Cotidiano

Tratamento injetável contra HIV avalia intervalo de quatro meses em estudo internacional

Redação Online

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 23:58 | Atualizado há 44 minutos

Pesquisa avalia injeção contra HIV com intervalo de quatro meses entre as doses | Foto: Reprodução
Pesquisa avalia injeção contra HIV com intervalo de quatro meses entre as doses | Foto: Reprodução

Uma pesquisa internacional de fase 3 investiga uma alternativa ao uso diário de medicamentos contra o HIV: uma injeção com efeito prolongado, aplicada a cada quatro meses. O estudo CUATRO analisa formulações de cabotegravir e rilpivirina, dois antirretrovirais, com foco na ampliação do intervalo entre as doses.

O projeto prevê a participação de aproximadamente 564 voluntários em diferentes países, com acompanhamento até 2029. Os principais resultados, porém, devem sair antes do encerramento da pesquisa. No Brasil, 65 pessoas já integram o estudo e outras cinco passam pela triagem, segundo o infectologista José Valdez Ramalho Madruga, pesquisador do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo.

Entre os participantes está Pisci Bruja, antropóloga, pesquisadora, travesti e ativista pelos direitos das pessoas que vivem com HIV. Doutoranda em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina da USP, ela foi a primeira voluntária no Brasil a iniciar a etapa que testa o intervalo de quatro meses entre as aplicações.

Pisci relata que a adesão diária aos medicamentos se tornou mais tranquila ao longo dos anos, mas ressalta que o estigma ainda representa um obstáculo para muitas pessoas. “Tomar uma medicação todos os dias não é uma questão simples, principalmente por causa do estigma em torno do HIV. Muitas pessoas fazem isso escondidas, vão ao serviço de saúde escondidas e têm medo de que a sorologia seja exposta e de sofrer as consequências disso. Por isso, essa medicação injetável pode ser muito benéfica”, afirmou.

Além de reduzir a frequência das doses, a terapia pode beneficiar pessoas com intolerância aos medicamentos orais ou dificuldade para manter o tratamento diário. Por estar em fase de testes, a alternativa ainda depende dos resultados da pesquisa e de uma eventual aprovação para uso amplo.


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