Economia

Estados e municípios aplicaram quase R$ 2 bilhões no Banco Master antes da liquidação

Léo Carvalho

Publicado em 19 de novembro de 2025 às 12:20 | Atualizado há 7 meses

Fundos de previdência de estados e municípios aplicaram R$ 1,86 bilhão em títulos sem garantia do FGC e agora enfrentam risco de perdas após a liquidação do Banco Master | Foto: Divulgação/BM
Fundos de previdência de estados e municípios aplicaram R$ 1,86 bilhão em títulos sem garantia do FGC e agora enfrentam risco de perdas após a liquidação do Banco Master | Foto: Divulgação/BM

Estados e municípios brasileiros aplicaram cerca de R$ 1,86 bilhão em títulos do Banco Master antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Os investimentos foram feitos por fundos de previdência de servidores públicos, que compraram letras financeiras emitidas pelo banco, papéis que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Leia também

Crise no Banco Master expõe suspeitas de fraude e fragilidades na regulação de bancos médios

Levantamento do Ministério da Previdência mostra que 17 regimes próprios de previdência de governos estaduais e prefeituras estavam expostos ao Master. O maior volume parte do Rioprevidência, do Rio de Janeiro, que investiu aproximadamente R$ 970 milhões. Outros fundos com grande participação são o Amprev, do Amapá, com cerca de R$ 400 milhões, além dos institutos de Maceió (AL), São Roque (SP), Cajamar (SP), Itaguaí (RJ), Amazonas e Aparecida de Goiânia (GO).

As aplicações foram feitas majoritariamente em letras financeiras de longo prazo, usadas pelo Master para ampliar sua captação. Com a liquidação do banco após a deflagração da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, esses títulos entram em um processo de incerteza. Sem garantia do FGC, os fundos dependem da recuperação dos ativos do banco para definir quanto poderá ser devolvido.

As investigações da PF apontam que o Master emitia carteiras de crédito consideradas insubsistentes, usadas como lastro para parte dos títulos vendidos. A suspeita de operações fictícias e gestão irregular levou ao bloqueio de mais de R$ 12 bilhões em bens do controlador Daniel Vorcaro e de empresas ligadas ao grupo.

O caso Banco Master serve de alerta sobre a governança dos fundos de previdência de estados e municípios. Técnicos e órgãos de controle avaliam o risco de perdas expressivas, principalmente entre os que concentraram grande parte do portfólio em papéis do Master. A análise da carteira real de ativos ficará a cargo da empresa nomeada pelo Banco Central para conduzir a liquidação.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia