Trump publica imagem como “Jesus” após atacar papa Leão XIV
Léo Carvalho
Publicado em 13 de abril de 2026 às 10:15 | Atualizado há 3 meses
Montagem publicada por Trump o mostra em posição semelhante à de Jesus, cercado por símbolos militares e patrióticos | Foto: AP
A crise entre a Casa Branca e o Vaticano ganhou novos capítulos neste domingo (12) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer duras críticas ao papa Leão XIV e, em seguida, publicar uma ilustração em que aparece como Jesus Cristo.
Em uma série de declarações nas redes sociais, Trump acusou o pontífice de ser “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”, além de criticar posições da Igreja durante a pandemia de Covid-19. O presidente também ironizou o papa ao elogiar seu irmão, afirmando preferir “Louis”, descrito por ele como apoiador de suas políticas.
O republicano ainda contestou o papel político do líder religioso, afirmando que não quer um papa que critique os Estados Unidos ou suas ações internacionais, incluindo posicionamentos sobre o Irã e a Venezuela. Em tom enfático, Trump defendeu suas próprias políticas, alegando ter sido eleito com “vitória esmagadora” e destacando resultados na economia e segurança pública.
A escalada retórica incluiu ainda uma declaração em que o presidente sugeriu que a eleição de Leão XIV teria sido influenciada por sua própria presença na Casa Branca. Segundo Trump, o pontífice “deveria ser grato” e não estaria no Vaticano sem esse contexto político.
Pouco depois das críticas, Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, uma ilustração em que aparece vestindo uma túnica vermelha e branca, com a mão sobre a cabeça de uma pessoa, em referência a uma cura. Ao redor, a cena mistura elementos religiosos e militares: soldados como anjos no céu, águias, aviões de guerra, além da bandeira dos Estados Unidos e da Estátua da Liberdade. Também aparecem uma criança em oração e uma enfermeira.

A resposta do Vaticano veio por meio do próprio papa, que rejeitou o tom das críticas. Leão XIV afirmou não temer o governo americano e destacou que sua missão é baseada na mensagem do Evangelho. “Não somos políticos”, declarou, ao reforçar sua atuação como líder religioso e defensor da paz.
Desde o início de seu pontificado, o papa tem feito críticas às políticas migratórias de Trump e, mais recentemente, passou a alertar sobre o que considera uma postura belicista do governo dos Estados Unidos, especialmente em relação ao Oriente Médio. O pontífice também classificou como “inaceitáveis” declarações atribuídas ao presidente sobre conflitos internacionais.
O episódio evidencia o aprofundamento da tensão entre Washington e o Vaticano e já começa a refletir no campo político interno dos Estados Unidos. Pesquisas indicam que o posicionamento do papa tem dividido a base religiosa que historicamente apoia Trump, considerada estratégica em suas campanhas eleitorais.