Internacional

Tragédia no Himalaia deixa mais de 1,1 mil mortos e milhares de desaparecidos após enchente

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:17 | Atualizado há 1 hora

Passa de mil o número de mortos após deslizamento de terra entre o Nepal e a China | Foto: Prabin Ranabhat/AFP
Passa de mil o número de mortos após deslizamento de terra entre o Nepal e a China | Foto: Prabin Ranabhat/AFP

Uma semana após a enchente repentina que atingiu a região do Himalaia, a dimensão da tragédia continua aumentando. O número de mortes confirmadas no Nepal e na China chegou a 1.130, enquanto cerca de 4.500 pessoas permanecem desaparecidas nos dois lados da fronteira.

O Nepal concentra a maior parte das vítimas. Segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (2) pela Autoridade Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres (NDRRMA), 1.114 corpos foram encontrados em território nepalês. Na China, o governo mantém o registro de 16 mortes confirmadas desde domingo (30).

As autoridades nepalesas também informaram que aproximadamente 12 mil pessoas foram resgatadas após a sequência de eventos extremos que atingiu a região.

Desastre começou com colapso de geleira

A catástrofe ocorreu na manhã de 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira no lado nepalês desencadeou uma enorme inundação e deslizamentos de terra em uma área remota da fronteira entre Nepal e China.

A força da água provocou destruição em comunidades próximas aos rios e arrastou estruturas inteiras. Com o recuo gradual das águas, a dimensão dos estragos passou a ficar ainda mais evidente, revelando casas destruídas, prédios reduzidos a escombros e grandes áreas cobertas por lama.

Devighat tenta recomeçar depois da devastação

Entre os locais mais afetados está Devighat, cidade às margens do rio Trishuli. Aproximadamente 300 casas foram destruídas ao longo da margem do rio, deixando famílias sem moradia e obrigando a comunidade a buscar alternativas emergenciais para continuar vivendo.

Agora, com o nível da água mais baixo, moradores retornam às áreas devastadas em busca de objetos que possam ser aproveitados ou recuperados. O que é encontrado é levado para abrigos provisórios, onde estão alojadas pessoas que perderam suas casas.

Em algumas residências, a lama ainda alcança o primeiro andar. Telhados desmoronados, paredes danificadas e grandes volumes de entulho fazem parte do cenário deixado pelo desastre. A retirada dos destroços é lenta e difícil diante da extensão dos danos.

Para os sobreviventes, o sentimento de alívio por terem escapado se mistura à preocupação com familiares e vizinhos que continuam desaparecidos. A violência da inundação, capaz de deslocar construções inteiras, tornou ainda mais difícil determinar o paradeiro de muitas pessoas.

Escolas viram abrigos para famílias

Diante da destruição das moradias, prédios escolares passaram a funcionar como abrigos temporários para os sobreviventes. Organizações também trabalham para garantir alimentação e itens essenciais às famílias afetadas.

Em diferentes pontos de acolhimento, são oferecidas duas refeições por dia, enquanto roupas e outros produtos básicos continuam sendo necessários. Muitas pessoas deixaram suas casas sem conseguir retirar pertences e perderam praticamente todos os bens durante a passagem da água e da lama.

Em um dos abrigos, uma organização beneficente distribuiu sáris e outras peças de vestuário para mulheres e meninas, mostrando como a resposta humanitária vai além da alimentação e envolve também necessidades básicas do cotidiano.

Reconstrução será desafio de longo prazo

Além das buscas por desaparecidos, os moradores precisam lidar com a reconstrução de casas, estradas e estruturas comunitárias. A recuperação das áreas atingidas deve ser especialmente complexa em razão da quantidade de lama e entulho deixada pela inundação.

Enquanto equipes de resgate e voluntários seguem trabalhando, milhares de famílias permanecem dependentes de abrigos e do auxílio de organizações humanitárias.

Para quem sobreviveu, o desastre representa uma ruptura profunda. A perda de familiares, casas, documentos, objetos pessoais e meios de subsistência transforma a rotina das comunidades atingidas e cria um longo caminho de recuperação pela frente.

Uma das moradoras resumiu o sentimento compartilhado por muitos sobreviventes: depois da tragédia, a vida de quem conseguiu escapar dificilmente voltará a ser como antes.

Nepal e China contabilizam 1.130 mortes e cerca de 4.500 desaparecidos | Foto: Reprodução/Redes Sociais

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