Babu Santana construiu carreira no cinema antes do Big Brother Brasil
Redação Online
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 20:53 | Atualizado há 5 meses
Carioca rejeita status que lhe imputaram na casa
Ao ser indicado para o Paredão no BBB 26, o ator carioca Babu Santana, 46, rejeitou a pecha de prepotente em seu discurso. “Na minha vida, eu nunca fui”, redarguiu o artista, na noite de domingo (8/2), reconhecendo outros defeitos, como ser “nervoso” e “implicante”.
Babu se defendia, mas também contra-atacava. Era sua estratégia de jogo. Indicado pelo líder Jonas Sulzbach, ele usou o contragolpe para puxar Sarah Andrade à berlinda.
O artista apontou um embate entre os dois e a “prepotência” de uma pessoa que, para ele, deixou de cumprimentá-lo sem razão aparente. “De repente, parou de falar ‘bom dia’ e a culpa foi minha”, enfatizou, soltando a voz e explicando por que quer seguir no jogo.
“Retornei para essa edição com muita vontade de ganhar”, completou o ator. Horas depois, chorou sozinho no jardim. Talvez fossem lágrimas de quem é verdadeiro, dispensa máscara e não finge afeições — ainda que, por isso, se pegue intempestivo e se sinta vulnerável.
Para Alexandre da Silva Santana, a leitura de prepotência não é nova. No BBB 20, do qual saíra na semifinal, passou por um julgamento semelhante. E, no entanto, manteve-se ali fiel aos seus princípios éticos. Babu, afinal, defendia uma bandeira muito forte — a antirracista.
Nascido no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, escreveu o nome na história do cinema brasileiro. Foi aclamado por sua atuação como Tim Maia em cinebiografia lançada em 2014. O filme se baseou no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta.
Com caracterização imersiva, encarnou uma faceta pouco explorada do chefão da soul music nacional. “Depois de estudar bastante sobre ele, eu comecei a tentar vestir o personagem, que é um sujeito pobre, um garoto rejeitado pelo padrão de beleza”, contou ao “Omelete”.
Tudo indicava uma guinada financeira, mas o cachê não durou muito tempo, assim como a fama. Babu chegou a ser convidado para viver Maguila na tela grande. O projeto, todavia, acabou engavetado por falta de recursos. Até o BBB 20, poucos o chamavam para trabalhar.
Pela dedicação a Tim Maia, o ator recebeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2015, cuja láurea dividiu com Tony Ramos, que interpretara naquele ano o ex-presidente Getúlio Vargas. Tempos depois, ganhou o troféu barroco na Mostra de Cinema de Tiradentes.
Quando pôs as mãos na láurea, em 2018, o carioca disse que certos programas televisivos levantam “a questão do racismo” com elenco composto por 80% de brancos. “Não entendo. Aparece só o branco falando do racismo”, diagnosticou o artista, dono de currículo dilatado.
Até ser homenageado, porém, Babu ralou bastante. Certa vez, pediu liberação à patroa para fazer um teste no projeto Nós do Morro, iniciativa que forma atores do Vidigal. A dona da livraria desdenhou e, debochando, atacou: “onde já se viu um ator preto, feio e queixudo?”
Na telona, ator participou de obras aclamadas

Desde cedo, o pai, segurança no Teatro Fênix, no Rio, mostrou ao filho o universo das artes cênicas. A mãe e a tia o apoiavam a ingressar em um curso de teatro, pois isso ajudaria a melhorar sua dicção. Mas, pensava, será que um prognata poderia viver desse ofício?
“Sim”, respondeu Babu. Foi escolhido para atuar no filme “Cidade de Deus” (2002). Dirigido por Fernando Meirelles, o longa-metragem fez sucesso internacional. Só que, apesar dos holofotes, vivia um traficante na fita. Esse tipo de papel se repetiria em sua carreira, aliás.
De toda forma, o artista humanizava esses personagens para esvaziá-los do estereótipo do negro favelado. Atuou, sempre guiado por tal preocupação, em “Quase Dois Irmãos” (2004), “Batismo de Sangue” (2006), “Estômago” (2007) e “Meu Nome Não é Johnny” (2008).
Seu último filme, “Oeste Outra Vez” (2025), obteve reconhecimento artístico. Sobre o projeto, declarou à “Rolling Stone”: “Em 2019, era um ato cívico filmar esse filme, um dever. Era o pico da crise da nossa cultura. Me senti honrado.” O longa debate a masculinidade tóxica.
Chega-se, pois, ao BBB 26. Após o Sincerão, Babu discutiu com Jonas. O dançarino Juliano Floss se aproximou do aliado quando o modelo — com a voz alterada — o chamou de “criança”. Como se Tim Maia ali estivesse, o “paizão” inquiriu: “Você tá nervoso, irmão?”
“Tô”, disse Jonas, enquanto os outros brothers assistiam à cena. Babu, peitando o desafeto, emendou: “Qual é o caô, então? Tá nervoso por causa de quê, rapá?” E então disse: “É o papai mesmo, rapá!” Agitado e irado, o artista explodiu: “vá tomá no seu cu, playboy!”
Ofendido, Jonas o mandou ao paredão no domingo (8/2). O ator, veterano no BBB, sabia-se escolhido à berlinda. Agora, ele precisa da torcida e convocou seus fãs para votar, uma vez que o duelo com Sarah Andrade será disputado. Sol Vega também está emparedada.
Foto de destaque: Manoella Mello/ Globo