Economia

Rombo de R$ 8,5 bilhões atinge banco ligado a Edir Macedo, dono da RecordTV

Léo Carvalho

Publicado em 8 de abril de 2026 às 12:22 | Atualizado há 3 meses

Banco Digimais enfrenta crise financeira bilionária e aumenta pressão sobre negócios ligados ao dono da Record | Foto: Reprodução Internet
Banco Digimais enfrenta crise financeira bilionária e aumenta pressão sobre negócios ligados ao dono da Record | Foto: Reprodução Internet

O rombo estimado em R$ 8,5 bilhões no banco Digimais, instituição ligada ao empresário e líder da Igreja Universal, Edir Macedo, colocou novamente sob os holofotes a relação entre poder religioso, influência midiática e negócios financeiros no Brasil. Dono do grupo de comunicação Record, Macedo agora vê seu nome associado a uma crise que levanta dúvidas sobre a solidez de empreendimentos vinculados ao seu grupo econômico.

Com patrimônio líquido negativo — um dos sinais mais graves de deterioração financeira no setor bancário — o Digimais passou a ser visto como um caso preocupante não apenas para investidores, mas também para o próprio sistema financeiro. O cenário levanta questionamentos sobre gestão, transparência e o risco sistêmico que uma eventual quebra poderia provocar.

O tamanho do déficit chama atenção pela magnitude. Um buraco bilionário não apenas compromete a saúde financeira da instituição, mas também alimenta críticas sobre como empresas ligadas a figuras de grande influência política, religiosa e midiática operam sob menor escrutínio público até que crises venham à tona.

Outro fator que aumentou a desconfiança do mercado envolve a qualidade dos ativos do banco. Há suspeitas sobre a real avaliação de parte desses patrimônios e dúvidas sobre registros considerados difíceis de comprovar, o que pode ter mascarado a real situação financeira ao longo dos anos.

Enquanto o futuro do Digimais permanece indefinido, a crise coloca pressão sobre a imagem empresarial de Edir Macedo, dono da RecordTV | Foto: Divulgação

Promessas vazias

Além disso, a estratégia recente de oferecer CDBs com rentabilidade acima da média do mercado também passou a ser interpretada como um possível sinal de estresse financeiro. Esse tipo de movimento, comum em instituições sob pressão de caixa, costuma indicar necessidade urgente de captação de recursos, o que aumenta a percepção de risco entre analistas.

O caso já está no radar do Banco Central (BC) e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que monitoram os desdobramentos diante do risco de impacto em investidores e no próprio mecanismo de proteção financeira. O fundo garante até R$ 250 mil por CPF em aplicações elegíveis, o que poderia gerar efeitos em cadeia caso a crise se agrave.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que a venda do banco pode ser a única saída para evitar um colapso mais profundo. O BC já teria cobrado reforço de capital e mudanças administrativas, evidenciando que a situação deixou de ser apenas um problema corporativo para se tornar um tema de interesse regulatório.

O episódio também reforça o debate sobre a concentração de poder econômico em grupos que misturam comunicação, religião e finanças. Especialistas apontam que crises desse tipo tendem a provocar não apenas perdas financeiras, mas também desgaste reputacional, especialmente quando envolvem figuras públicas que construíram suas trajetórias com forte discurso de credibilidade e prosperidade.

Enquanto o futuro do Digimais permanece indefinido, a crise aumenta a pressão sobre a imagem empresarial de Edir Macedo, dono da RecordTV. O destino da instituição segue cercado de incertezas, e as tentativas de reestruturação realizadas até agora não foram suficientes para afastar a desconfiança do mercado.

Rombo estimado em R$ 8,5 bilhões, acompanhado de patrimônio líquido negativo, é um dos sinais mais graves de deterioração financeira em uma operação bancária | Foto: Reprodução

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