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Teste: Impressões ao dirigir o Renault Boreal, nova referência no segmento dos SUVs médios

Norton Luiz

Publicado em 11 de dezembro de 2025 às 10:35 | Atualizado há 7 meses

Literalmente, a Renault vive uma nova era na oferta de veículos de ponta, longe de ser a marca francesa que se arrastava entre um modelo e outro que não conseguia brigar no topo das estatísticas de vendas nos tempos do Sandero e Logan, mas que marcou presença com o luxo do Megane.

A marca mudou para melhor e deu o segundo passoao seu novo tempo com o lançamento do Boreal, em outubro passado. O modelo nasce sabendo o que tem pela frente como adversários suas qualidades o colocam em posição de destaque.

Antes, a Renault deu start às mudanças com o lançamento do Kardian, em 2024. Com ele, estreou a nova plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform), que seria posteriormente aplicada nos novos modelos da marca. O Renault Boreal, modelo global desenvolvido e fabricado no Brasil, nasceu sob esta nova plataforma, a mesma que dará origem aos seus modelos eletrificados, a partir de 2027 em parceria com a Geely.

Abrindo a renovação do seu portfólio com o Kardian, a Renault prometeu um SUV médio inédito para 2025. Aí veio o Boreal. O modelo estreou em alto estilo no mercado e antes mesmo de se mostrar por completo já conquistou prêmios importantes, como a de Carro do Ano 2025. Com seu novíssimo SUV, apresentado nas versões Evolution, Techno e Iconic, a Renault dá mais um passo na consolidação dos seus produtos no mercado brasileiro e marca presença forte pelas novas referências que seu SUV médio apresenta.

Muito das mudanças de postura que ocorrem hoje com as marcas tradicionais no País se devem muito mais à chegada dos chineses no Brasil. Os maiores fabricantes de veículos do mundo trouxeram produtos que atraem os consumidores brasileiros, em especial no segmento dos SUVs, onde a preferência de consumo é gritante. A Renault mexeu bem o tabuleiro, com seu projeto focado em design e tecnologia, e já ganha visibilidade no competitivo segmento.  

No seu primeiro passo a Renault saiu bem na foto com o Kardian. No segundo, com o Boreal, a tacada de bom gosto no processo de renovação não foi diferente. Para o próximo ano vem mais novidade da marca, mas desta vez no segmento das picapes médias, com o lançamento da Niagara. O certo é que a Renault decidiu mudar e com seus dois primeiros modelos com a nova plataforma RGMP atraiu as atenções do mercado para seus produtos.

Os prêmios conquistados, inicialmente pelo Kadian e agora com o Boreal, mostram a boa colheita da nova realidade plantada pela fabricante francesa. A marca entendeu a necessidade da mudança diante da oferta de tantos produtos modernos e tecnológicos, além de preços competitivos. Os chineses chegaram forte ao Brasil, mostrando que não estão para brincadeiras. Não mesmo! Então, a saída e ir para o confronto e a Renault já se arma bem para a briga acirrada.

Vamos falar do Renault Boreal, SUV médio que acaba de chegar ao mercado brasileiro com motor puramente a combustão, mas com a promessa de fugir do tradicional na propulsão e entrar na era da hibritização. Andamos na versão mais completa, a Iconic, vendida por R$ 214.990. Não foi ainda com o seu novo SUV que a Renault partiu para a eletrificação, quando o assunto se volta para fabricação nacional.

Os chineses vieram mais adiantados no tempo e nos preços mais atrativos. Com isso, forçam os fabricantes nacionais a voltarem os olhos para a nova realidade.

O Boreal é o segundo modelo fabricado pela Renault em sua nova fase no Brasil. Não trouxe ainda a eletrificação, mas seu novo modelo é uma resposta forte aos SUVs chineses e também aos seus principais concorrentes nacionais, como o Jeep Compass e o Corolla Cross. Na lista entra ainda o Volkswagen Taos. Seus atrativos estão, além dos preços, no design moderno, porte atlético, dimensões generosas, bom acabamento e nas tecnologias que traz a bordo.

O motor 1.3 turbo flex, com 156 cv (G) e 163 cv (E) e 27,5 kgfm responde bem sob o capô, associado ao câmbio automatizado de dupla embreagem, banhada a óleo. O resultado combina eficiência e baixo consumo arrastando seus 1.438 kg. Um seletor de modos de condução eco, comfort, sport e smart deixa o motor bem acertado conforme o modo desejado. Mesmo no Eco, focado na economia, a resposta é satisfatória.

O Boreal chama a atenção logo de cara pelo design, um dos seus pontos fortes à primeira vista. Muitos dos seus elementos visuais remetem aos modelos da marca na Europa, como o Dacia Bigster, de quem herdou inspiração em muitos elementos.

Por exemplo, o novo SUV Boreal traz inspiração no desenho do capô do seu irmão europeu (lá com a marca Dacia), na maçaneta integrada à coluna C, nos elementos empregados no interior da cabine, como, por exemplo, o console central, seletor de marchas, seletor do ar-condicionado, volante, botões de vidros elétricos e chave de seta.

Medindo 4.556 mm de comprimento, o Boreal é maior que o Jeep Compass, com seus 4.404 mm, e do que ainda o Toyota Corolla Cross, com 4.460 mm, e VW Taos, com 4.461 mm. Contudo, é menor que Jeep Commander, com  4.764 mm, GWM Haval H6, com 4.685 mm, e BYD Song Plus, com 4.775 mm. Seu entre-eixos de 2.702 mm fica atrás apenas do Song Plus,  Haval H6 e do Jeep Commander, com  2.765 mm, 2.738 mm e 2.794 mm, respectivamente.

Em termos de refinamento no acabamento interno, o SUV Boreal pode ser apontado como  destaque. Ele utiliza materiais suaves ao toque em vários pontos, couro azul na versão Iconic, LEDs internos com cores selecionáveis e um design charmoso. Internamente, o SUV é espaçoso e leva cinco passageiros confortavelmente. Os do banco traseiro não têm do que reclamar, que são beneficiados também pelas saídas de ar.

Quer outra vantagem oferecida pelo SUV? Seu porta-malas, com capacidade para vantajosos 522 litros, com excelente aproveitamento do espaço. A também traseira conta com abertura elétrica e abre passando o pé sob a para-choque. O fechamento se dá com um simples toque no botão localizado na base inferior da tampa. Estamos falando da versão avaliada pelo DMAutos, a Iconic.

Soma ainda às qualidades do Renault Boreal o conjunto de tecnologias e o acabamento que não deixam nada desejar aos poderosos chineses e aos concorrentes nacionais diretos. O painel de instrumentos é de 10″ com um visual customizável e de fácil manuseio. Tem excelente resolução e exibição de navegação, mesmo do Apple CarPlay e Android Auto com Google Maps e Waze, e o sistema OpenR de 10″ com Google embarcado, com loja de apps e funcionamento independente do espelhamento do telefone.

Junta a tudo que o Boreal tem de bom o sistema de som da Harman Kardon. Soma ainda o importante pacote ADAS, completo e bem calibrado na versão Iconic do Boreal, a posição de dirigir bastante confortável, o teto solar panorâmico, banco elétrico do motorista e a direção precisa e refinada, capaz de atender até mesmo os consumidores mais exigentes. O sistema conta com piloto automático adaptativo e centralizador de faixa. O modelo conta ainda com câmeras 360 e o alerta de ponto-cego.

Durante o teste com a versão topo Iconic, o Boreal, oferecido na bela e vibrante cor de lançamento, a Azul Mercure, registrou 9,9 km/litro na cidade e 13,4 km/litro na estrada, rodando com gasolina, quando o motor rende 156 cv de potência. Entre os concorrentes puramente a combustão, os números são bons, mas no comparativo com os eletrificados há uma distância considerável.

O Renault Boreal chamou a atenção por onde passou. Como ficou bonito o carro! Bem mais do que na foto! Exclamou uma das pessoas que se impressionaram com o SUV. Em dois momentos fui indagado a responder se estava gostando do Boreal da marca. Minha resposta positiva veio pronta. De Fato, o novo SUV médio da Renault ficou com uma beleza e um porte diferenciados. Não é de se surpreender que as pessoas olhem e admirem o veículo. Afinal, ficou com uma aparência de tirar o fôlego. No resto, o Boreal não decepciona em nada.

Por exemplo, o SUV tem uma dinâmica perfeita e trabalha de forma silenciosa, graças à sua acústica interna e suspensão com calibragem acima da média. O conjunto atua com precisão na absorção dos impactos, levando conforto para o interior da cabine. A versão Iconic utiliza pneus 205/55 e rodas de 19″. Nas demais, os pneus com medida 225/55 nas rodas de 18″ visa feito compensar o peso e arrasto das rodas maiores.

Abaixo da versão Iconic do Boreal, vendida por R$ 214.990, estão a Evolution, que custa R$ 199.990, e a Techno, que sai por R$ 179.990. Com o novo modelo, a Renault tem tudo para se consolidar no segmento dos SUVs do mercado brasileiro, atraindo novos consumidores e buscando os antigos que saíram da marca. No caso do Boreal para quem tem acima de R$ 200 mil para comprar um SUV médio, ficando o Kardian como opção para quem quer investir menos num carro que oferece mais do que ele pode pagar.

Conclusão: Se me perguntarem se eu compraria um Boreal, minha resposta seria sim, com certeza. Caso a pergunta fosse mais além, querendo saber os motivos, diria simplesmente porque o SUV médio nasce de um projeto novo e audacioso, tem visual bonito e robusto, além do bom espaço interno, porta-malas gigante, acabamento interno primoroso e por oferecer um conjunto mecânico que garante respostas satisfatórias e boa economia de combustível. O fato de ainda não ser eletrificado não teria problema algum pelo fato de que o Boreal na sua versão mais completa compensar em tudo a falta do sistema híbrido, que só traria vantagens na economia de combustível.

Renault Boreal Iconic – Ficha Técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.333 cm3, comando duplo variável, injeção direta, turbo, flex
Potência e torque: 156 cv a 5.000 rpm/163 cv a 5.250 rpm; 27,5 kgfm a 1.750 rpm (E)/2.000 rpm (G)
Transmissão: câmbio automatizado de dupla embreagem e 6 marchas; tração dianteira
Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, rodas de liga-leve aro 19″ com pneus 205/55
Dimensões: Comprimento (4.556 mm), Entre-eixos 2.702 mm; Largura (1.841 mm); Altura (1.646 mm)
Peso: 1.438 kg em ordem de marcha
Tanque: 50 litros
Porta-malas: 522 litros
Aceleração: 0 a 60 km/h: 4,8 s; 0 a 80 km/h: 7,0 s; 0 a 100 km/h: 9,9 s
Retomada: 40 a 100 km/h (em D): 6,9 s; 80 a 120 km/h (em D): 6,4 s
Consumo de combustível (teste)l: cidade: 9,9 km/litro; estrada: 13,4 km/litro (gasolina)


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