Internacional

Drones atacam navios no Estreito de Ormuz após ameaças dos EUA ao Irã

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 11 de março de 2026 às 15:14 | Atualizado há 4 meses

Irã assume ataques a navios em corredor estratégico do petróleo | Foto: ISNA
Irã assume ataques a navios em corredor estratégico do petróleo | Foto: ISNA

Nesta quarta-feira (11), três navios mercantes foram atacados por drones na região do Estreito de Ormuz. Dois dos ataques foram reivindicados pelas Forças Armadas do Irã, mesmo após ameaças de Donald Trump em caso de interferências iranianas no estreito.

O Estreito de Ormuz, um importante corredor comercial e ponto estratégico para a energia mundial, encontra-se atualmente sob os holofotes da guerra no Oriente Médio. Já no 12º dia do conflito, o Irã utiliza o estreito como forma de pressionar os Estados Unidos (EUA). A UK Maritime Trade Operations (UKMTO), agência responsável por monitorar a segurança de navios e marinheiros, reportou que três navios foram atingidos por drones no Estreito de Ormuz, nesta quarta-feira.

Entre os navios estava um de propriedade de Israel, com bandeira da Libéria, e uma embarcação tailandesa.

Posicionamento iraniano

Sobre os últimos ataques, o quartel-general militar iraniano Khatam al-Anbiya declarou em uma transmissão da TV estatal:

“Qualquer embarcação cuja carga de petróleo ou a própria embarcação pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerada alvo legítimo”, continuou ainda, reiterando o controle já antes declarado sobre o Estreito de Ormuz.

“As Forças Armadas do Irã não permitirão que um único litro de petróleo transite pelo Estreito de Ormuz.”

Importância do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz fica localizado entre o Irã, os Emirados Árabes Unidos e Omã, nas regiões dos golfos Pérsico e de Omã. É por essa região que cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializado no mundo passam.

Por esse motivo, o Irã afirmou que pode fechar o Estreito de Ormuz e impedir o comércio na região, principalmente o relacionado aos Estados Unidos e a Israel.

Nesta terça-feira (10), houve alegações de que o Irã possuía embarcações usadas para instalar minas marítimas na região do corredor comercial. Após isso, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que uma operação americana atingiu cerca de 16 navios iranianos, impedindo-os de qualquer instalação de minas.

O presidente Donald Trump se declarou nas redes sociais:

“Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes. Se, por outro lado, removerem o que quer que tenha sido colocado, será um grande passo na direção certa!”

O republicano também ameaçou e disse que, caso o Irã “tente algo esperto”, “será o fim do país”.

Mesmo sob ameaças de destruição iminente, Teerã reforçou a presença militar, com 16 bases militares na região, na costa norte e em ilhas estratégicas. Contudo, análises de imagens de satélite indicam que pelo menos 10 dessas já foram neutralizadas pelos Estados Unidos.

Divergências de discursos

Entre as declarações de Trump, ele diz que a guerra está “praticamente concluída” e que, por isso, deve acabar em breve. Após o discurso, a cotação do petróleo registrou queda.

No entanto, Ebrahim Zolfaqari, o porta-voz militar iraniano, afirma contrariar a especulação e aposta no aumento dos barris de petróleo.

“Preparem-se para o barril a US$ 200, porque o preço depende da estabilidade que vocês desestabilizaram”, declarou.

Antes do conflito, um barril Brent (159 L) custava em média US$ 90. Durante esta semana, com a guerra no Oriente Médio em evidência, o barril chegou a US$ 120.


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