PF cumpre 49 mandados e investiga desvio de emendas para filme sobre Bolsonaro
Léo Carvalho
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 10:22 | Atualizado há 48 minutos
PF apreendeu sete armas durante operação que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares destinados à produção “Dark Horse” | Foto: JuriNews
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido destinados à produção do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao todo, 49 mandados de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), apontado como autor das emendas investigadas e roteirista do filme, e Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção da obra.
A operação, batizada de Make Up, foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante as diligências, os agentes apreenderam sete armas, conforme imagem divulgada pela Polícia Federal.
Segundo a investigação, os recursos públicos teriam sido repassados por meio de termo de fomento a uma organização da sociedade civil. A suspeita é de que parte do dinheiro tenha sido direcionada posteriormente para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação de que os serviços contratados tenham sido efetivamente realizados.
A PF também investiga a participação de agentes públicos e privados em uma possível organização criminosa. De acordo com o órgão, as suspeitas de ocultação e dissimulação dos valores teriam continuado até julho deste ano.
Análises financeiras realizadas durante a investigação identificaram movimentações que chegam a centenas de milhões de reais entre empresas que teriam relação com o esquema investigado.
Entre os crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
A defesa de Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos foi feita de forma correta. Ela também declarou à coluna Mônica Bergamo que não houve irregularidade na utilização do dinheiro. A defesa de Mário Frias ainda não havia sido localizada até a publicação.
O caso possui ainda outra investigação no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.