Internacional

Lula critica crise da ONU, condena guerra em Gaza e defende soberania do Brasil

Léo Carvalho

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11:47 | Atualizado há 17 minutos

Lula discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22) | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (22), em Nova York, o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas com críticas ao funcionamento da ONU, aos conflitos armados e à atuação das grandes potências. Em sua décima participação na abertura da Assembleia, Lula afirmou que a organização enfrenta uma crise de credibilidade e cobrou mudanças no Conselho de Segurança.

Segundo o presidente, a ONU não tem conseguido cumprir uma de suas principais funções, que é evitar guerras e proteger populações civis. Lula classificou o cenário atual como o mais grave desde sua primeira participação na Assembleia, em 2003.

“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar o mundo, a humanidade, do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, afirmou.

Lula também criticou o que chamou de imobilismo do Conselho de Segurança. Para ele, a estrutura atual da organização precisa ser reformada para ampliar a representação de países e permitir respostas mais efetivas aos conflitos internacionais.

Um dos principais pontos do discurso foi a situação no Oriente Médio. Lula condenou a ofensiva israelense em Gaza e afirmou que a população palestina enfrenta consequências que serão carregadas por gerações. Ao tratar do conflito, o presidente utilizou o termo “genocídio” para se referir às ações do governo de Benjamin Netanyahu.

Lula também condenou os ataques do Hamas e destacou que civis israelenses foram vítimas da violência praticada pelo grupo.

O presidente criticou ainda medidas contra instituições internacionais responsáveis por investigar possíveis violações de direitos humanos. Segundo ele, enfraquecer o Tribunal Penal Internacional representa um retrocesso para o sistema multilateral.

A defesa da soberania brasileira foi outro eixo do pronunciamento. Lula afirmou que o país não aceitará interferências externas em suas decisões políticas e fez referência ao processo eleitoral brasileiro.

“Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou.

O presidente disse que as eleições brasileiras serão transparentes e competitivas e afirmou que os candidatos terão liberdade de expressão. Também citou os riscos da desinformação nas redes sociais e afirmou que o país não permitirá interferências externas que, segundo ele, possam afetar a vontade popular.

A fala ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras e em meio às tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.

Lula também apresentou a cooperação internacional no combate ao crime organizado como uma das prioridades brasileiras. O presidente afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e defendeu maior articulação entre os países.

Outro momento destacado foi a defesa de políticas de combate à violência contra as mulheres. Lula afirmou que o enfrentamento ao feminicídio deve ser tratado como uma causa internacional e recebeu aplausos ao abordar o tema.

Ao longo do discurso, Lula defendeu a retomada da cooperação entre os países para enfrentar problemas globais. Entre os temas citados estão mudanças climáticas, desigualdade, fome, guerras e os impactos do avanço tecnológico.

A inteligência artificial também aparece no debate da Assembleia deste ano, em meio às discussões sobre regulação e segurança. O tema foi tratado anteriormente pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que alertou para os riscos do uso não regulado da tecnologia.

A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da ONU e tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma ONU que atenda a todas as pessoas”. O Brasil mantém a tradição de abrir o debate geral, seguido pelos Estados Unidos, representados neste ano pelo presidente Donald Trump.


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