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Trump questiona eleição de Lula, mas diz que não pretende interferir no Brasil. Veja vídeo

Léo Carvalho

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 13:27 | Atualizado há 2 horas

Donald Trump criticou a ampliação do horário de votação no Brasil, mas afirmou que mantém boa relação com Lula | Foto: Andrew Harnik
Donald Trump criticou a ampliação do horário de votação no Brasil, mas afirmou que mantém boa relação com Lula | Foto: Andrew Harnik

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou a condução da eleição presidencial brasileira que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25), mas afirmou que não cabe a ele governar o Brasil. Em declaração nesta segunda-feira (26), o republicano criticou a ampliação do horário de votação e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral, sem apresentar provas de fraude.

“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só achei que a eleição foi… Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele, mas a extensão dada foi muito estranha”, declarou Trump a jornalistas.

O presidente americano também afirmou que não tomou partido na disputa, mas disse que o resultado lhe pareceu irregular. As declarações ocorreram um dia depois da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras.

Segundo a apuração oficial, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O senador não reconheceu a derrota e anunciou que pretende contestar o resultado na Justiça.

A principal crítica de Trump foi direcionada à decisão que permitiu a continuidade da votação até as 19h em seções eleitorais abrangidas pela medida. Normalmente, as urnas são fechadas às 17h, no horário de Brasília.

A ampliação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos relacionados a dificuldades no transporte de eleitores. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram solicitações para estender o horário em determinadas localidades.

Posteriormente, a decisão foi esclarecida para estabelecer que a prorrogação se aplicava às seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h.

Trump afirmou que a extensão do horário lhe pareceu suspeita e classificou a eleição como possivelmente fraudada. Entretanto, não apresentou evidências que sustentassem a acusação.

Uma análise de registros eleitorais citada pela Reuters indicou que menos de 35 mil votos foram registrados durante as duas horas adicionais, volume equivalente a aproximadamente 0,03% do total. O número, isoladamente, não demonstra irregularidade no resultado.

Apesar das críticas ao processo eleitoral, Trump afirmou manter uma boa relação com Lula. A declaração ocorre em um momento em que os dois governos precisam conduzir as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos após a definição do próximo mandato presidencial brasileiro.

Durante a campanha, Trump evitou declarar apoio público a um dos candidatos brasileiros. O presidente americano afirmou que acompanhava a disputa, mas não anunciou preferência eleitoral.

A manifestação de segunda-feira foi seu primeiro comentário público sobre o resultado do segundo turno, segundo a agência Reuters.

Trump questiona eleição de Lula, mas diz que não pretende interferir no Brasil
O presidente dos Estados Unidos destacou que sua responsabilidade é governar o próprio país e afirmou ter uma boa relação com Lula | Foto: Ricardo Stuckert

Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir a anulação da eleição, usando como argumento a decisão judicial que ampliou o horário de votação. O senador questiona a medida, embora ela tenha sido solicitada pelas duas campanhas.

A declaração de Trump ocorreu nesse contexto, mas o presidente americano não anunciou medida diplomática ou ação concreta contra o resultado eleitoral brasileiro.

A vitória de Lula foi proclamada pela Justiça Eleitoral após a apuração dos votos. Até o momento das declarações de Trump, o presidente americano não havia apresentado provas de fraude que sustentassem suas suspeitas.


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