Governador de Buenos Aires critica Milei por ofensas ao Brasil e a Lula
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 27 de julho de 2026 às 09:49 | Atualizado há 1 hora
Axel Kicillof criticou as declarações de Javier Milei contra o Brasil e defendeu a integração entre os dois países | Foto: Perfil
O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou as ofensas feitas pelo presidente argentino Javier Milei a autoridades brasileiras durante um evento do PL em São Paulo.
Kicillof disse nas redes sociais que Milei insultou o governo brasileiro, o presidente Lula e o país. “Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, defendemos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional”, escreveu.
Kicillof busca afastar Argentina das declarações de Milei
Governador afirmou ter procurado o Itamaraty para marcar distância das declarações do presidente argentino. Ele disse que entrou em contato com o chanceler Mauro Vieira para transmitir que Milei “não representa os sentimentos do povo argentino”.
Para Kicillof, a escalada verbal pode afetar interesses econômicos da Argentina. “O Brasil é nosso principal parceiro comercial. Com essas provocações, Milei coloca investimentos, exportações, milhares de empregos e os interesses da Argentina em risco, tudo para apoiar um candidato a pedido de Trump. A relação com o Brasil merece responsabilidade, não provocações”, afirmou.
Declarações de Milei provocam reação diplomática
Milei participou no sábado de uma convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. No discurso, ele chamou Lula de “presidiário” e defendeu a derrota do petista nas eleições de outubro.
Presidente argentino também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A fala ocorreu após uma decisão que impediu Milei de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
As declarações levaram o Itamaraty a adotar medidas diplomáticas com a Argentina. O governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, e chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para comunicar repúdio às falas.
Mauro Vieira afirmou que não há histórico semelhante de ataques de um presidente estrangeiro em território brasileiro. “Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, disse o ministro.