SP e SC concentram mais da metade do impacto do tarifaço dos EUA, diz ApexBrasil
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 17 de julho de 2026 às 16:14 | Atualizado há 2 horas
Tarifas anunciadas pelos Estados Unidos devem atingir US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras | Foto: Divulgação/Embaixada dos Estados Unidos
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, anunciou que a entidade lançará, em agosto, um plano de diversificação de mercados no valor de R$ 130 milhões para reduzir os impactos da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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Müller criticou a decisão do governo de Donald Trump e classificou a medida como “absurda do ponto de vista comercial”. Segundo ele, não há justificativa econômica para a taxação e nem mesmo empresas norte-americanas apoiam a iniciativa.
“Não há uma empresa americana que esteve conosco que defenda a medida americana”, afirmou.
O governo federal estima que o tarifaço atinge cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), considerando dados de 2024. Já a ApexBrasil calcula que, com base nas exportações de 2025, aproximadamente US$ 7,2 bilhões em produtos brasileiros serão afetados.
Entre os estados, São Paulo aparece como o mais impactado pela medida. Segundo Müller, cerca de US$ 3 bilhões das exportações paulistas para os EUA serão atingidos. Em Santa Catarina, por sua vez, 68% das vendas ao mercado norte-americano estão sujeitas às novas tarifas.
“Se a gente pegar só São Paulo e Santa Catarina, dá 52% do impacto do tarifaço”, destacou.
Plano busca ampliar mercados e apoiar setores afetados
De acordo com o presidente da ApexBrasil, o plano de diversificação priorizará a ampliação das exportações brasileiras para a Europa, aproveitando o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, além da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne países como Indonésia e Vietnã. Müller também citou oportunidades em mercados da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.
Além da abertura de novos mercados, a estratégia prevê o fortalecimento das exportações para os próprios Estados Unidos dos produtos que ficaram de fora da tarifa de 25%.
“Vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos, para aumentar nossa exportação para os EUA, especialmente desses 85 produtos que entraram na lista de exceção”, afirmou.
Segundo Müller, os detalhes do programa serão apresentados oficialmente no lançamento, em agosto. Entre as ações previstas estão a aproximação entre empresas brasileiras e compradores estrangeiros, participação em feiras internacionais, realização de missões comerciais e atuação dos escritórios da ApexBrasil instalados na Europa e nos Estados Unidos.
A agência informou ainda que continuará negociando a ampliação da lista de produtos isentos, embora reconheça que alguns setores terão maior dificuldade para encontrar novos mercados.
Atualmente, a ApexBrasil mantém contato com 57 empresas e entidades representativas. Entre elas estão a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abmel), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o Centrorochas, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).
Müller também afirmou que uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos é uma decisão que cabe ao governo federal, mas alertou para o risco de perda de mercado por parte das empresas brasileiras.
“É justamente o que não queremos que aconteça porque esse é o grande dano: quando não apenas se deixa de exportar, mas quebra o relacionamento”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de uma nova tarifa, decorrente de uma investigação norte-americana relacionada ao suposto uso de trabalho forçado, o presidente da ApexBrasil afirmou que o Brasil não tem motivos para receio, mas deve estar preparado para um eventual novo cenário. Nesse caso, a taxa prevista seria de 12,5%, cuja aplicação dependerá de uma decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (FOLHAPRESS/ISADORA ALBERNAZ)