Política

“Tayrone dedica tempo a mentiras e  ao invés de pesquisar a situação de Goiás”

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2018 às 01:33 | Atualizado há 8 anos

Para o presidente do PMN em Goiás, Eduardo Macedo, é constrangedor que um se­cretário se preste a um papel de dis­torcer informações, apregoar falsos dados sem embasamento e partir para ataques de cunho pessoal. “O fato de ter se tornado uma espé­cie de rainha da Inglaterra no go­verno de Marconi Perillo deve es­tar dando ao secretário Tayrone Di Martino tempo de sobra para ela­borar mentiras e se dedicar a bai­xarias contra os adversários”, disse.

NEGOCIATA

Eduardo Macedo afirmou que esta não é a primeira vez que Tayro­ne Di Martino age de má fé. “Vamos nos lembrar daquele episódio em que ele abandonou de última hora a chapa majoritária do ex-prefeito de Anápolis Antonio Gomide (PT) em troca de cargo no governo”, lembrou. “Deixou os seus aliados a ver navios em uma negociata de baixíssimo ní­vel para entrar pelo bueiro do Palá­cio das Esmeraldas”, disse.

 

PRINCIPAIS TÓPICOS DA ENTREVISTA

 

 

  • Caos financeiro do Estado

A fala de Tayrone Di Martino sobre o suposto equilíbrio das contas públicas de Goiás vai na contramão do que tem dito os principais economistas do País em maté­rias publicadas recentemente. Esta semana o jornal Estado de S. Paulo publicou repor­tagem sobre o rombo nas contas de vários Estados e mencionou o caso de Goiás. Se­gundo o economista Leonardo Rolim, con­sultor de orçamentos da Câmara, Goiás se­gue o mesmo caminho do Rio de Janeiro em relação ao desajuste fiscal. Isso porque está mal avaliado pelo Tesouro Nacional sob o ponto de vista de capacidade de pa­gamentos. Também no início do mês a Fo­lha de S. Paulo trouxe matéria com o eco­nomista e ex-secretário do Ministério da Fazenda Marcos Lisboa, que alertou para a péssima gestão financeira do governa­dor Marconi Perillo. O economista criti­cou o empréstimo de R$ 600 milhões con­cedidos pela Caixa Econômica Federal a Goiás e disse que nosso Estado pode virar um “novo Rio de Janeiro”. O que eu posso sugerir ao secretário é que pesquise, pois estas matérias estão disponíveis na inter­net para qualquer cidadão.

“A fala de Tayrone Di Martino sobre o suposto equilíbrio das contas públicas de Goiás vai na contramão do que tem dito os principais economistas do País em matérias publicadas recentemente”

  • Marconi admitiu rombo

 

É bom informar ao secretário, contu­do, que o próprio Marconi Perillo admi­tiu o rombo nas contas públicas ao en­viar à Assembleia Legislativa de Goiás projeto de lei que revisou a Lei de Dire­trizes Orçamentárias (LDO) para o exer­cício do ano passado. O texto mudou as metas fiscais de 2017 e revelou redução do superávit primário previsto. Isso sig­nifica que solvência do Estado está to­talmente em risco. Goiás deve pratica­mente tudo o que arrecada em um ano inteiro. Apenas Estados em situação de grave crise financeira, como é o caso do Rio de Janeiro, apresentam equivalência entre a dívida líquida consolidada e o montante anual de arrecadação. Mas se é de dados que ele precisa, vamos a eles. Hoje, sendo a LDO, Goiás tem aproxima­damente R$ 19,5 bilhões de dívida con­solidada líquida. Isso equivale ao mon­tante que o Estado deve para credores como a União e instituições financeiras. Em 2016 o valor apurado havia sido de R$ 18,337 bilhões. Ou seja, o rombo foi de R$ 1,150 bilhões em um ano. Outro dado relevante é que a receita líquida geral estimada inicialmente para 2017 era de R$ 24.362 bilhões, sendo que a frustração da receita arrecadada foi da ordem de R$ 1.113.269.720,97. Isso mostra que as receitas estão superesti­madas. A principal causa deste resulta­do é que o governo cortou investimen­tos, o que afetou a economia. Em 2016, Goiás fez o terceiro maior corte do Brasil (44%). Ao mesmo tempo, Marconi Peril­lo optou por aumentar impostos. A meta de superávit primário, previsto inicial­mente para fechar em R$ 212 milhões, tornou-se inatingível. Alegando dificul­dades financeiras e o cenário nacional, o novo resultado primário foi projeta­do por Marconi Perillo em R$ 506 mi­lhões negativos. A diferença ajustada será, portanto, de R$ 718 milhões para menos. Quer demonstração mais clara da falta de planejamento e gestão do go­verno de Marconi Perillo?

“Marconi Perillo admitiu o rombo nas contas públicas ao enviar à Assembleia Legislativa de Goiás projeto de lei que revisou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício do ano passado”

  • Uso eleitoreiro da Celg

 

Sobre a Celg, me admira que Tayro­ne Di Martino tenha coragem de tocar no principal ponto fraco do governo de Marconi Perillo. Vamos começar falando do uso eleitoreiro desta venda. Com um rombo já de quase R$ 20 bilhões nas con­tas públicas, Marconi aumentou em um ano a dívida do Estado em R$ 1,5 bilhão. O Estado possuía como meta um supe­rávit de quase 300 milhões e vai fechou o ano com mais de meio bilhão negativo. E, diante deste quadro, o que fez Marconi? Vendeu a maior empresa pública do Es­tado e, ao invés de sanar uma parcela dos débitos, deixou correr os juros e aumentar as dívidas. Como se não bastasse, o ser­viço piorou e a empresa que privatizou não tem honrado os seus compromissos. Recentemente vimos que a Aneel fez um comparativo e mostrou que, no mesmo mês de 2016 e 2017, os goianos passaram de 2,98 horas sem eletricidade para 4,78 horas no escuro. Um verdadeiro absur­do. É bom lembrar que o presidente da Celg, Abel Rochinha, afirmou que serão investidos apenas R$ 2 bilhões na distri­buidora até 2020. Menos do que o prome­tido, que era de R$ 2,4 bilhões até 2018. Ou seja, não vamos sequer ver perspec­tivas de melhora nos próximos anos.

“Marconi vendeu a maior empresa pública do Estado e, ao invés de sanar uma parcela dos débitos, deixou correr os juros e aumentar as dívidas. Como se não bastasse, o serviço piorou e a empresa que privatizou não tem honrado os seus compromissos”

  • Perdão da dívida da JBS

 

Foi interessante Tayrone Di Martino mencionar também a questão do perdão da dívida da JBS, um capítulo da história de Goiás que é importante que os goia­nos jamais se esqueçam. Muito em bre­ve veremos o governador Marocni Peril­lo responder sobre esse assunto, já que a Justiça quer ouví-lo na ação popular que o senador Ronaldo Caiado entrou para pedir o ressarcimento de R$ 950 milhões do Grupo JBS ao Estado de Goiás. A de­núncia foi feita em decorrência da lei nú­mero 18.709/14, editada pelo governa­dor e que durou apenas uma semana, que concedeu um perdão de R$ 949 mi­lhões da dívida de R$ 1,27 bilhão da JBS com o Estado. O valor representa 76% de toda a renúncia fiscal do programa Re­gulariza. Esta lei deveria abranger ape­nas aquelas empresas que estivessem em dificuldades. Mas o jornal Valor Econô­mico informou na época que a JBS re­gistrou o maior lucro trimestral de sua história de julho a setembro de 2014. Ainda assim o governo perdoou a dívi­da da empresa em um valor equivalente ao da venda da Celg. Ou seja, o governa­dor deu uma Celg para a JBS. A expli­cação de Tayrone Di Martino, de que o governo agiu dentro da lei (que ele mes­mo criou), não faz o menor sentido.

“O governo perdoou a dívida da JBS em um valor equivalente ao da venda da Celg. Ou seja, o governador deu uma Celg para a JBS. A explicação de Tayrone Di Martino, de que o governo agiu dentro da lei (que ele mesmo criou), não faz o menor sentido”

  • Operação Decantação da Saneago

 

A Saneago, todos os goianos sabem, caminha para ter o mesmo destino da Celg. Tayrone Di Martino, tão ávido em defender o governador, se esqueceu por exemplo da crise hídrica enfrentada em Goiás no ano passado, mesmo ano em que o escândalo da Operação Decanta­ção estourou. Há uma semana atrás, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão de quatro pessoas envolvidas no escândalo, entre elas o ex-presidente da estatal. Os quatro foram denuncia­dos por crimes praticados contra a ad­ministração pública, organização cri­minosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro. A suspeita mais forte é que os recursos desviados promoveram o paga­mento de dívidas de campanha. Ou seja, tiraram dinheiro dos goianos para re­verter em nome de um projeto de poder. Paralelamente, Goiás sofreu com a fal­ta de água no ano passado. Quem não se lembra da propaganda do Marconi com o Nerso da Capitinga dizendo que Marconi garantiu água até 2025 com a barragem do João Leite? Pois é, ainda em 2017 as águas já não chegaram nas torneiras e sobre isso Tayrone Di Mar­tino não pronunciou uma só palavra. Cerca de 150 bairros chegaram a ficar sem água no ano passado só na Região Metropolitana de Goiânia.

“Tayrone Di Martino, tão ávido em defender o governador, se esqueceu, por exemplo, da crise hídrica enfrentada em Goiás no ano passado, mesmo ano em que o escândalo da Operação Decantação estourou”

  • Obras inacabadas

 

Em relação às obras inacabadas em Goiás, creio que Tayrone Di Mar­tino está correto. O senador Ronaldo Caiado mencionou 400 obras, mas a realidade é muito pior. Das 830 obras cadastradas pelo governo em seus go­vernos, a grande maioria não foi con­cluída. O levantamento mais recente, disponível no site do TCE, mostra que desse total apenas 317 foram concluí­das. As que estão totalmente parali­sadas somam 171. E as que estão com prazos vencidos e não foram concluí­das chegam a 255! Se Tayrone souber fazer a soma, verá que são 426 obras. E temos obras aí esperando desde 2004 para a conclusão. É bom lembrar que as obras que extrapolaram o prazo re­ceberam aditivos e não terminaram, o que mostra total desperdício do dinhei­ro público. É sempre assim: o. gover­no anuncia as obras, faz propaganda, abandona e só voltar a reiniciar perto das eleições. Pergunte às populações de Santo Antônio do Descoberto e Urua­çu, por exemplo, onde estão os hospi­tais regionais. Me espanta é que, na ânsia de ajudar o patrão, Tayrone Di Martino encha a boca para falar que o Hospital de Valparaíso sequer teve a obra iniciada. Desde quando se van­gloriar da incompetência virou moda?

“Me espanta é que, na ânsia de ajudar o patrão, Tayrone Di Martino encha a boca para falar que o Hospital de Valparaíso sequer teve a obra iniciada. Desde quando se vangloriar da incompetência virou moda?”

  • Segurança Pública

 

Sobre a segurança pública de Goiás, os fatos falam por si. A rebelião dos pre­sos em Aparecida de Goiânia expôs, em nível nacional, a toda a incompetência e descaso do governador. Desde 2014 o governo vem sendo alertado pelo CNJ so­bre o caos nos presídios goianos. Todos sabem que alegar falta de recursos fede­rais é um insulto à nossa inteligência. Em dezembro de 2016, o governo goia­no recebeu R$ 44 milhões do Fundo Peni­tenciário Nacional para construir e am­pliar seu sistema prisional. Usou apenas R$ 7,7 milhões. Isso porque os projetos apresentados pelo governador não es­tavam qualificados.

Uma vergonha nacional relatada pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim. O ministro também denunciou descumpri­mento da Lei de Responsabilidade Fiscal, já que Perillo não abriu contas específi­cas em bancos públicos para operar os recursos federais. Para piorar o gover­nador deu calote ao receber dinheiro fe­deral para enviar agentes às Olimpía­das de 2016 e não enviar os profissionais. Ronaldo Caiado, como legislador, não tem seguido o péssimo exemplo do go­vernador. Sua voz é atuante no Congres­so em relação ao tema.

Se Tayrone Di Martino tivesse usado um pouco de seu tempo para pesquisar no site do Senado, ao invés de vir a pú­blico com baixarias, saberia disso. Caia­do tem tramitando no Senado seis proje­tos na área. Um deles amplia o volume de recursos do fundo de segurança pú­blica dos estados ao destinar 2% da ar­recadação bruta mensal das loterias fe­derais para este fim, o que representa R$ 250 milhões a mais para esta finali­dade. Outra proposta libera os repasses das transferências voluntárias da União para os estados investirem em diversas áreas, como segurança pública, mesmo que estes tenham alguma pendência com o governo federal.

“Ronaldo Caiado, como legislador, não tem seguido o péssimo exemplo do governador. Sua voz é atuante no Congresso em relação ao tema. Se Tayrone Di Martino tivesse usado um pouco de seu tempo para pesquisar no site do Senado, ao invés de vir a público com baixarias, saberia disso”

 

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