Casa Branca montou ofensiva contra Raphael Claus após expulsão de Balogun na Copa
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 7 de julho de 2026 às 14:33 | Atualizado há 52 minutos
Raphael Claus foi alvo de um dossiê elaborado durante a estratégia do governo dos Estados Unidos para defender Balogun | Foto: Reprodução
A tentativa do governo dos Estados Unidos de reverter a suspensão do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo ganhou novos desdobramentos após a revelação de que a Casa Branca articulou uma estratégia jurídica contra o árbitro brasileiro Raphael Claus. Segundo o jornal The New York Times, foi elaborado um dossiê com acusações sem comprovação de suposta manipulação de resultados envolvendo o juiz, documento que serviu de base para um recurso apresentado à FIFA.
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De acordo com a publicação, o material foi produzido por advogados ligados ao governo norte-americano. Entre os envolvidos na iniciativa estariam o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e o gestor de investimentos Scott Goodwin, conhecido por contribuir financeiramente com a Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer).
O relatório foi encaminhado à entidade responsável pelo futebol norte-americano e posteriormente utilizado na tentativa de suspender a punição automática aplicada a Balogun após sua expulsão no confronto entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.
Dossiê cita Claus, mas não apresenta provas
Segundo o The New York Times, o documento também fazia referência a alegações de que Raphael Claus teria participação em esquemas de manipulação de resultados no futebol brasileiro. No entanto, o jornal afirma que nenhuma evidência foi apresentada para sustentar essas acusações.
Ainda conforme a reportagem, Scott Goodwin levou esse material a integrantes do governo de Donald Trump, que teria abordado o tema durante uma conversa com o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Apesar disso, tanto as autoridades brasileiras quanto a própria FIFA informaram que não encontraram qualquer elemento que sustentasse as suspeitas levantadas contra o árbitro.
Em nota, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) saiu em defesa de Raphael Claus e afirmou que o profissional possui reconhecimento internacional e uma trajetória marcada pela competência técnica e pela conduta ética.
“Raphael Claus integra o quadro de árbitros profissionais da CBF, é reconhecido mundialmente como um dos melhores árbitros em atividade e possui uma trajetória marcada por excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol”, declarou a entidade.
Governo americano mobilizou autoridades
A reportagem também aponta que Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, participou diretamente da elaboração da estratégia para tentar reverter a suspensão do atacante.
No recurso apresentado à FIFA, os advogados argumentaram que o árbitro de vídeo (VAR) teria sido utilizado de maneira inadequada. A defesa sustentou que Raphael Claus teria se baseado excessivamente em imagens congeladas e em replays em câmera lenta, o que, segundo eles, teria levado a uma avaliação equivocada da gravidade do lance envolvendo Balogun.
Além da atuação jurídica, Donald Trump também entrou em contato diretamente com Gianni Infantino para pedir que a punição fosse revista antes da partida válida pelas oitavas de final.
Trump critica expulsão e a FIFA reforça autonomia
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump voltou a comentar o caso e classificou Raphael Claus como um árbitro “suspeito”, afirmando que a expulsão de Balogun foi injusta.
Segundo o presidente norte-americano, a jogada não deveria sequer ter sido considerada falta e, por isso, ele solicitou que a entidade máxima do futebol analisasse novamente a decisão disciplinar.
Após a repercussão das declarações, Gianni Infantino confirmou que conversou com Trump sobre o episódio. O dirigente, entretanto, ressaltou que os processos disciplinares da FIFA são conduzidos por órgãos independentes e que não sofrem interferência política.
“O sistema disciplinar da FIFA funciona de maneira independente. Os órgãos judiciais analisam cada caso com base no Código Disciplinar da entidade, nas normas aplicáveis e nas circunstâncias específicas dos fatos. Essa autonomia é essencial para preservar a credibilidade e a integridade do futebol”, afirmou Infantino.
Segundo o presidente da FIFA, durante a conversa ele explicou ao chefe da Casa Branca que o processo seguia em tramitação e que qualquer decisão caberia exclusivamente às instâncias competentes da entidade.
Mesmo diante da suspensão automática prevista para atletas expulsos, a FIFA anunciou no último domingo (5) que Balogun estaria liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo.
A decisão gerou forte reação da Uefa, que classificou a medida como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.
Já a Federação Belga de Futebol informou que buscou esclarecimentos junto à FIFA sobre a liberação do atacante, mas teve o pedido negado. A entidade também comunicou que pretende contestar oficialmente a participação de Balogun na partida, independentemente do resultado do confronto.