
O governador José Eliton foi um dos que defenderam o trabalho de Demóstenes no Senado Federal. “É a hora do resgate, da Justiça. Demóstenes estava muito próximo de ser candidato a presidente da República. Aquele processo (de cassação) foi articulado para atingir Demóstenes e Marconi”, disse o governador, que apontou a coerência do PSDB em apoiar Marconi para que ele pudesse apresentar sua defesa e comprovar a inocência. “Participei de reunião com o presidente nacional do Democratas e não acreditei que aquele partido iria abandonar um dos seus sem ao menos uma oportunidade de defesa”, contou Eliton, que também já foi filiado ao então partido de Demóstenes. “Este é um homem que apontou um Norte para a nação brasileira. Agora Demóstenes está de volta na base para construirmos em conjunto um projeto para Goiás”, continuou o governador sob o aplauso em peso de todos os presentes no evento.
O líder do governo na Assembleia, Francisco de Oliveira, disse durante o evento que Demóstenes terá mais uma oportunidade de reesrever sua história “após uma absurda perseguição política porque enfrentou os grandes de Brasília”. “Conte conosco, conte com a base aliada”, concluiu durante o encontro.
MANIFESTAÇÕES
Manifestações com o mesmo teor também tem acontecido durante os eventos em que o petebista tem participado ao lado de membros da base aliada.
O microfone também foi utilizado pelas autoridades para destacar a quantidade de projetos que contam com a digital de Demóstenes Torres. São mais de 180 leis em que Demóstenes atuou de maneira decisiva, seja como propositor, autor, relator ou por meio de emendas. Entre eles, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso e a Lei Maria da Penha, além das medidas cautelares, fundamentais para a existência da Operação Lava-Jato como a conhecemos.
Apoio ao Senado cresce na base
As inúmeras vitórias na Justiça e o constante trabalho de aproximação das lideranças no interior tem resultado em um apoio crescente dos membros da base aliada à pré-candidatura de Demóstenes Torres ao Senado Federal. O crescimento do entusiasmo com o nome do petebista ficou ainda mais perceptível depois da dilvugação da pesquisa Serpes/ O Popular em que Demóstenes aparece com 6,1% das intenções de voto, mesmo após cerca de seis anos afastado do mandato. O presidente do PTB, o deputado federal Jovair Arantes, já manifestou que deseja critérios claros para a escolha dos candidatos ao Senado Federal pela base aliada. Entre os itens que devem ser analisados para a definição do nome estão as indicações das pesquisas quantitativas e qualitativas, além do apoio de prefeitos e candidatos a deputado federal e estadual.
Carrascos hoje estão na cadeia
A maioria dos aliados dos governos petistas responsáveis pela perseguição que resultou na cassação do então senador Demóstenes Torres hoje estão na cadeia ou respondem a processos. As investigações que resultaram nos julgamentos do Mensalão e da Lava Jato expuseram uma azeitada máquina de corrupção formatada para manter no poder um grupo político, inclusive controlando o fluxo de matérias e votos no Congresso Nacional.
Os escândalos dos governos petistas mostraram que o aparelhamento do estado foi realizado para manutenção do poder político daquele grupo. Primeiro o Mensalão e depois a Lava-Jato expuseram como a corrupção era utilizada para controlar votos no Congresso e acelerar a análise de projetos do interesse do Executivo.
O fim do esquema levou a prisão de diversos nomes de importância nos governos petistas, incluindo o ex-presidente Lula, que hoje está preso em Curitiba, e que é um dos principais articuladores para angariar votos para a cassação de Demóstenes. Outro nomes de primeira grandesa da sigla também foram condenadas, como José Dirceu e João Vaccari Neto.
E é justamente por meio da análise e voto que a cassação de Demóstenes se concretizou. Nenhum senador da história teve o processo analisado em tão pouco tempo, praticamente sem direito de defesa. O esforço da Mesa Diretora à época para dar celeridade na tramitação era alvo de comentários da imprensa, embora não houvessem críticas à manobra.
EXPEDIENTE
O mesmo expediente utilizado em projetos de interesse do executivo para fins de corrupção, segundo o resultado das operações. O governo pressionava parlamentares da base a votar de acordo com seus interesses e recursos desviados de estatais inundavam os cofres dos partidos. E colocar um fim em um dos seus principais adversários era inegavelmente um dos interesses do governo. Embora também existam senadores que possam ter votado de acordo com convicções formadas pelas inúmeras “fakes news” que se espalharam durante aquele período