Messias aposta em Centrão, direita e evangélicos na corrida para assumir vaga no STF
DM Redação
Publicado em 21 de novembro de 2025 às 11:32 | Atualizado há 8 meses
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) é tratada por ele e pelo Palácio do Planalto como uma operação política refinada não apenas técnica. Entre seus trunfos mais valorizados, estão a aproximação com o Centrão, a direita e lideranças evangélicas, apontam fontes próximas ao processo.
Messias, de 45 anos, é visto por Lula como uma pessoa de confiança para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. No entanto, seu caminho até o STF dependerá de mais do que respaldo técnico, exigirá votos no Senado, onde a disputa pode ser acirrada.
Fontes políticas afirmam que o indicado tem buscado reforçar sua influência por meio de diálogos com parlamentares do Centrão grupo historicamente decisivo em nomeações. Ao mesmo tempo, tenta dissipar resistências em alas de direita, essencial para garantir os 41 votos necessários no Senado. Para isso, ele tem se colocado como um nome técnico, leal à Constituição e comprometido institucionalmente.
Outro pilar central da estratégia de Messias é seu forte vínculo com lideranças evangélicas. Por ter crescido em uma família cristã e mantido uma participação ativa na Igreja Batista de Brasília, ele se posiciona como interlocutor legítimo desse segmento.
Segundo relatos, sua articulação consegue atravessar diferentes vertentes da fé evangélica desde setores mais conservadores até correntes mais progressistas. Aliados destacam esse diálogo como uma forma de Lula reforçar sua base fora de sua bolha tradicional, especialmente em um momento em que parte significativa do eleitorado evangélico é crítica ao presidente petista.
Apesar do posicionamento pragmático, alguns analistas e senadores observam tensão entre a “cara de jurista” e o caráter político da candidatura. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que, embora Messias preencha os requisitos constitucionais para ministro do STF notório saber jurídico, reputação ilibada e idade permitida, sua proximidade com o Executivo levanta dúvidas sobre a independência futura.
Por sua parte, o presidente Lula defende a nomeação com retórica institucional. Ele afirmou que “tem certeza” de que Messias defenderá a Constituição e o Estado Democrático de Direito, caso seja aprovado.
A sabatina no Senado será o momento decisivo. Messias terá que conquistar tanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto o plenário. Fontes dizem que sua indicação pegou mal em alguns senadores porque, segundo relatos, não houve comunicação direta prévia com líderes como Davi Alcolumbre.
Além disso, parte da direita política enxerga na indicação uma manobra de Lula para estender sua influência institucional por décadas, já que Messias, pelos seus 45 anos, poderia permanecer no STF por cerca de 30 anos.
Para o presidente, a escolha de Messias representa mais do que uma nomeação técnica: é uma jogada estratégica para estreitar pontes com setores que tradicionalmente não são aliados fiéis do PT. Ao indicar alguém próximo e com trânsito em diferentes blocos, Lula busca consolidar apoio no Senado e reforçar sua base política para os desafios futuros.
Se for confirmado, Messias será mais um exemplo de ministro vindo da AGU algo que tem acontecido com frequência nos últimos governos.