Economia

Dólar abre em queda acentuada nesta quarta-feira (25) com nova tarifa de Trump

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 10:44 | Atualizado há 5 meses

Dólar cai após tarifa de 10% substituir alíquota de 15% anunciada anteriormente pelos EUA | Foto: Reprodução
Dólar cai após tarifa de 10% substituir alíquota de 15% anunciada anteriormente pelos EUA | Foto: Reprodução

O dólar abriu em queda acentuada nesta quarta-feira (25) seguindo uma tendência de desvalorização da moeda frente a outras divisas do mundo. Ao mesmo tempo, os investidores apostam em ativos de maior risco, enquanto avaliam as novas críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, à decisão da Suprema Corte de impedir o uso de uma lei de 1977 para impor tarifas de importação sobre outros países.

Em uma sessão marcada pela implementação da nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o mercado de câmbio foi embalado por cautela. A alíquota estipulada pelo governo norte-americano foi de 10%, segundo aviso emitido pela Alfândega e Proteção de Fronteiras, na sigla em inglês (CBP), e não de 15%, como anunciado por Trump no sábado.

A imposição de uma taxa mais baixa gerou confusão entre os agentes econômicos, e nenhuma explicação foi fornecida pelas autoridades americanas. Passada a cautela inicial, que levou o dólar ao pico de R$ 5,184, a moeda perdeu força e passou a refletir o maior apetite por risco por parte dos investidores globais.

Às 9h10, a moeda norte-americana caía 0,59%, cotada a R$ 5,1254. Na terça, o dólar fechou em queda de 0,26%, a R$ 5,154, renovando a mínima em quase dois anos. Já a Bolsa avançou 1,39%, a 191.490 pontos, novo recorde histórico.

“Diante da diminuição da alíquota, temos visto valorizações de moedas e de ações de mercados emergentes. É um cenário de apetite por risco que tende a favorecer, principalmente, economias com juros mais altos e retornos atrativos, como o Brasil”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Nova tarifa gera cautela e confusão no mercado

A nova taxa é uma reação à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou as tarifas anunciadas no “Dia da Libertação” ilegais. O tarifaço anterior tinha como base jurídica a IEEPA . Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, que permitia a aplicação de sobretaxas de importação a todos os países sem aprovação do Congresso.

Os juízes discordaram que a lei, criada em 1977 para situações de emergência, de fato concedia ao presidente esse poder. O placar da decisão foi de 6 votos a 3. A nova carga tarifária se ampara, dessa vez, em um dispositivo de 1974. A seção 122 dá a Trump poder para impor temporariamente taxas de até 15% sobre importações quando houver déficits significativos na balança de pagamentos.

Nesse caso, a taxação expira em 150 dias, a menos que o Congresso aprove uma extensão. O governo trabalhará na emissão de tarifas “legalmente admissíveis” no paralelo, afirmou Trump

Ibovespa renova recorde histórico e avança com apoio de Petrobras, bancos e entrada de capital estrangeiro | Foto: Reprodução

A cobrança coloca em dúvida os acordos negociados recentemente pelos EUA com parceiros comerciais, já que a nova tarifa pode se sobrepor aos termos já estabelecidos. Na segunda, Trump advertiu países contra algum recuo nos entendimentos, dizendo que, se o fizerem, ele adotará tarifas muito mais altas sob diferentes leis comerciais.

O Japão solicitou aos Estados Unidos que garantam que seu tratamento sob um novo regime tarifário seja tão favorável quanto no acordo existente. Tanto a União Europeia quanto o Reino Unido indicaram que desejam manter os acordos já firmados.

Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, observou que, mesmo com o limite de 150 dias do atual conjunto de medidas, a incerteza comercial provavelmente não desaparecerá tão cedo.

“Porque teoricamente a próxima coisa que Trump poderia fazer é, com a interrupção de um dia, sempre renovar indefinidamente por mais 150 dias”, disse ele.

A China, por sua vez, instou Washington a abandonar suas “tarifas unilaterais”, sinalizando que está disposta a realizar outra rodada de negociações. Em meio às dúvidas sobre o cenário, o dólar ganhou terreno ante o iene, o euro e a libra. O índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,13%, a 97,87 pontos.

Cenário doméstico favorece real e ibovespa

No Brasil, os analistas repercutem os resultados das contas do governo central e do estoque de crédito, que foram divulgados nesta manhã. O governo central apresentou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, informou o Tesouro Nacional.

Já o estoque de crédito caíram 18,9% em janeiro na comparação com o mês anterior, segundo o Banco Central. Há uma leitura de que as novas tarifas podem ser benéficas ao país, já que são significativamente menores do que a carga que antes incidia sobre alguns produtos brasileiros. Essa visão aumenta a atratividade do mercado nacional, já beneficiado pelo fluxo de investidores estrangeiros para praças emergentes.

“Sob a ótica técnica, a cotação ainda rompeu o suporte em R$ 5,20, faixa que concentrava posições compradas relevantes. A perda desse nível desencadeou ajustes de portfólio e amplificou o movimento de apreciação do real, com redução tática de exposição à moeda americana”, diz Jaqueline Neo, especialista de câmbio e crédito da be.smart.

Já o Ibovespa se recuperou da queda da véspera. “As tensões envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a puxar o petróleo para cima e Petrobras está acompanhando o ritmo, empurrando o Ibovespa. O setor bancário avança após um pregão de realizações na segunda, e há ainda o fluxo de estrangeiros para o mercado brasileiro, o que colabora para que o dólar siga se desvalorizando”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Praças europeias fecharam em estabilidade, como o DAX e o FTSE, e Wall Street avançou, com os principais índices embalados por ações de tecnologia. A Anthropic anunciou dez novas ferramentas de inteligência artificial, impulsionando o setor.
(Folhapress)


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