Mari Froes vira sensação da nova MPB e leva turnê para Europa em maio
Redação Online
Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 19:30 | Atualizado há 5 meses
e olho nela: Mari Froes, 23, é aclamada pelo público — Foto: Mari Froes/Instagram
Chega sincopando. O violão, entre versos folclóricos e timbre suave, acha-se nesta faixa com a fonética da língua brasileira. A cantora Mari Froes, 23, enfeitiça ouvidos além-mar. Como um estalo de açoite pela madrugada, a voz manga-rosa revela uma cantora cheia de alma.
“Arrepiou? Vai-te embora”, vocaliza a anapolina, em “Vaitimbora”, sem dispensar a ênclise. “Pio de sabiá, sariguê, caxinguelê, maracajá, voo de matita-perê, saci-pererê, boitatá.” O interesse pela coisa folclórica evoca as ideias modernistas do escritor Mário de Andrade.
Há que se lembrar dos “Aspectos do Folclore Brasileiro”, obra seminal do autor paulistano. As músicas, os poemas tradicionais do povo, diz Mário, não devem ser apenas uma forma de entretenimento para as classes burguesas. É preciso anseio por simpatia humana.
Sensação nas plataformas, com milhões de views e outro milhão de seguidores nas redes, Mari folcloreia-se em “Vaitimbora”. A música, gravada em parceria com o duo francês Trinix, entoa tons brasileiríssimos. “Eh, Boitatá/ Eh, Boitatá (ahn, ahn)”, canta a artista.
A canção pegou lá fora, como se fosse um chiclete sonoro e colasse nos ouvidos lusos. É bossa nova, alô Toquinho e Tom Jobim; é samba, alô Caymmi e Baden. Aí a cantora, já viu, foi aclamada por portugueses — tendo shows confirmados nas principais cidades europeias.
“Dois mil e vinte e cinco foi um sonho”, disse nas redes, agradecendo o ano que se findava. “Um imenso obrigada a cada pessoa especial que esteve comigo, fazendo parte desse ano tão intenso e arrebatador na minha vida. Que venha aí um 2026 repleto de coisas incríveis.”
Pelo visto, o novo ano promete mais realizações. Para a festa momesca, essa esbórnia consentida, Mari compôs a música “Colombina”. O eu poético se afirma cidadão do mundo, mas cruzou o oceano para ver a pessoa desejada. “Teu cheiro tropical tem mel e dendê”, diz.
Logo depois, a voz lírica evoca a brasilidade foliã. “Tem também, agogô e ganzá. Tamborim, Jorge Ben, pro meu bem sambar”, carnavaliza-se. “Meu bem, vim nesse samba pra te encontrar/ No seu cabelo tinha flor de maracujá/ Ah, que água na boca você me dá.”
Desde a meninice, Mari curte o som de Jonathas Pereira Falcão, conhecido como Seu Pereira. O músico faz um samba-rock, com toques de baião e funk. Ela declarou à “Veja” que acha “muito bonito” os elementos do folclore serem citados pelo artista em suas composições.
“Então resolvi fazer uma versão para as redes, que viralizou e chamou a atenção do Trinix, um grupo francês de música eletrônica muito conhecido lá fora”, revela Mari à revista, declarando-se feliz com o convite para lançar o remix, que virou hit. “Fiquei animada.”
Anapolina transita pela bossa nova e samba raiz

Fã de Amy Winehouse e Marisa Monte, Mari Froes circula pela bossa nova, samba, choro, xote, indie e pop. Embora eclética — cresceu ouvindo MPB e rock —, confessa qual seria sua parceria dos sonhos: Chico Buarque. Gostaria também de cantar com Caetano e Bethânia.
Mari começou lançando seus singles aqui e ali. Em 2023, a artista publicou nas plataformas “Mariana Froes no Estúdio Showlivre”, disco ao vivo cuja técnica vocal e violeira extasiou a todos. Seu “Sambinha da Saudade” soprava versos daquele amor. Um tema tradicional.
No som, ressoa aquela angústia. “A minha cama ficou fria e vazia”, lamenta-se a artista, que estourou durante a pandemia fazendo cover da música “Girassóis de Van Gogh”, do rapper Baco Exu do Blues. Nessa época, endoideceu melômanos com o EP “Nebulosa”, de 2020.
De repente, Mari viralizou nas redes: 100 milhões de visualizações no YouTube. No TikTok, ela ultrapassou 72 milhões de visualizações cantando “Figa de Guiné”, de Nei Lopes e Reginaldo Bessa. A faixa foi lançada na Alemanha e em Portugal pela gravadora Sony.
“Quando descobri essa canção, fiquei completamente viciada e decidi gravar um vídeo cantando pequeno trecho”, expôs a anapolina, impressionada com o poder das redes. Sob as bênçãos de Caymmi e Jorge Amado, ela manda, por meio da letra, um axé ao público.
Entre bossa nova e samba — com acentuação jazzy —, Mari se prepara para excursionar na Europa. No ano passado, a artista disse que todas as vezes em que esteve além-mar lhe foram marcantes. “É sempre uma emoção diferente”, sentenciou ao jornal português “Diário de Notícias”. “Desta vez, vamos a lugares novos, vai ser uma descoberta. Não vejo a hora.”
Daqui a menos de três meses, Mari iniciará seu périplo musical por palcos estrangeiros. A primeira atração da turnê ocorrerá em Londres, no dia 22 de março. De lá, seguirá para Manchester, Dublin, Amsterdã, Porto e Lisboa, dentre outras cidades. Chega sincopando.