Tempos Novo e Velho se enfrentam nas urnas com caras & projetos reciclados?
Redação DM
Publicado em 2 de agosto de 2018 às 02:07 | Atualizado há 1 ano
- PMDB tornou-se hegemônico no Poder Político no Estado de Goiás por 16 anos, de 1983 a 1999, e perdeu as eleições para o PSDB
- Marconi Perillo quer eleger sucessor, José Eliton. Iris Rezende move peças para levar Daniel Vilela ao 2º turno e fazer Iris Araújo federal
- Oligarquia Caiado, que saiu de cena em 1930, voltou em 1970, pode retornar, em 2018, com o senador da República Ronaldo Caiado
De um lado, Marconi Ferreira Perillo Júnior [PSDB]. De outro, Iris Rezende Machado [MDB]. O primeiro, desincompatibilizou-se em abril passado. Para disputar o Senado. Após exercer quatro mandatos de governador do Estado de Goiás. O segundo é prefeito de Goiânia, Capital. No exercício do quarto mandato. Eles não enfrentarão cara a cara, em 7 de outubro de 2018. Os seus aliados, sim. Inquilino da Casa Verde, o advogado especialista em Direito Eleitoral, José Eliton, é a opção. Do tucano alto de plumagem. Já o deputado federal Daniel Vilela [MDB] é o nome escolhido pelo velho líder emedebista. Uma coisa é certa. Um irá ao segundo turno.
Ciclos parecem rondar, como um fantasma, o cenário político no Brasil no Estado de Goiás. A “Oligarquia Caiado” obteve hegemonia de poder de 1909 a 1930. Pedro Ludovico Teixeira ascendeu ao leme do Estado com a Revolução de Outubro. Com Getúlio Vargas à frente. A sua queda ocorreu, na Praça Cívica, em 26 de novembro de 1964. Mesmo tendo Mauro Borges Teixeira, seu filho, abençoado o golpe de Estado civil e militar de 31 de março e primeiro de abril daquele ano. A ditadura civil e militar no cerrado durou de 1965 a 1982. Cassado em 17 de outubro de 1969, Iris Rezende Machado [MDB, á época] inaugurou nova etapa, em 1983.
De 15 de março de 1983, quando deixa o Palácio das Esmeraldas o governador biônico Ary Ribeiro Valadão, à época no PDS, a 31 de dezembro de 1998, o PMDB mandou e desmandou no Palácio das Esmeraldas. A sede do governo Estadual. Não custa lembrar: com Iris Rezende Machado, Onofre Quinan, Henrique Santillo, Iris Rezende Machado, Agenor Rezende , Maguito Vilela, Naphthali Alves e Helenês Cândido. O último a apagar a luz do Tempo Velho. É que o chamado Tempo Novo, com o jovem tucano Marconi Ferreira Perillo Júnior, de apenas 36 anos, derrotara, no primeiro e segundo turno das urnas de 1998, Iris Rezende Machado.
Com um estilo diferente de exercer a hegemonia política, o então moço da camisa azul, Marconi Perillo, reelegeu-se em 2002. No 1º turno. Na corrida eleitoral de 2006 fez o seu sucessor: o médico e ex – prefeito de Santa Helena Alcides Rodrigues. O ciclo do grupo político de Alcides Rodrigues durou exatos quatro anos. Marconi Perillo voltou pelas portas da frente ao Palácio das Esmeraldas. Em uma eleição direta contra o cacique Iris Rezende Machado. Quatro anos depois, novo duelo. De um lado, Marconi Perillo. Com a base aliada. De outro, Iris Rezende Machado. Com o suporte de Ronaldo Caiado. O democrata que se elegeu senador.
Com a nova derrota, a terceira, para Marconi Perillo e o Tempo Novo, Iris Rezende Machado desiste do projeto de voltar ocupar, mais uma vez, o governo do Estado de Goiás. De virar um “Inquilino da Casa Verde”. Ronaldo Caiado, senador da República, sobrevivente no cenário da oligarquia do início do século XX, lideraria, hoje, as pesquisas de opinião pública. Presidente estadual do PSD, um Homem de Estado, como se autodefine, Vilmar Rocha vê sinais de esgotamento do Tempo Novo. De fadiga da Base Aliada. No exercício de poder. O ex-titular da Secima, que deixou o cargo em dezembro de 2017, não queria José Eliton candidato. O PSD, sim.
À direta e à esquerda, as crises se avolumam. O PT, fundado no Colégio Sion, São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980, chegou ao Palácio do Planalto, em 2002. O ex – operário metalúrgico, um torneiro mecânico, Luiz Inácio Lula da Silva, elegeu-se e foi reeleito. Depois, elegeu e reelegeu a sua sucessora. A ex – guerrilheira da Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares, economista Dilma Rousseff, presa e torturada à época da ditadura civil e militar [1964-1985]. Um consórcio montado entre PMDB, PSDB, PP, PTB e PR promoveu um golpe frio, líquido, parlamentar, com os suportes do Aparato Jurídico do Estado e dos conglomerados de comunicação.
Sem ter cometido crime de responsabilidade, nem escondido R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador, Bahia, muito menos carregado uma mala com R$ 500 mil, em dinheiro vivo e sujo, enlameado pela JBS, para comprar apoio político e parlamentar, Dilma Rousseff sofre impeachment. A história do Tempo Presente se repete, como em Honduras, em 2009, Paraguai, 2012, e ameaça a Venezuela, em 2018, com tiros, pauladas e bloqueios econômicos. As veias da América Latina parecem estar abertas. Crises cíclicas causam turbulências na economia. É o que diz o velho barbudo Karl Marx [1818-1883]. O cenário segue tal sina histórica
A História do Brasil é rica em exemplo. De ciclos. Gaúcho de São Borja, o fazendeiro Getúlio Vargas permaneceu, depois da Revolução de 1930, 15 anos no poder. Caiu após a segunda guerra mundial. Voltou pelas urnas, em 1950, e suicidou-se em 24 de agosto de 1954, às 8h30, no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, em seus aposentos presidenciais. A ditadura civil e militar teria sido uma noite trágica que duraria exatos 21 anos. A Nova República, com José Sarney, apenas cinco anos. Anos Fernando Henrique Cardoso, a da Privataria Tucana, como diz Elio Gaspari, oito anos. O PT em Brasília, 14 anos. O que virá por aí pós- 2018? É só aguardar.
Renato Dias, 50 anos de idade, é graduado em Ciências Sociais, pela Universidade Federal de Goiás. Mais: pós-graduado em Políticas Públicas, pela mesma instituição de ensino superior, a UFG. Em tempo: com curso de Gestão da Qualidade, pela Fieg, Sebrae-GO e CNI. Além de jornalista pela Faculdade Alves de Faria, a Alfa. O repórter especial do jornal Diário da Manhã e colaborador do www.brasil247.com é também mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica, a PUC de Goiás. É autor de 13 livros-reportagem, premiado por obras investigativas e reportagens de direitos humanos.

CRONOLOGIA
1930 Oligarquia Caiado cai
1964 Mauro Borges deposto
1969 Pedro Ludovico cassado
1982 Iris Rezende vence
16 Anos de Tempo Velho
1998 Marconi Perillo eleito
20Anos de Tempo Novo
2018 Eleições: 7 de outubro