Casos de síndrome mão-pé-boca cresce 72% em dez dias em Goiás
Redação DM
Publicado em 24 de maio de 2023 às 13:00 | Atualizado há 3 anos
Na segunda-feira, 22, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou que o número de casos confirmados da síndrome mão-pé-boca no estado aumentou de 253 para 435 em um período de dez dias, representando um aumento de aproximadamente 72%.
No dia 12 de maio, foram confirmados 253 casos da síndrome mão-pé-boca. No período de dez dias, até a segunda-feira (22), esse número aumentou para 435. Além disso, há um registro preocupante de 65 surtos da doença em todo o estado de Goiás.
Conforme o Ministério da Saúde, a doença é uma enfermidade contagiosa causada por um vírus chamado Coxsackie, e embora possa atingir também os adultos, é mais comum na infância, antes dos cinco anos. Especialistas afirmam que a síndrome não é considerada grave, mas pode evoluir para um quadro mais severo se não receber a devida atenção. O nome da síndrome é atribuído ao fato de que as lesões são mais frequentes nas mãos, pés e boca.
Transmissão e sintomas
A transmissão da doença ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do contato direto entre pessoas ou com fezes, saliva e outras secreções, além de alimentos e objetos contaminados. Mesmo após a recuperação, a pessoa pode continuar a transmitir o vírus pelas fezes por aproximadamente quatro semanas. O período de incubação varia de um a sete dias. Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser confundidos com os de um resfriado comum.
A síndrome mão-pé-boca apresenta os seguintes sinais e sintomas:
- Elevação da temperatura corporal nos dias que precedem o surgimento das lesões;
- O aparecimento de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro na boca, amígdalas e faringe, que podem evoluir para úlceras dolorosas;
- Erupção de pequenas bolhas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, podendo também ocorrer nas nádegas e região genital;
- Sensação de mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia;
- Dificuldade para engolir devido à dor e aumento da produção de saliva.
É importante ressaltar que nem sempre a infecção pelo vírus Coxsackie causa todos os sintomas clássicos da síndrome mão-pé-boca. Em alguns casos, podem surgir lesões semelhantes a aftas na boca ou erupções cutâneas, enquanto em outros, a febre e a dor de garganta são os sintomas predominantes. Cada pessoa pode apresentar uma variedade de sintomas, e a manifestação da doença pode variar de indivíduo para indivíduo.
Diagnóstico
O diagnóstico da síndrome mão-pé-boca é geralmente feito clinicamente, não sendo necessários exames laboratoriais na maioria dos casos. Embora haja a possibilidade de o indivíduo infectado continuar eliminando o vírus nas fezes mesmo após o desaparecimento das lesões na boca, mãos e pés, o maior risco de contágio ocorre durante a primeira semana da doença.
É essencial realizar o diagnóstico diferencial com outras doenças que também podem causar estomatites aftosas ou vesículas na pele. O diagnóstico diferencial inclui condições como herpangina, estomatite aftosa, varicela, sífilis secundária, sarampo e outras doenças exantemáticas.
Tratamento
Atualmente, não há disponível uma vacina contra a síndrome mão-pé-boca. Em geral, como acontece com outras infecções virais, a doença tende a regredir espontaneamente após alguns dias. Portanto, geralmente, o tratamento consiste em aliviar os sintomas. Medicamentos antivirais são utilizados para casos mais graves. É recomendado que o paciente descanse, mantenha-se hidratado e se alimente adequadamente.
Como prevenir da síndrome mão-pé-boca
- Manter uma boa higiene ambiental e garantir uma ventilação adequada em ambientes fechados.
- Lavar as mãos frequentemente, especialmente após usar o banheiro (pois o vírus também pode ser eliminado nas fezes) e antes de manusear alimentos. É importante ter um cuidado especial com a higiene das mãos ao trocar fraldas em creches, para evitar a transmissão do vírus de uma criança para outra.
- Orientar as pessoas infectadas a se afastarem de suas atividades de trabalho e escola até que os sintomas desapareçam. Além disso, é recomendado evitar locais com aglomeração.
- Evitar compartilhar mamadeiras, talheres ou copos.
- Reduzir o contato próximo com o paciente, como abraços e beijos, dentro do possível.
- Cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir.
- Trocar e lavar diariamente as roupas comuns e roupas de cama de pessoas doentes, por poderem ser fontes de contágio, especialmente se houver secreções das lesões na pele.
- Limpar superfícies de objetos, brinquedos, paredes, interruptores, maçanetas, mesas, cadeiras e outros itens que entrem em contato com secreções e fezes dos indivíduos doentes. Isso pode ser feito lavando com água e sabão ou desinfetando com uma solução de água sanitária diluída em água pura (1 colher de sopa de água sanitária diluída em 4 copos de água limpa).
- Durante o surto, é ideal que a prevenção ocorra em objetos de crianças, como remover brinquedos de materiais difíceis de limpar. Por exemplo: pelúcias.
- Descartar adequadamente fraldas e lenços de limpeza em latas de lixo fechadas.