Coronavírus

Os riscos de se automedicar com informações da internet durante a pandemia

Cresce o número de pessoas que se automedicam sem ter a consciência dos riscos desse hábito. Muitos dessas pessoas buscam referências erradas na internet, mesmo para o consumo de chás e vitaminas

diario da manha
Foto/Reprodução

A automedicação é o ato de ingerir remédios para aliviar sintomas, sem qualquer orientação médica. Essa prática é considerada de risco.

Segundo uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), oito em cada dez brasileiros possuem o hábito de tomar remédios por conta própria. O estudo mostrou que durante o isolamento social, causado pela pandemia da Covid-19, o número de pessoas que se automedicam cresceu. A CFF alerta sobre os possíveis riscos de se automedicar sem a orientação de um profissional da saúde.

O Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que 79% dos brasileiros com mais de 16 anos confirmaram que já tomaram medicamentos sem orientação médica. Isso comprova que a automedicação é uma prática comum entre os brasileiros.

Durante a pandemia, muitas pessoas com o receio de procurar atendimento médico e serem contaminadas, optaram pela automedicação, o que fez a venda de alguns remédios crescerem no país. O uso de medicamentos muitas das vezes é visto como uma solução imediata para aliviar sintomas de dores e mal-estar. Muitas das vezes eles são consumidos em casos de congestão nasal, dor de barriga, dor de cabeça, resfriado, alergia, dores musculares e febre.

Para o médico João Carlos Neto Araújo, clínico geral do Sistema Hapvida, é muito importante que o individuo procure um médico quando não estiver se sentindo bem. Pois só o profissional poderá entender o que ele está sentindo, além de diagnosticar, chegar a uma causa e também iniciar um tratamento.

“Toda medicação tem seus prós e seus contras, tem suas indicações e suas contraindicações. Além disso, também tem os chamados efeitos colaterais. Então toda vez que a pessoa se automedica, ela tá ignorando as contraindicações do medicamento e também está ignorando os efeitos colaterais. Muitas vezes uma medicação que é prescrita para um paciente, não se adéqua ao sintoma ou a causa do problema de outro paciente. Por isso que é tão importante uma consulta, porque a medicação é individualizada”, explicou.

O médico também disse que vitaminas e chás são considerados remédios. O uso exagerado também pode prejudicar a saúde. “Os suplementos e vitaminas também são considerados auto medicação. Os chás são da mesma forma que os medicamentos industrializados. Eles têm contraindicações e também tem efeitos colaterais. É por isso que a gente sempre recomenda ingerir qualquer medicação, chá ou qualquer coisa, com prescrição médica. É por isso que a gente pede ao paciente não só, não fazer automedicação como também vetar (proibir ou suspender) de ingerir qualquer chá, suplemento ou vitamina C, sem orientação médica.

O uso exagerado de qualquer vitamina traz repercussões negativas ao corpo e pode desencadear um quadro de hipervitaminose, ou seja, um excesso de vitamina no organismo. O especialista afirma que tomar medicação que não seja indicada, pode acabar agravando o quadro de saúde, que ao invés de trazer benéficos, trará problemas.

Além disso, é importante estar atento de onde são absorvidas as informações a cerca do uso de medicações e tratamentos.

“A internet hoje é um terreno muito fértil para disseminação de Fake News e crendices de tratamentos sem nenhuma comprovação médica. É muito, muito perigoso se automedicar seguindo conselhos da internet”. Ele afirma que é fácil manipular o contexto de certos casos.

“É direito do paciente se informar, isso não é ruim, isso na verdade, é muito bom. É bom que o paciente procure entender seu problema, procure olhar a respeito. Mas o ideal é que qualquer medicação que ele for ingerir seja prescrita pelo médico. O conhecimento enriquece as pessoas, mas na área de saúde tem que ter bastante cuidado, principalmente quando você, utiliza esse conhecimento na internet para se automedicar”, concluiu.

A farmacologista e professora da Famerp, Rosana de Gasperi Pagliuso, aconselha. “O perigo da automedicação se agrava nos casos em que as pessoas fazem a combinação de mais de um medicamento para tentar amenizar uma dor. Para quem fez o uso e está passando mal, a recomendação é procurar o médico o mais rápido possível”.

Riscos da automedicação

O hábito de acumular remédios em casa pode causar problemas graves, como: Confusão entre medicamentos; Ingestão de substâncias após vencimento; Ineficácia no tratamento causada pelo mau armazenamento do remédio e ingestão acidental por crianças. Veja alguns riscos abaixo:

  • Intoxicação – usar doses inadequadas de remédios pode causar diversos impactos na saúde, desde a ineficácia do tratamento, até overdose da substância no organismo, que leva a intoxicação. 
  • Interação medicamentosa – há risco de um medicamento ingerido reagir em contato com outro que a pessoa usa de forma contínua. Neste caso, um pode anular ou potencializar os efeitos do outro.
  • Alívio dos sintomas que mascara o diagnóstico correto da doença – usar remédios para aliviar imediatamente dor e mal-estar pode esconder a real causa daqueles sintomas. Dessa forma, a doença não é tratada corretamente e pode se agravar.
  • Reação alérgica – ingerir medicamentos que não foram prescritos por um profissional da saúde pode causar reações não esperadas no organismo.
  • Dependência – algumas substâncias proporcionam mais chances de vício quando tomadas em doses incorretas e por tempo além do indicado por um médico. 
  • Resistência ao medicamento – o uso indiscriminado de um remédio pode facilitar o aumento da resistência dos microrganismos àquela substância. No caso dos antibióticos, por exemplo, pode prejudicar a eficácia de tratamentos em infecções futuras.

Então antes de ingerir qualquer medicamento, o ideal é realizar uma consulta com um profissional da saúde. Não é recomendado ingerir nenhum medicamento sem orientação. Além disso, a disponibilidade de informações médicas na internet cria um ambiente propício fazer o próprio diagnóstico e se medicar. Porém isso só poderá agravar ainda mais o problema de saúde. A ANVISA criou uma cartilha com orientações sobre o tema. Confira aqui.

Fonte: Segs e Pfizer

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