Ebola na República Democrática do Congo pode ser o surto mais letal da história, alerta OMS
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 10:21 | Atualizado há 11 horas
Profissionais de saúde atuam no combate ao surto de ebola na República Democrática do Congo | Foto: Benediction Murhabazi/AFP
A República Democrática do Congo enfrenta um surto de ebola que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode alcançar uma dimensão sem precedentes. A entidade avalia que o avanço da doença no país coloca a atual epidemia no caminho para superar o surto registrado na África Ocidental entre 2014 e 2016, considerado até hoje o mais grave da história.
A epidemia daquele período provocou cerca de 11 mil mortes. No cenário atual, a República Democrática do Congo já contabiliza aproximadamente 4,3 mil casos de ebola e mais de 2 mil óbitos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a velocidade de crescimento dos registros é o principal motivo de preocupação. Segundo ele, caso a doença continue avançando no ritmo observado atualmente, o número de vítimas poderá ultrapassar o registrado na epidemia da África Ocidental.
OMS prevê meses de avanço da doença
A avaliação da organização é que o surto ainda está longe de atingir seu ponto máximo. A projeção apresentada por Tedros indica que o pico de casos deve ocorrer nos próximos seis meses, enquanto a circulação do vírus poderá se estender por até um ano.
O cenário preocupa também porque o vírus não surgiu recentemente na região. Embora o surto tenha sido oficialmente declarado em 15 de maio, as autoridades identificaram posteriormente que a circulação do ebola já ocorria desde fevereiro.
Os casos registrados na atual epidemia são provocados pela cepa Bundibugyo. Essa variante representa um obstáculo adicional para o enfrentamento da doença, já que ainda não há vacina ou tratamento aprovado especificamente para ela.
A OMS acompanha a evolução dos casos e considera que a velocidade de propagação será determinante para definir a dimensão final do surto. A possibilidade de superar a epidemia de 2014 a 2016 coloca a República Democrática do Congo diante de um dos cenários mais graves já registrados para a doença.