Nos EUA, Flávio Bolsonaro enfrenta três investigações e articula defesa no STF
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 30 de outubro de 2026 às 09:40 | Atualizado há 2 horas
Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos e é alvo de três investigações no STF | Foto: Callaghan O'Hare/Reuters
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais, está nos Estados Unidos e deve concentrar os próximos meses na construção de sua defesa em três investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Diferentemente do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, o parlamentar constituiu uma equipe de advogados para representá-lo, que trabalha para evitar novas decisões judiciais contra ele.
Flávio deixou o Brasil na noite da última terça-feira (27), após um dia marcado por versões desencontradas e informações falsas divulgadas por aliados sobre seu paradeiro. Acompanhado da mulher e das duas filhas, ele embarcou em um avião com destino à Argentina, fez escala no Equador e, posteriormente, seguiu para Miami, nos Estados Unidos.
A saída do país ocorreu após o STF determinar que o senador entregasse seus passaportes às autoridades brasileiras. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, por meio de empresas ligadas a Tomaz e plataformas de apostas.
Pedido de asilo e investigações no Supremo
Nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro deve solicitar asilo político ao governo de Donald Trump. A intenção é alegar que sofre perseguição política, ameaças e graves violações de direitos no Brasil. Paralelamente, seus advogados tentam retirar de Alexandre de Moraes a relatoria do caso sobre lavagem de dinheiro e transferi-la ao ministro André Mendonça.
Além desse procedimento, o senador responde a outras duas apurações no STF. Uma delas envolve possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A outra diz respeito a uma publicação nas redes sociais, feita em 3 de janeiro deste ano, na qual Flávio atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Em julho, o parlamentar passou a ser investigado pelos pagamentos realizados por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para custear a produção cinematográfica. O caso está sob a relatoria de André Mendonça.
No conjunto, os três procedimentos apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, possíveis irregularidades no financiamento do longa-metragem e uma acusação de calúnia contra o presidente da República.
Encontro com aliados e repercussão de carta nos EUA
Durante a permanência nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro também se encontrou com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, ambos condenados pelo STF e atualmente no país norte-americano.
Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Ele não constituiu advogado nos autos e foi representado pela Defensoria Pública da União (DPU).
Ramagem, por sua vez, recebeu pena de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime fechado. Além da condenação, perdeu o mandato parlamentar e o cargo de delegado da Polícia Federal. Ele foi considerado culpado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Após a condenação, o ex-deputado deixou o Brasil e passou a ser considerado foragido. Em 13 de abril de 2026, foi detido em Orlando, na Flórida, por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em razão de uma situação migratória irregular. Ele foi liberado posteriormente.
A saída de Flávio do Brasil também provocou repercussão entre aliados políticos. Já em território norte-americano, o senador publicou uma carta que gerou desconforto entre integrantes do PL e partidos que estiveram ao seu lado durante o segundo turno das eleições presidenciais.
No documento, ele se apresentou inicialmente como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, republicou o texto nas redes sociais, retirando a expressão e passando a se definir como “líder do Brasil”.
A declaração foi criticada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ao ser questionado sobre a publicação durante uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o dirigente afirmou: “Não gostei, não gostei”.
Além das críticas partidárias, um grupo de advogados apresentou uma representação à Polícia Federal para pedir a investigação do uso do brasão da República na carta, que classificaram como de teor golpista.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Luiz Inácio Lula da Silva reeleito presidente após o petista conquistar 64,2 milhões de votos no segundo turno, quase 4,5 milhões a mais que Flávio Bolsonaro. O resultado foi reconhecido pelo Judiciário brasileiro, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o próprio PL, partido do senador derrotado.
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