Política

Um índio quer governar Goiás

Redação DM

Publicado em 26 de abril de 2018 às 03:23 | Atualizado há 8 anos

Um karajá quer governar o Esta­do de Goiás. João Batista Tapuia, 53 anos, nasceu na Ilha do Bananal, fi­lho de pai e mão índios. Cedo, po­rém, a família, já assimilada, se mu­dou para Goiânia. Tapuia – apelido que ele adotou como nome – gra­duou-se em Psicologia pelo campus de Uberlândia da UFMG. Atualmen­te, trabalha em administração hos­pitalar. É líder comunitário, tendo participado da fundação de diversas entidades. É casado, pai de dois filhos.

A postulação de Tapuia é dife­rente de tudo que se viu até agora. Ele pretende ser candidato a gover­nador sem estar filiado a partido político. Uma candidatura avulsa. Seria isto possível? O senso comum jurídico indica que não. A legisla­ção exige, como condição de ele­gibilidade, que o postulante seja filiado a um partido político regu­larmente registado. Tapuia não está filiado a nenhum partido.

Ele acredita que há possibilidade jurídica. Existemprecedentes. Recen­temente, um juiz eleitoral de Apare­cida de Goiânia, Hamilton Carneiro, concedeu a um postulante o direito de secandidataraqualquercargoele­tivo este ano. Segundo o magistrado, dois tratados internacionais de que o Brasil é signatário têm força de emen­da constitucional e, com base nisso, é possível o registro de candidaturas avulsas. Uma das autoras da ação é a União Nacional dos Juízes Fede­rais (Unajuf), que promove campa­nha a favor da possibilidade de can­didaturas avulsas.

A questão é altamente contro­versa. Tapuia acredita que terá que obter liminares para obter o regis­tro de sua candidatura. Caso con­siga, como fará sua campanha? Terá acesso à televisão?

São problemas que ele, Tapuia, deixa para resolver lá na frente. Por enquanto, ele vai tocando seu proje­to na base do corpo a corpo. Ele já visi­tou mais de 100 cidades goianas. Em toda parte onde chega, dá entrevistas em emissoras de rádio ou fala em re­cintos fechados. Diz que a receptivi­dade é muito boa, e que as pessoas o encorajam a perseverar na luta.

Ele explica sua opção pela aventu­ra jurídica de uma candidatura avul­sa. “O povo já não acredita mais nes­ta oligarquia que há mais de 40 anos governa o Estado, já está cansado de tanto cinismo”. Para Tapuia, todos os partidos são iguais. O jogo partidário lhe parece uma grotesca hipocrisia, em que os políticos que hoje se ofen­dem em praça pública, amanhã tro­cam juras de amor como se nada ti­vesse acontecido antes. Caiado, que denunciou com veemência os mais cabeludos escândalos dos gover­nos peemedebistas (caso Cachoei­ra Dourada, Caso BEG, caso Caixego etc), segundo Tapuia, é o mesmo que agora se cala sobre estes assuntos.

PARTIDOS

Ele lembra, por exemplo, que o senador Caiado, em 1998, quando apoiava Marconi, referia-se a Iris Re­zende Machado de forma insultuosa, debochada. Hoje os dois são aliados contra Marconi Perillo. “Nos sabe­mos que nesta panela cabem todos os políticos que hoje detêm mandato no Estado de Goiás”. Os atuais parti­dos, diz o pré-candidato, se alternam no poder há 40 anos, mas, no conjun­to, são uma coisa só, brigam entre si apenas no período eleitoral”.

“A única coisa que se ouve dessa gente é privatização. Querem pri­vatizar tudo. Estão vendendo aos poucos o patrimônio do povo. São políticos profissionais e não que­rem por nada largar o poder”, pro­testa o pré-candidato.

PROGRAMA ELEITORAL

Tapuia, que coordena o Movi­mento Independente de Resgate do Estado de Goiás – Mirego, “con­tra a corrupção e as oligarquias do Estado”, aponta como sua principal prioridade a reformulação do ensi­no público, visando conciliar o aces­so universal à escola com ensino de qualidade. “Pretendemos criar Es­colas Técnicas e abolir o vestibular para ingresso na UEG, queremos desmilitarizar a educação e estabe­lecer um piso salarial para os profes­sores, e, entre outras coisas, ampliar a rede de escolas em tempo integral.

Também estão entre suas prio­ridades o aumento de investimen­tos em Saúde Pública e Seguran­ça Pública. Ele acha que o Estado deve estreitar parceria com os mu­nicípios no sentido de ajudá-los a melhorar o atendimento dos Cais e dos postos de saúde.

Para João Batista Tapuia, a solu­ção para vários problemas que afli­gem a população passam, necessa­riamente, por uma reestruturação institucional do País. Nesse sentido, ele defende a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, exclusiva, temporária, eleita pelo sis­tema distrital e, claro, com possibili­dade de candidaturas avulsas.

 



A única coisa que se ouve dessa gente é privatização. Querem privatizar tudo. Estão vendendo aos poucos o patrimônio do povo”

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