Alta do combustível de aviação deve encarecer passagens no Brasil
Redação Online
Publicado em 4 de abril de 2026 às 10:06 | Atualizado há 4 meses
O forte aumento no preço do querosene de aviação (QAV) já começa a pressionar o valor das passagens aéreas no país. Em fevereiro, os bilhetes registraram alta de 11,40%, e a tendência é de novos aumentos nos próximos meses.
A responsável pelo reajuste foi a Petrobras, que elevou o preço do combustível em cerca de 54,8% no início de abril. Em algumas regiões, a alta chegou a 56%, dependendo da forma de venda e da localização.
Esse combustível é um dos principais custos das companhias aéreas. Com o novo reajuste, ele passou a representar cerca de 45% das despesas operacionais das empresas, segundo a Abear. Antes, essa participação ficava em torno de 30%.
O aumento tem origem no cenário internacional. O preço do petróleo subiu após conflitos no Oriente Médio, elevando o valor do barril tipo Brent de cerca de US$ 70, no fim de fevereiro, para mais de US$ 100 no início de abril. Como o Brasil acompanha os preços do mercado global, o impacto chega rapidamente ao consumidor.
Em cidades como Belém, por exemplo, o preço do combustível saltou de pouco mais de R$ 3.500 para quase R$ 5.500 por metro cúbico. Esse encarecimento atinge diretamente o custo das operações aéreas.
Empresários do setor de aviação explicam que o impacto acontece de três formas principais: o aumento direto do custo do combustível, a influência do dólar já que os preços seguem o mercado internacional e a dificuldade das empresas em reduzir gastos rapidamente.
Segundo economistas, o repasse para o consumidor não é imediato nem total, mas tende a acontecer com o tempo. Ou seja, as passagens podem continuar subindo gradualmente.
Além disso, há críticas sobre a dificuldade do país em lidar com esse tipo de cenário. Para analistas, fatores internos como impostos elevados e custos operacionais complexos também contribuem para o aumento das tarifas.