Internacional

No maior evento conservador do mundo, apoiadores de Trump justificam guerra do Irã

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 26 de março de 2026 às 08:57 | Atualizado há 2 meses

Evento em Dallas reúne lideranças conservadoras em meio a tensões internacionais | Foto: Reprodução
Evento em Dallas reúne lideranças conservadoras em meio a tensões internacionais | Foto: Reprodução

Mesmo ausente pela primeira vez em uma década, o presidente Donald Trump segue como figura central da CPAC, onde apoiadores defendem suas decisões e mantêm apoio firme em meio à escalada de tensões com o Irã.

“Você é a favor ou contra Trump?”, pergunta à reportagem Blake Zuma, de 62 anos, integrante do grupo Trump Tribe of Texas. Na CPAC, considerada o maior evento conservador do mundo, o grupo veste jaquetas douradas com o sobrenome do presidente dos Estados Unidos nas costas e usa letras que, juntas, formam T-R-U-M-P.

Neste ano, o evento acontece em Dallas e reúne políticos e personalidades da direita de vários países. Apesar de pesquisas indicarem queda na aprovação de Trump, sua base segue fiel durante a convenção.

Para Blake, o segundo mandato tem sido positivo. Ela afirma não ser “a favor da guerra”, mas defende que o presidente entrou em conflito com o Irã por considerar que os Estados Unidos estavam sob ameaça, uma narrativa que tem evoluído desde o início dos ataques, que completam um mês neste fim de semana.

Na infância, Blake viveu em diferentes países, incluindo o próprio Irã, e demonstrou interesse em assistir ao discurso de Reza Pahlavi, filho do xá deposto pelos aiatolás, que integra a programação da CPAC. Segundo ela, a família deixou o país ao perceber o agravamento da situação política.

Apoiadores de Trump mantêm entusiasmo na CPAC mesmo sem a presença do presidente | Foto: Reprodução

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, Donald Trump não participará do evento pela primeira vez em uma década. Tradicionalmente, ele encerrava a conferência com um discurso. De acordo com um funcionário da Casa Branca, a ausência se deve a “questões de agenda”, já que o presidente está envolvido na condução do conflito com o Irã e em outros temas estratégicos.

Apesar disso, Blake Zuma não demonstra desânimo e acredita que ainda há chance de o presidente aparecer. Já o casal de aposentados William Diaz, de 66 anos, e Anne Diaz consideram a justificativa plausível.

William afirma não gostar de guerra, mas avalia que o conflito atual tende a ser menos prolongado do que outros, como o do Iraque. Para ele, Trump toma decisões com base no que considera melhor para o cenário global e teria identificado uma ameaça do Irã a países como Israel, especialmente diante da possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares.

Nascido em Cuba, William relata que ainda possui familiares no país, mas não pretende retornar enquanto o regime comunista estiver no poder. Ele afirma que poderia reconsiderar a decisão caso haja mudanças políticas. Sobre declarações recentes de Trump envolvendo Cuba, acredita que o país já enfrenta uma crise profunda e pode entrar em colapso em breve.

No evento, ele também demonstra interesse em acompanhar discursos de figuras brasileiras, como Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Segundo William, sua experiência em um país comunista reforça o desejo de que nações como o Brasil não avancem em direção à esquerda.

Entre os participantes, a juíza aposentada Sara Canady chamou atenção ao usar uma camiseta com a inscrição “MAGA 2028”, em referência a uma eventual candidatura de Trump a um terceiro mandato. Ela afirma que se trata de uma brincadeira, embora o próprio presidente já tenha mencionado essa possibilidade — o que seria inconstitucional, já que a legislação dos EUA permite apenas dois mandatos presidenciais.

Canady afirmou não ter se incomodado com a ausência de Trump na CPAC, destacando que o viu recentemente em um evento no Texas. Ainda assim, comentou que esperava receber apoio político do presidente em sua trajetória, algo que não ocorreu.

(IsabellaMenon/Folhapress)


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