Críticas de Trump ampliam crise entre EUA e Europa em meio à guerra no Irã
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 5 de abril de 2026 às 11:03 | Atualizado há 3 meses
Trump, ao lado de líderes da Otan, em Bruxelas | Foto: Sean Gallup/Getty Images
Há cerca de um ano, líderes europeus tentavam contornar as declarações de Donald Trump com gestos diplomáticos. Nas últimas semanas, porém, o presidente americano elevou o tom, combinando ameaças com críticas diretas à Europa, aprofundando uma crise nas relações transatlânticas.
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A postura cautelosa dos europeus diante da guerra no Irã levou Trump a classificá-los como “covardes”. Em um dos momentos mais delicados da relação entre os dois lados do Atlântico, a tendência é de agravamento das tensões.
Europa evita envolvimento direto no conflito
Cinco semanas após o início dos bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, líderes europeus seguem evitando participação direta no conflito, considerado caro, inoportuno e impopular.
Mesmo setores da ultradireita, alinhados ideologicamente a Trump, têm evitado apoiar a ofensiva. Na Alemanha, por exemplo, o partido Alternativa para a Alemanha optou por não endossar publicamente a ação, em meio a cálculos eleitorais.
Em paralelo, movimentos populistas enfrentaram derrotas recentes em países como França e Itália, o que também influencia o posicionamento político no continente.
A resposta europeia às provocações americanas tem sido, em geral, contida. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer evitou reagir a críticas pessoais, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron elevou o tom após comentários de Trump.
Macron classificou declarações do americano como inadequadas e criticou a falta de consistência nas posições dos Estados Unidos, especialmente em relação à OTAN.
“Estamos falando de guerra”, afirmou o líder francês, ao destacar a gravidade do conflito e o impacto sobre civis e militares.
Apoio indireto e papel estratégico europeu
Apesar da recusa em participar diretamente da guerra, países europeus seguem contribuindo de forma indireta. Bases militares no Reino Unido, em Portugal, como a dos Açores, e na Alemanha continuam sendo utilizadas para apoio logístico e operações estratégicas dos EUA.
A base de Ramstein, na Alemanha, por exemplo, permanece central na coordenação de operações militares, evidenciando que a ausência europeia no conflito não é absoluta.
O cenário é agravado pela atuação de Vladimir Putin, que busca ampliar sua influência no contexto do conflito. A guerra no Oriente Médio também impacta diretamente a dinâmica da guerra na Ucrânia e as relações dentro da Europa.
Além disso, eleições em países como Hungria adicionam incerteza ao cenário. O primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado de Moscou, pode perder espaço político, o que preocupa tanto Washington quanto líderes europeus.
Relação transatlântica em momento crítico
Diplomatas europeus avaliam que a estratégia até agora tem sido “administrar” Trump, evitando confrontos diretos enquanto tentam preservar a estabilidade da aliança ocidental.
No entanto, a crescente distância entre Estados Unidos e Europa levanta dúvidas sobre o futuro da cooperação estratégica. Uma Europa mais independente pode contrariar interesses americanos, enquanto um governo dos EUA mais pressionado também representa riscos para o continente. (Folhapress/José Henrique Mariante)