Internacional

40% dos casos de câncer são preveníveis com mudanças de hábitos, afirma OMS

Léo Carvalho

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 15:30 | Atualizado há 5 meses

O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028 | Foto: Divulgação/ Divisão celular desordenada – base do surgimento do câncer
O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028 | Foto: Divulgação/ Divisão celular desordenada – base do surgimento do câncer

Quase quatro em cada dez casos de câncer no mundo – 7,1 milhões de 18,7 milhões diagnosticados em 2022 – poderiam ser evitados com ações simples contra 30 fatores de risco modificáveis, como tabagismo, infecções e álcool, revela estudo pioneiro da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (Iarc), lançado às vésperas do Dia Mundial do Câncer, em fevereiro de 2026.

O tabagismo desponta como o vilão número um, respondendo por 15% dos diagnósticos globais, ou 3,3 milhões de casos, principalmente de pulmão. Em seguida, vêm as infecções, como HPV (câncer cervical) e H. pylori (estômago), com 10%, e o álcool, responsável por 3%. Outros riscos incluem obesidade, sedentarismo, poluição do ar, radiação UV e ambientes de trabalho perigosos, analisados pela primeira vez em escala global para 185 países e 36 tipos de tumor.

Câncer contra homens e mulheres

Disparidades gritantes marcam gênero e regiões. Nos homens, 45% dos cânceres são preveníveis, contra 30% nas mulheres, diz a OMS. O cigarro sozinho causa 23% dos casos masculinos, enquanto infecções lideram com 11% entre as mulheres. Na Ásia Oriental, 57% dos tumores em homens são evitáveis, e na África Subsaariana as mulheres chegam a 38%. A América Latina e o Caribe têm o menor índice masculino, de 28%. Pulmão, estômago e colo do útero somam metade dos casos preveníveis.

Exemplos inspiradores mostram o caminho. Na Austrália, vacinas contra HPV derrubaram o câncer cervical para 5 casos por 100 mil mulheres, mas hesitação vacinal e falta de acesso travam avanços na América Latina (63 mil casos em 2022) e África. “É a primeira análise global a quantificar riscos infecciosos junto a comportamentais e ambientais, dando dados precisos para governos e indivíduos”, diz André Ilbawi, líder de controle de câncer na OMS.

Entidades médicas e profissionais de saúde clamam por estratégias sob medida: controle rigoroso do tabaco, regulação de bebidas alcoólicas, vacinação em massa contra HPV e hepatite B, ar mais limpo e workplaces seguros. “Prevenir é a arma mais poderosa contra o câncer”, afirma Isabelle Soerjomataram, da Iarc, enquanto Marina Pollán, do Instituto Carlos III da Espanha, destaca: “Isso reduz a carga sobre populações e sistemas de saúde”.

Onda de câncer no Brasil

No Brasil, onde o câncer mata 430 mil por ano, o estudo chama atenção para a urgência de políticas públicas alinhadas à realidade local, como ampliação do Sistema Único de Saúde para rastreio e vacinação, em meio a picos de busca por “prevenção de câncer” após a preocupação da OMS.

O Estado brasileiro deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A doença se aproxima das enfermidades cardiovasculares como principal causa de morte no país. Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgada nesta quarta-feira (4), no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Câncer.


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