EUA exige do Brasil plano para acabar com PCC e CV
Léo Carvalho
Publicado em 13 de março de 2026 às 13:48 | Atualizado há 4 meses
Negociação entre Brasil e EUA inclui exigências para combate a facções criminosas e cooperação em segurança | Foto: Divulgação
Os Estados Unidos exigiram que o Brasil apresente um plano para acabar com o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho durante negociações de cooperação entre os dois países no combate ao crime transnacional.
A demanda foi apresentada pelo governo de Donald Trump como parte de uma contraproposta a um plano de cooperação apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado.
A cooperação seria o principal anúncio de um encontro entre Lula e Trump. A reunião estava prevista inicialmente para março, mas deve ocorrer em abril.
Proposta dos Estados Unidos
Além da exigência de um plano contra as facções brasileiras, autoridades americanas também propuseram que o Brasil receba em presídios nacionais estrangeiros capturados em território dos Estados Unidos.
A proposta segue modelo adotado por Nayib Bukele em El Salvador, onde presos são enviados para o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), penitenciária de segurança máxima construída para abrigar membros de organizações criminosas.
Os EUA também pedem que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações sobre estrangeiros que buscam refúgio no país, incluindo dados biométricos. A medida seria parte de ações para combater a criminalidade transnacional e impedir rotas de imigração irregular que utilizam portos e fronteiras brasileiras.
Segundo autoridades americanas, o plano brasileiro também deveria incluir ações contra outras organizações consideradas criminosas, como o Hezbollah e grupos ligados ao crime organizado chinês que atuam no Brasil.
Proposta brasileira
O governo brasileiro havia apresentado um plano de cooperação com quatro pontos principais. Um deles prevê ações conjuntas para combater lavagem de dinheiro, com foco em recursos transferidos por criminosos brasileiros para empresas de fachada no estado de Delaware, nos Estados Unidos.
O plano também propõe o bloqueio de ativos provenientes de recursos ilícitos, com cooperação entre a Receita Federal do Brasil e o Internal Revenue Service.
Outra medida sugerida é ampliar a colaboração entre autoridades alfandegárias para reforçar o combate ao tráfico de armas que abastece facções como PCC e Comando Vermelho.
Além disso, o Brasil propôs intensificar o intercâmbio de informações sobre transações envolvendo criptoativos.
Negociação e preocupações
As exigências apresentadas pelos Estados Unidos ainda não foram aceitas pelo governo brasileiro. As duas partes seguem em negociação para tentar chegar a um acordo antes do encontro entre os presidentes.
O governo Lula também busca evitar que Washington classifique o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A avaliação interna é que essa classificação poderia abrir espaço para ações de autoridades americanas em território brasileiro.
Integrantes do governo também demonstram preocupação com a possibilidade de o tema ser explorado politicamente durante a campanha eleitoral.
Atuação das facções
Levantamentos indicam que o PCC e o Comando Vermelho têm presença em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles.
As duas organizações também ampliaram suas atividades para fora do país. O Comando Vermelho mantém atuação em ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em pelo menos 16 nações. (PATRÍCIA CAMPOS MELLOPATRÍCIA CAMPOS MELLO/Folhapress)