Política

Caiado é confrontado por Josias sobre apoio a Flávio Bolsonaro e responde: “Contenha seu petismo”

Léo Carvalho

Publicado em 7 de outubro de 2026 às 16:20 | Atualizado há 48 minutos

Caiado respondeu Josias de Souza sobre apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e defendeu sua trajetória política | Foto: Reprodução/UOL
Caiado respondeu Josias de Souza sobre apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e defendeu sua trajetória política | Foto: Reprodução/UOL

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) protagonizou um embate com o jornalista Josias de Souza ao ser questionado sobre o apoio declarado a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A cobrança ocorreu durante entrevista ao UOL News e teve como centro a mudança de posição de Caiado, que durante a campanha havia feito críticas contundentes ao senador.

Josias lembrou que Caiado havia afirmado, durante o primeiro turno, que “tanto faz roubar com a mão esquerda ou com a mão direita, é ladrão do mesmo jeito”, em referência às acusações que envolviam os dois principais adversários da disputa. Na sabatina do SBT News, em agosto, Caiado também havia dito que quem rouba não poderia posteriormente se apresentar como autoridade para combater o crime.

Na entrevista, o jornalista questionou se a decisão de apoiar Flávio não representaria uma contradição diante das críticas feitas anteriormente. Josias citou ainda as controvérsias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que Flávio Bolsonaro também não representaria uma alternativa livre de questionamentos.

Caiado reagiu afirmando que não considera sua trajetória política marcada pelo oportunismo e que não retiraria as críticas feitas durante a campanha.

“Eu não sou farsante. Eu sou um homem que tive posições na minha vida. E eu respeito o processo democrático”, respondeu.

O ex-governador afirmou que sua decisão de apoiar Flávio ocorreu depois da definição do segundo turno e que não pretende negar as posições que assumiu anteriormente.

“Eu fui candidato. Eu não renunciei à minha posição de disputar uma eleição. Agora, definido o processo eleitoral, eu disse e reafirmo aqui: apoiei, apoio o Flávio Bolsonaro no segundo turno”, declarou.

Caiado também afirmou que seu apoio não significa considerar Flávio “a melhor coisa do mundo”. Segundo ele, a escolha decorre do resultado das urnas e da oposição ao PT.

“Não estou dizendo aí amanhã que ele passou nas águas do Jordão e que seja a melhor coisa do mundo, mas é aquele que a sociedade o levou contra o PT”, afirmou.

Durante a resposta a Josias, Caiado rejeitou a ideia de que seu apoio pudesse ser interpretado como uma tentativa de apagar as críticas feitas anteriormente. O ex-governador disse que nunca adotou uma postura de neutralidade na política.

“Eu tenho que decidir em cima daquilo que a população deliberou. (…) Eu sou um homem de coragem que briga de frente. Nunca briguei pelas costas e nunca fui oportunista em campanha”, afirmou.

A declaração ocorre um dia depois de Caiado formalizar seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em um evento realizado nesta terça-feira (6) em Goiânia. No primeiro turno, o ex-governador havia terminado fora da disputa pelo segundo turno e, posteriormente, declarou apoio ao senador. O PSD, entretanto, decidiu manter neutralidade institucional, liberando seus filiados para escolherem individualmente seus posicionamentos.

Caiado também voltou a sustentar que sua trajetória pessoal e profissional não dependeu de nomeações políticas. Ele citou sua passagem por diferentes atividades e cargos públicos para contestar a ideia de que teria aderido ao apoio a Flávio em busca de vantagens.

“Na minha vida, Josias, nunca tive um cargo por nomeação. (…) Não tenho nomeação, não dependo amanhã de benesses de política e eu mantenho a minha vida”, disse.

Ao final da resposta, Caiado afirmou que não aceitaria que sua trajetória fosse colocada em dúvida por causa da mudança de posicionamento no segundo turno.

Caiado também rejeitou a ideia de que seu apoio a Flávio Bolsonaro tenha relação com interesses pessoais. Ao defender sua trajetória, afirmou que nunca ocupou cargo por nomeação e que sempre exerceu atividades públicas e profissionais por meio de concurso ou mandato eletivo.

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